António Zambujo começou com o Fado e o Cante Alentejano e a música que o diferencia depressa se tornou universal. Não só porque ganhou sotaques e inspirações de outros países, mas porque pulou para o lado de lá da fronteira. Um caminho feito de oito álbuns, prémios e agendas cheias de concertos com públicos de muitas nacionalidades que às 21h30 deste sábado, dia 6, volta a incluir o do Teatro Virgínia.

O Cante Alentejano marcou a infância do artista nascido em Beja, uma influência à qual se juntaram grandes vozes do Fado. A estreia na música fez-se com o som do clarinete, cujas aulas iniciou aos oito anos, e a conquista do primeiro prémio num concurso de jovens fadistas, quando dobrou essa idade. Fez as malas, subiu no mapa do território nacional e o caminho levou-o até à capital, decidido a fazer carreira, que contou com o apoio de Mário Pacheco e o Clube do Fado, assim como de Filipe La Féria e o musical Amália.

O ano de 2002 marca o lançamento do primeiro trabalho em nome próprio, “O Mesmo Fado”, e dois anos depois a música portuguesa continua a marcar a produção de António Zambujo, desta vez com um regresso às origens e a edição do segundo álbum, “Por Meu Cante”. Cantar em português leva-o ao lado de lá da fronteira, com agenda cheia de concertos e participações em festivais estrangeiros, e traz-lhe o reconhecimento no lado de cá com a atribuição do Prémio de Melhor Intérprete Masculino de Fado, pela Fundação Amália Rodrigues.

O terceiro álbum, “Outro Sentido”, é lançado em 2007 e mistura o sotaque português do músico com os de outros países. Uma mistura que se traduz em edições europeias e norte-americanas, a par de nova agenda cheia e a afirmação nas tabelas de vendas internacionais. A world music de António Zambujo continua a afirmar-se no panorama musical com o surgimento de “Guia”, “Quinto” e “Lisboa, 22:38 – Ao Vivo No Coliseu”.

O lançamento de “Rua da Emenda” faz com que as apresentações passem a ser dispensadas na tourné iniciada em 2015, na entrega dos Globos de Ouro que conquistou como Melhor Intérprete Individual e Melhor Música, com “Pica do 7”, e na condecoração com a comenda de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República.

Lançou “Até pensei que fosse minha” entre os mais de 100 concertos agendados no ano passado e em 2017, o caminho traz António Zambujo de volta ao palco do Teatro Virgínia que ainda tem memórias de 2015 e está preparado para o receber este sábado.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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