Faleceu a 20 de março o “Amarelo”, o cão vadio que era já uma figura característica da aldeia de Lapas, no concelho de Torres Novas. Quase um mês depois do seu desaparecimento, a Associação Protetora dos Animais (APA) de Torres Novas lembra a história do “Amarelo”, em jeito de homenagem, num post nas redes sociais que se tornou viral.
“O Amarelo era um cão que vivia pelas ruelas das Lapas, acarinhado por grande parte da população e muito estimado na aldeia. Passava grande parte dos dias a apanhar sol, perto do rio ou no largo do poço. Dormia muitas vezes no sótão da D. Hermínia Fernanda, que cuidava dele. Às vezes, como conta o Sr. Helder Duque, “cheguei a levantar-me de madrugada, à chuva, para lhe abrir o portão e ele entrar” para dormir abrigado. Não era abandonado. Era livre!”, recorda a instituição.
O “Amarelo” era uma presença constante inclusive nos momentos solenes da vida da comunidade. “Ia a todos os funerais. Assim que tocava o sino, ia direito à igreja e por lá ficava até acompanhar o corpo ao cemitério. Em nome da verdade, o Amarelo não ia a todos os funerais: faltou a dois. De duas pessoas que, algures, o trataram mal”.
“O Amarelo partiu, já com uma certa idade, mas deixou a sua marca nas Lapas. Prova disso foram algumas das reacções dos habitantes após a sua morte: “Paz à sua alma”, “Vai deixar saudades”, “Seria interessante fazer-lhe uma homenagem”, “Deus o guarde num cantinho muito especial”, “Existem animais melhores que muitos seres humanos”, “Deixa boas recordações”, “Lapas irá sentir a sua falta”, “Os animais são os amigos mais sinceros”, “Impressionante e comovente lição para os humanos”, “Fantástico, muito enternecedor” ou “Descansa em Paz Amarelo” foram algumas das palavras escritas pelos populares e que reflectem o amor que existia pelo Amarelo”, continua.
A APA destaca que quer lembrar a história do “Amarelo” porque “em cada animal há um poço de amor para dar, há um ser incrível para nos ensinar o verdadeiro significado de amizade, existe uma vida que vale a pena estimar e considerar”.

Sem o ter conhecido, ao ler a história revi a vida do “amarelo” e a sua importância à população das Lapas.