Os vereadores do PSD e do BE questionaram em reunião de executivo a “oportunidade” da homenagem do CRIT – Centro de Recuperação e Integração Torrejano ao seu fundador e primeiro presidente, o também presidente da Câmara, Pedro Ferreira (PS). A instituição atribuiu o nome do autarca a um prédio de sua propriedade em Torres Novas, na rua Alexandre Herculano, exibido num grande painel de azulejo. “”O CRIT não podia esperar seus meses para pôr os azulejos?”, comentaria a vereadora Helena Pinto (BE).
A questão foi levantada pelo vereador João Quaresma de Oliveira (PSD), começando por frisar que não estava a criticar o trabalho de Pedro Ferreira ao serviço do CRIT. Porém, “não deixa de ser estanho, e já vamos à questão da legalidade da obra em si, que em ano de eleições, numa obra que teve apoio municipal, se faça uma fachada daquelas – edifício Pedro Ferreira – sem mais nem menos”. “No mínimo tese isenção de taxas”, constatou.
Quaresma de Oliveira questionou ainda o licenciamento da alteração de fachada, assim como pormenores do processo de instalação do painel de azulejo. Tornaria assim a frisar que não estava em causa a homenagem, mas a “oportunidade” e a “forma” da mesma.
Pedro Ferreira não gostou porém deste assunto ter sido trazido para uma reunião de câmara pública, politizando a instituição social. Também o vice-presidente Luís Silva (PS) e o vereador Carlos Ramos (PS), que pertence aos órgãos sociais do CRIT, saíram em defesa do presidente.
Luís Silva considerou que se estava a tentar “enlamear uma homenagem justa” com “minudências”, mas que a queixa do vereador ia ser avaliada e eventualmente o CRIT autuado. Já Carlos Ramos explicou que o CRIT esteve a atribuir nomes aos seus equipamentos, tendo entendido dar o nome daquele edifício ao seu primeiro presidente. “A vida do CRIT está muito para além da política”, sublinhou.
Helena Pinto também se debruçou sobre o assunto, considerando que era um episódio dispensável e que acabava por envolver inadvertidamente a instituição numa questão política. “O CRIT não podia esperar seis meses para pôr os azulejos?”, interrogou, considerando que o presidente não devia ter aceite a homenagem, tendo em conta que é ano eleitoral.
Pedro Ferreira acabou por exaltar-se, afirmando ser “nojento” envolver o CRIT numa discussão daquela natureza numa reunião de câmara. “Tenham vergonha do que está a acontecer. O município tem outros problemas para resolver, que não é este”, afirmou, já visivelmente transtornado.
Carlos Ramos ainda tentou intervir novamente, mas Pedro Ferreira preferiu dar por encerrada a discussão.
