Um grupo de 17 pessoas encontra-se a caminho de França para participar nas cerimónias dos 100 anos da batalha de La Lys. Trata-se da memória da maior derrota militar portuguesa depois de Alcácer-Quibir, numa ofensiva alemã à frente dos Aliados já na fase final da I Guerra Mundial. Cinco descendentes dos combatentes torrejanos vão prestar a sua homenagem aos cerca de 1800 mortos no cemitério português de Richebourg.
O programa tem início no sábado, 7 de abril. Um grupo de 15 pessoas saiu esta sexta-feira, dia 6, de Torres Novas de autocarro, devendo encontrar-se no sábado com o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, já em França, que segue nesse dia de avião. A chegada a Rambouillet, município geminado com Torres Novas, está prevista para as 15h00. Pelas 19h0 há uma receção oficial naquela Câmara Municipal.
No domingo, dia 8, decorre uma visita a Rambouillet pela manhã, com uma receção às 14h30 na Câmara Municipal de Paris, com posterior visita ao Hotel de Ville. Pelas 17h00 há um descerramento de uma placa na Avenue des Portugais, em Paris. Às 18h00 decorre uma homenagem ao Soldado Desconhecido no Arco do Triunfo.
Na segunda-feira, dia 9, celebra-se o centenário da batalha de La Lys. A comitiva dirige-se para a zona de Flandres, por forma a participar na homenagem no Cemitério Militar Português de Richebourg.
Estas cerimónias estão envoltas num grande dispositivo de segurança, uma vez que estarão presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Primeiro Ministro, António Costa, e o Presidente da República de França, Emmanuel Macron.
Pelas 14h15 há uma nova homenagem em La Couture, em frente ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra. Na cerimónia serão depositadas três coroas de flores das Autoridades Portuguesas e Francesas.

O mediotejo.net encontra-se a acompanhar a viagem, na sequência de uma solicitação à Embaixada de Portugal em França. A comitiva torrejana contém também elementos do núcleo de Torres Novas da Liga dos Combatentes.
O Corpo Expedicionário Português (CEP) chegou à região de Flandres a 30 de janeiro de 1917. Um treino na centro de instrução de Tancos havia tentado preparar os soldados portugueses para a guerra. Porém as tropas, constituídas por população rural e analfabeta, muitos doentes, com fardamento impróprio e desconhecedora dos motivos da guerra, encontravam-se desmotivadas e sem as condições.
A 9 de abril de 1918, uma ofensiva desesperada alemã infligiu o maior golpe ao contingente. Dos 20 mil soldados que se encontravam nas linhas das trincheiras, terão morrido, entre várias fontes, cerca de um milhar e sido aprisionados 7 mil, para além dos desaparecidos e cerca de 4 mil feridos. Outros estudos apontam para apenas 400 mortos e cerca de 6 mil prisioneiros. Entre 1914-1918, período da I Guerra Mundial, morreram em território francês cerca de 2 mil pessoas.
Não obstante as grandes perdas de La Lys e de França no geral, os portugueses travaram uma guerra ainda mais sangrenta nas colónias africanas durante a Grande Guerra.
