No final dos anos 90, a Associação Desportiva, Recreativa, Ambiental e Cultural de Alcorochel, com o apoio da população local e da junta de freguesia de Alcorochel, aproveitou os fundos comunitários para construir na localidade uma estrutura balnear, com piscinas, bar, ringue desportivo e respetivos balneários. A iniciativa foi um sucesso, oferecendo ao concelho de Torres Novas o primeiro equipamento do género ao ar livre. Duas décadas passadas e várias comissões depois, a estrutura encontrava-se em franca degradação, até que no primeiro semestre do ano um conjunto de alterações de direção e a chegada de apoios camarários veio alterar as perspetivas de futuro do espaço. Abre a 24 de junho, dia de São João, com porco no espeto e um espaço completamente requalificado.
Apesar de existirem várias indicações na aldeia de Alcorochel sobre a existência e localização das piscinas, o facto é que passamos pelo edifício sem nos apercebermos da sua existência, semelhante em aspeto a uma das várias quintas e herdades que existem nesta zona do concelho. É a primeira observação que fazemos a Francisco Fazenda, atual presidente da Associação Desportiva, Recreativa, Ambiental e Cultural de Alcorochel, quando encontramos o sítio, já uns quantos desvios depois. Falta informação no local a informar o viajante desconhecido que chegou ao destino, necessidade que o próprio reconhece e indica ser uma das discussões desta nova direção.

Aberto o portão, entramos para um espaço amplo e verdejante que faz lembrar uma daquelas quintas características, destinadas a casamentos e festas. A relva, alerta Francisco Fazenda, foi colocada há poucos dias. O espaço estava em terra batida e optou-se por esta solução para dar condições adequadas aos veranistas. Esse foi o primeiro de um conjunto de mudanças que vai permitir dar uma nova vida às piscinas de Alcorochel, procurando-se que recupere o fulgor e atratividade dos seus primeiros tempos.
Mas o que se está a passar com o espaço? O primeiro episódio desta história remonta à reunião camarária de 6 de junho, onde foi aprovado um apoio à associação, de 15 mil euros, destinado à manutenção das piscinas para esta época balnear. “Fiquei super desiludido com o que vi. Muito abandonadas, a precisar de uma intervenção rápida”, referiu na ocasião o presidente, Pedro Ferreira. A vereadora Ana Filipa Rodrigues (CDU) questionou o presidente sobre o porquê de se atribuir agora este subsídio, quando não foi prestado à anterior direção da associação, apesar do ofício enviado. Pedro Ferreira afirmaria desconhecer tal ofício.

Para Francisco Fazenda a história começa porém há 20 anos, quando se começaram a empreender esforços para criar o espaço. Envolvido na altura com o projeto, acompanhou o seu crescimento ao longo de alguns anos, acabando por se distanciar. Segundo narra ao mediotejo.net, a sua reentrada na associação deu-se no decorrer dos acontecimentos que marcaram os últimos seis meses da aldeia.
“A última comissão que aqui esteve tratou os dois salões e o parque de forma danosa”, argumenta. Em fevereiro, após um conjunto de mulheres que praticava aulas de ginástica ter sido impedida de usar um dos espaços, convocou-se uma assembleia geral. “Acabaram por ser destituídos” os elementos diretivos, narra Francisco Fazendo, entrando uma direção provisória, a qual integrou, oficializada apenas em maio.
O responsável aponta uma série de problemas e dívidas deixadas pela anterior comissão, mas destaca sobretudo a degradação das condições das piscinas. Em cerca de um mês a nova equipa tem procurado assim recuperar toda a estrutura, pedindo apoios à Câmara Municipal e realizando um conjunto de investimentos para que as piscinas possam abrir a 24 de junho com condições melhoradas, um bar a funcionar em pleno, com ementa de petiscos, e um ringue com um plano desportivo.

O objetivo, salienta, é ampliar o tempo de utilização do espaço para além dos meses de verão, alugando-o também para eventos e tornando-o rentável. Há ainda a perspetiva de realizar sessões temáticas que permitam dar vida à estrutura para além das 19 horas, horário de encerramento da piscina.
Vontade de trabalhar e recuperar este projeto há muita, assim como a consciência que é necessário fazer contas e assumir responsabilidades. Os dados dos últimos anos apontam para um lucro da exploração do espaço na ordem dos 6 mil euros por mês, mas a nova direção quer ultrapassar este valor e tornar o equipamento mais sustentável. Recuperar os sócios da associação, recuperar cotas, criar condições para fazer finalmente um furo de água que permita manter de forma mais económica a piscina (há duas, uma para crianças e uma grande que leva 170 mil litros de água).”Isto tem capacidades enormes”, frisa outro membro da nova direção, Aníbal Costa.
A associação tem ainda um plano que inclui realizar as Festas tradicionais de julho, a Festa da Água Pé, sessões de Fado e a passagem de ano, equacionando-se a possibilidade do espaço das piscinas poder integrar algum destes eventos, avança Francisco Fazendo. Quem quiser alugar o espaço para casamento ou outros eventos, este também se encontra disponível.
“Agora está na moda dizer: fazer as coisas com paixão”, comenta Francisco Fazenda, mas este é realmente o espírito que se está a viver entre a população que se envolveu no projeto, tentando-se captar os mais jovens para que possam ser eles a prosseguir com a associações, os seus salões e piscinas. “As pessoas que estão a intervir estão a fazê-lo com amor”, frisa, “tenho a certeza que fará sucesso”.
Mas, para já, ainda há muito a fazer até dia 24. O Bar existente foi limpo e colocado todo um tapete novo de relva em torno das piscinas. Os chuveiros antigos foram retirados e serão instalados equipamentos novos. Falta ainda todo um trabalho de limpeza das piscinas, jardinagem, vedação e recuperação de algumas estruturas e instalação de um novo toldo sobre a esplanada que vai manter esta comissão ocupada nos próximos dias.
“Queremos rentabilizar o espaço. Não queremos explorar ninguém, colocar preços caros. Queremos que as pessoas venham”, sublinha o presidente. O preçário de entrada ainda não está definido, querendo a nova comissão repensar os preços praticados e encontrar outras soluções. Haverá possivelmente, adianta o responsável, a possibilidade de dar emprego a uma pessoa durante o verão.
“Estou convencido que as pessoas vinham (nos últimos anos) porque não havia mais nada”, remata Francisco Fazenda. Agora é ir à luta e procurar fazer renascer um espaço único no concelho de Torres Novas. Dia 24 há porco no espeto e muito animação.

