“Tudo aponta de uma forma quase e absolutamente inequívoca que, dentro de dias, teremos mais 600 e muitos novos agentes (…) que aqui entrarão para, no final do ano, os termos a trabalhar”, afirmou Luís Neves à Lusa, à margem da cerimónia de encerramento do 21.º Curso de Formação de Agentes da PSP que decorreu hoje na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas.
O governante disse esperar que a PSP passe a ter “dois cursos por ano”, algo que considerou inédito “em mais de década e meia”, estando já previsto para junho o arranque de um novo curso de formação com 683 candidatos, depois de a corporação não ter conseguido preencher as 800 vagas previstas.
“Tudo o que estiver ao alcance do Governo, tudo faremos para que haja dois cursos por ano”, assegurou.
A cerimónia marcou o final da formação de 570 novos agentes da PSP, dos quais 360 vão reforçar a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), responsável pelo controlo de fronteiras nos aeroportos portugueses, enquanto os restantes 210 serão colocados no Comando Metropolitano de Lisboa.




Segundo Luís Neves, os agentes destinados à UNEF iniciam agora formação especializada e estarão ao serviço a partir de 03 de julho, integrando o plano de contingência da PSP para o verão destinado a reduzir as filas de passageiros provenientes de fora do espaço Schengen.
“São 360 jovens, cheios de vontade e cheios de garra, que agora vão entrar em formação especializada”, afirmou.

ÁUDIO | LUÍS NEVES, MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA:
Segundo dados da PSP, 150 destes agentes serão colocados no aeroporto de Lisboa, 90 no Porto, 70 em Faro, 30 nos Açores e 20 na Madeira.
O ministro reconheceu os problemas registados nos aeroportos, sobretudo nas filas de controlo de fronteiras, mas considerou que a situação deverá melhorar nos próximos meses.
“Estamos a encontrar caminhos, todos os dias, para que a operação aeroportuária seja cada vez de melhor qualidade e de maior celeridade”, disse, tendo feito notar que o aumento do fluxo de passageiros agravou a pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias.
“Em 10 anos a entrada de passageiros no país subiu 65%, as instalações são as mesmas”, afirmou, acrescentando que o problema não pode ser imputado apenas à PSP.

O governante referiu ainda melhorias tecnológicas e obras em curso no aeroporto de Lisboa, além de alterações operacionais em Faro, aeroporto que visitou na quarta-feira.
“Nós vamos melhorar substancialmente aquilo que se passa nos nossos aeroportos”, garantiu.




O ministro acusou também alguma “manipulação de imagens” divulgadas sobre as filas nos aeroportos.
“Há imagens que saíram esta semana, dando conta que estamos a falar de horas, e nós fomos fazer o nosso trabalho, e houve, nos momentos em que foram publicitados, nem a uma hora chegou”, declarou.
Luís Neves admitiu que a PSP enfrenta um défice de meios humanos, situação que atribuiu à falta de investimento acumulada ao longo dos anos.
“Chegámos a este momento de grande défice de meios humanos, nas várias valências”, afirmou.
Segundo o governante, o equilíbrio entre entradas e saídas de efetivos poderá demorar “dois, três, quatro anos” de cursos sucessivos.




O ministro defendeu também a necessidade de tornar mais atrativa a profissão policial, admitindo que a PSP enfrenta dificuldades de recrutamento num contexto de “pleno emprego”.
“Nós temos que encontrar condições que dignifiquem e que voltem a ser atrativas as condições de ingresso na Polícia de Segurança Pública e é nisso que nós estamos a trabalhar”, afirmou.
Luís Neves anunciou ainda que o Governo vai reunir-se na próxima segunda-feira com sindicatos e associações profissionais da PSP e da GNR para discutir melhorias das condições de trabalho e remuneratórias.
“Vamos encetar de facto uma discussão relativamente àquilo que é possível melhorar as condições individuais e coletivas das pessoas”, disse, manifestando-se “profundamente otimista” quanto à evolução da situação da PSP.

O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, afirmou no discurso da cerimónia que o ingresso dos 570 novos agentes, 85 dos quais são mulheres, representa “um reforço muito relevante da capacidade operacional da PSP” e “um passo importante” na estratégia de recursos humanos da instituição para 2025-2035.
Segundo Luís Carrilho, 360 dos novos agentes serão colocados na UNEF para reforçar “o controlo de fronteiras, a segurança aeroportuária e a gestão dos fluxos internacionais de passageiros”.
O diretor nacional salientou ainda que a PSP pretende reforçar o recrutamento, a formação, a valorização profissional e a modernização da polícia para responder aos “desafios cada vez mais exigentes e complexos” na área da segurança.

Numa manhã de muito sol e calor e com largas centenas de amigos e familiares dos novos agentes a assistir à cerimónia, a organização teve o cuidado da cerimónia manter a sua dignidade protocolar mas encurtada no tempo, tendo demorado cerca de uma hora.
Dirigindo-se aos familiares, quer no início, para agradecer a sua presença, quer no final da cerimónia, o ministro Luís Neves, num registo descontraído, cumprimentou, conversou e deixou-se fotografar com muitas crianças e familiares dos novos agentes da PSP.
c/LUSA
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