Munícipe denuncia alegada "inoperância" dos serviços sociais após situação de despejo. Foto arquivo

Uma intervenção de um munícipe na última reunião do executivo da Câmara Municipal de Torres Novas ficou marcada por duras críticas à atuação dos serviços sociais do município, na sequência de uma situação de despejo que envolveu o próprio e a mãe, de 70 anos.

Perante o executivo, o cidadão afirmou que decidiu expor publicamente o caso por considerar que a situação poderá afetar outras pessoas. “Eu venho aqui expor um problema, não só pessoal, por revelar outros problemas que podem afetar qualquer munícipe aqui presente”, começou por dizer, classificando a situação como um caso de “inoperância de serviços”.

Segundo o munícipe, após terem ficado sem habitação na sequência de um despejo de uma casa particular, a família viu-se envolvida num impasse entre diferentes entidades públicas.

“A parte social desses serviços é completamente inoperacional”, afirmou, acrescentando que os serviços municipais o encaminharam para o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), enquanto este organismo remetia novamente a situação para a Câmara Municipal.

“O Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana responde: ‘Não é connosco, é com a Câmara’. E o que é que a Câmara responde aos serviços sociais? ‘Concorra ao Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana'”, referiu, considerando que esta situação criou “uma máquina de Estado contra uma senhora de 70 anos”.

Munícipe denuncia alegada “inoperância” dos serviços sociais após situação de despejo
ÁUDIO | Munícipe denuncia alegada inoperância dos serviços sociais em reunião do executivo

O cidadão denunciou ainda alegadas incorreções nos registos existentes junto do IHRU. Segundo afirmou, a família surge identificada “como tendo habitação própria, como nunca tendo pago qualquer renda e como nunca tendo tido qualquer despejo”.

Durante a sua intervenção, o munícipe criticou também a atuação dos serviços no próprio dia do despejo, alegando que saiu da habitação sem os aparelhos auditivos de que necessita devido a uma deficiência auditiva.

“A parte social sabia e estava lá no dia do despejo”, afirmou, acrescentando que os serviços “deixaram uma pessoa com uma deficiência ir embora sem levar as próteses”.

Questionado pelo vereador do PSD, Tiago Ferreira, o cidadão explicou que se encontra atualmente, juntamente com a mãe, alojado numa habitação provisória disponibilizada pelo município.

Ainda assim, descreveu as condições como insuficientes, afirmando que “não dá para fazer comida”, que não existe contrato de arrendamento e que não dispõem de alguns serviços básicos.

ÁUDIO | O munícipe está atualmente numa habitação da CMTN

Apesar das críticas, reconheceu a intervenção direta da vereadora com o pelouro da ação social. “Só temos isto porque a vereadora Elvira teve que pessoalmente resolver, porque na parte social não trabalharam”, acrescentou.

Na resposta, a vereadora Elvira Sequeira (PS) reconheceu que a habitação constitui atualmente um dos principais desafios sociais do concelho. “Temos tido alguns problemas com algumas pessoas que estão fragilizadas por não terem habitação. É um problema sério também em Torres Novas”, afirmou.

A autarca esclareceu que a situação em causa resultou de “uma questão privada”, uma vez que a habitação de onde a família foi despejada “não era do município”. Sublinhou ainda que a Câmara não dispõe atualmente de habitações suficientes para responder a todas as necessidades existentes.

Elvira Sequeira, vereadora na CMTN. Foto: DR

“Neste momento também não temos habitação disponível para resolver problemas”, disse, acrescentando, contudo, que o munícipe e a mãe se encontram “numa habitação que era de emergência”, apesar de a mesma apresentar algumas limitações.

“E tudo foi feito do lado dos serviços da ação social para que não ficassem na rua”, garantiu Elvira Sequeira.

A vereadora defendeu ainda o trabalho desenvolvido pelos técnicos municipais, afirmando que “as nossas técnicas têm feito um esforço tremendo para que estes problemas não fiquem sem solução”.

Segundo explicou, o município tem recorrido a diferentes respostas de emergência, incluindo o pagamento de estadias em unidades hoteleiras e o apoio ao arrendamento.

ÁUDIO | Elvira Sequeira, vereadora na CMTN

“Temos a possibilidade de pagar os primeiros três meses de renda e ainda dar caução. Nós fazemos o nosso trabalho para que as pessoas não fiquem sem teto”, afirmou.

Elvira Sequeira assegurou igualmente que, até ao momento, não existem pessoas em situação de sem-abrigo no concelho. “Em Torres Novas não há sem-abrigo, não há pessoas sem abrigo. Até agora esperemos que não venha a acontecer, porque nós tudo faremos para que isso também não aconteça”, afirmou.

A responsável pelo pelouro da ação social referiu ainda que o município está a desenvolver projetos de construção e reabilitação habitacional, numa tentativa de reforçar a resposta disponível.

“Vamos tentar resolver esse problema também de forma séria e construindo. Temos alguma habitação a ser construída, temos outra a ser reabilitada”, concluiu.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

Leave a Reply