A construção de uma grande suinicultura nos limites da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, promovida pela Porval – Agropecuária, S.A., também conhecida por Quinta de Caniços, foi novamente reprovada na reunião camarária de Torres Novas de quarta-feira, 6 de março. A sessão foi ainda marcada pela presença de cerca de uma dezena de moradores da Charneca de Alcorochel que se manifestaram contra o empreendimento, entregando ao município um abaixo-assinado com 175 assinaturas.
O tema já havia sido rejeitado em dezembro de 2017, mas segundo o presidente, Pedro Ferreira (PS), foi introduzida documentação ao processo, o que trouxe novamente a questão para debate em reunião camarária. A abrir os trabalhos, vários moradores da Charneca de Alcorochel contestaram a possibilidade do executivo aprovar o empreendimento que, afirmaram, se destinava a albergar 25 mil porcos e iria prejudicar a qualidade de vida na localidade com cerca de 200 moradores. Foi ainda referido que a população não estava contra a suinicultura, mas contra a localização pretendida.
O presidente da Câmara, Pedro Ferreira, remeteu a resposta para a discussão do tópico – designado “Porval – Agropecuária, S.A. – Plano de intervenção em espaço rústico (PIER) – Quinta de Caniços” – que foi votado logo no início da Ordem de Trabalhos. Na apresentação da posição da Câmara intervieram os vereadores Luís Silva, Joaquim Cabral e Carlos Ramos, dando as perspetivas dos pelouros do urbanismo, turismo e ambiente.
No geral foi lembrado que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) rejeitou o projeto da suinicultura, havendo várias reticências quanto ao mesmo, nomeadamente os seus possíveis impactos ambientais, sobretudo numa zona que é reserva da biosfera. “Não vale a pena adiar mais”, concluiu o presidente, salientando-se que não obstante a importância de novos investimentos empresariais no concelho há demasiadas condicionantes para aprovar o empreendimento. A proposta do executivo foi assim reprovar mais uma vez o projeto.
Da parte do PSD, Quaresma de Oliveira também votou contra, frisando que já há demasiados problemas no concelho com poluição para se manter a mesma atitude quanto a este tipo de iniciativas empresariais. Frisaria assim um voto de “responsabilidade” para com os munícipes.
Também a vereadora do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, reprovou o tópico, lembrando a mesma decisão de 2017. Constataria ainda que o mundo está a mudar e que a perspetiva aponta para uma redução de consumo de carne a longo prazo, pelo que uma nova suinicultura no concelho não seria propriamente um investimento para a região.
Reprovado por unanimidade, o tópico recebeu uma salva de palmas e agradecimentos dos moradores presentes.
