Quem não teve o seu mundo imaginário em criança? O Teatro Virgínia recebe esses mundos dos elementos do Atelier Teatral dos Miúdos este fim-de-semana. Assistimos a um dos ensaios do espetáculo encenado por Hugo Gama e falámos com os pequenos grandes artistas sobre aquele local fantástico criado muito acima da nossa medida quando medíamos palmo e meio.
O palco do Teatro Virgínia, além de espaço privilegiado para a realização de atividades culturais, está vocacionado para a formação em teatro. Uma “escola” com três “turmas” diferenciadas por faixas etárias, em que os mais velhos já passaram os 50 anos (Teatro Maior de Idade), os do meio têm entre os 12 e os 18 (Grupo de Teatro Juvenil do Virgínia) e os mais novos vão dos seis aos dez (Atelier Teatral dos Miúdos).

A estreia de “Mundo Imaginário” este sábado, dia 2, levou-nos ao encontro da “turma” das crianças num dos últimos ensaios da peça em preparação desde outubro do ano passado. As quartas-feiras à tarde tornaram-se sinónimo de teatro e o espetáculo partilha com o público os frutos do trabalho realizado. No próximo outubro alguns continuam na mesma “turma” e outros prosseguem os “estudos” (o prazo de inscrição nos grupos infantil e juvenil termina a 30 de setembro).
Os pequenos artistas conhecem o tema do espetáculo melhor do que qualquer adulto certamente por ainda não terem perdido a capacidade de criar um mundo só seu, onde tudo é possível e simples. A curiosidade dos adultos, por sua vez, já esgotou o espetáculo de sábado e levou à realização de uma sessão extra na tarde de domingo, dia 3, pelas 17h00.

Falar deste grupo e do espetáculo é, na verdade, falar de um “universo imaginário” composto por 18 mundos diferentes e influenciados pelo 19º, o da Sara, que a poucos dias da estreia ficou impedida de participar por motivos de saúde. O formato escolhido pelo encenador Hugo Gama deu-lhes a liberdade de escolherem o guarda-roupa, os adereços e as histórias apresentadas.
O ator, professor de teatro e doutorando em Artes Performativas pela Universidade de Lisboa estreou-se este ano com a “turma” infantil. A experiência anterior tinha sido com o grupo juvenil, no qual conheceu Simão Rodrigues e Margarida Coelho, os dois ajudantes na exigente tarefa de tornar realidade uma peça sobre os mundos imaginários de quase 20 crianças.

O que é, então, este “Mundo Imaginário” que sobe ao palco do Teatro Virgínia e de que forma é vivido pelos atores e o encenador? Falámos com 16 dos 18 elementos do Atelier Teatral dos Miúdos (dois chegaram depois da entrevista) e com Hugo Gama nas cadeiras da plateia instaladas no palco.
As respostas que partilhamos em vídeo demonstram que este espetáculo não é mais do que uma oportunidade que a vida nos dá para aliviarmos o peso da realidade e acreditar, por momentos, que algures o céu é verde e a relva azul. Apenas porque sim, apenas porque queremos que assim seja.

