O PS promoveu na sexta-feira, 26 de maio, um debate sobre “Os desafios do poder local” em Torres Novas, na Praça do Peixe. A iniciativa contou com as intervenções de António Gameiro, líder da distrital do PS, Hugo Costa, deputado na Assembleia da República de Tomar, Pedro Ferreira, presidente da Câmara de Torres Novas, Luís Silva, presidente da concelhia do PS de Torres Novas, e ainda Duarte Cordeiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Num debate onde não faltaram críticas ao Bloco de Esquerda local, frisou-se a potencialidade da região, os problemas que ainda tem por resolver e a necessidade de estabilidade financeira para conseguir cumprir os sonhos.

“O objetivo deste debate é falar sobre aqueles que são os desafios do poder autárquico”, começou por explicar Hugo Costa. A palavra passou de seguida para António Gameiro, a quem coube as críticas mais diretas ao Bloco de Esquerda. “Quero deixar aqui ao Bloco de Esquerda de Torres Novas um certo recado: faça o seu trabalho, mas lições não recebemos de ninguém”, frisou. “Nós já governámos perto de 21 concelhos”, sendo que o objetivo neste ano eleitoral é manter os 13 atuais e conquistar alguns dos que se encontram com outra cor política, sublinhou.

Duarte Cordeiro referiu que para os investidores estrangeiros a região de Lisboa vai até Leiria, Sines e Évora. “Lisboa neste contexto de região tem as suas mais valias”, afirmou. O autarca enumerou vários dos projetos de requalificação urbana desenvolvidos pelo município de Lisboa, a descentralização de competências com as juntas de freguesia, mas também alguns problemas que urge resolver, como a habitação e o emprego.

“São desafios a uma escala diferente das cidades médias”, constatou Pedro Ferreira, definindo Torres Novas como “a porta norte de Lisboa”. “Sentimos que estamos no coração do país”.

Pedro Ferreira salientou que à escala de Torres Novas é necessário “conhecer bem o território, as pessoas e como gostariam de viver”. O autarca admitiu “o muito que falta fazer”, mas constatou que “não pode haver sonhos de qualquer autarca sem haver estabilidade financeira. (…) O tempo das vacas gordas e cegas já passou”. “Torres Novas está a pagar essas faturas”, vincou, encontrando-se, porém, bem posicionado esse papel.

“Os desafios continuam a ser a parte cultural, associativismo, empresarial”, enumerou, frisando acreditar no empreendedorismo e na autarquia enquanto “parceiro ativo”. Para atrair pessoas são necessárias condições, como jardins de infância, lares, saúde e ensino. É necessário continuar a procurar estas estruturas, realizando parcerias inclusive com o próprio Estado, defendeu. Para tal projeto “tem que haver estabilidade numa autarquia e passa pelo factor político”.

O debate contou ainda com algumas intervenções do público, com preocupações quanto à desertificação e saída de quadros qualificados, as notícias falsas e o papel das juntas de freguesia na melhorias das condições de vida da população.

Duarte Cordeiro terminaria por afirmar que não se pode descurar esta “macroregião de Lisboa”, havendo matérias semelhantes às da capital. Concordaria assim que é necessário equilíbrio financeiro para prosseguir objetivos.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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