Torres Novas mantém estradas cortadas e alerta para risco de transbordo do Almonda. Foto ilustrativa: Lusa

O concelho de Torres Novas mantém várias estradas submersas ou cortadas por aluimentos de terras e persiste em alerta para o risco de cheias, devido ao aumento do caudal do rio Almonda e de afluentes como a ribeira do Alvorão, disse hoje o presidente da câmara.

“Temos tido problemas ao nível da circulação de algumas estradas, umas submersas, e assim se prevê que venham a continuar alguns dias, outras por aluimentos de terras, que vão reabrindo à medida que as equipas procedem à limpeza”, afirmou José Trincão Marques.

Segundo o autarca, ao nível do fornecimento de eletricidade a situação está já normalizada na localidade da Barroca, mas persistem falhas em Assentis, onde se mantêm no terreno equipas da E-Redes e da Proteção Civil municipal, prevendo-se a reposição nas próximas horas.

O município está também a apoiar moradores na proteção de habitações danificadas, ajudando a cobrir telhados e paredes expostas, enquanto aguarda a chegada de materiais sinalizados ao Governo como necessários para apoio às populações.

José Trincão Marques destacou o trabalho articulado da proteção civil municipal, bombeiros, forças de segurança, equipas municipais e presidentes de junta de freguesia, sublinhando a “competência enorme na defesa dos interesses das populações”.

A principal preocupação nas próximas horas, indicou, prende-se com o agravamento das condições meteorológicas, com previsão de chuva persistente e vento forte, num contexto em que os solos se encontram saturados.

“A infiltração das águas nas terras está a atingir um ponto de saturação, o que implica o deslizamento de barreiras. Temos tido muitas situações dessas e também casas mais antigas que têm sofrido derrocadas de paredes e muros”, referiu.

O autarca alertou ainda para constrangimentos nas comunicações, com falhas pontuais de internet em várias zonas do concelho, situação que “isola as pessoas”, estando o município a acompanhar a resolução junto dos operadores.

ÁUDIO | JOSÉ TRINCÃO MARQUES, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS:

De acordo com o ponto de situação divulgado às 17:00 pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, mantêm-se cortadas várias vias, nomeadamente o caminho municipal entre Ribeira Branca e Porto Carneiro (Zibreira) e Casal da Pinheira, que se encontra submerso, o cruzamento da Rua da Fonte com a rua principal, na Rexaldia, a EM 570 junto à Vala das Cordas e os acessos ao Paúl do Boquilobo, o Moinho da Cova, a EM 557-3 entre Zibreira e Liteiros e a Rua da Salvada, nas Lapas.

Segundo o mesmo comunicado, o risco de inundação e cheias mantém-se elevado devido aos solos encharcados e à previsão de precipitação persistente nas próximas horas.

Questionado sobre o facto de enfrentar esta situação nos primeiros meses de mandato, José Trincão Marques afirmou que “estas coisas não se escolhem” e que a prioridade tem sido reorganizar os serviços municipais para dar resposta às necessidades mais urgentes da população.

O presidente da câmara deixou ainda um apelo à comunidade: “uma mensagem de solidariedade e de disponibilidade do município para apoiar todos os munícipes que necessitem” e um pedido de precaução face ao agravamento esperado do estado do tempo nos próximos dias.

Portugal enfrenta hoje a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a necessitar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que provocaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.

No Médio Tejo, os efeitos da depressão Kristin continuam a ser sentidos, sobretudo em Ourém e Ferreira do Zêzere, com muitos consumidores ainda sem eletricidade e centenas de telhados destruídos um pouco por toda a região, com apoios a chegarem de muitas partes do país.

Tendo em conta as previsões meteorológicas, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou na terça-feira o estado de prontidão para o nível especial 4, o mais elevado, com 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível.

O comandante nacional, Mário Silvestre, alertou que a situação meteorológica para os próximos dias será “muito complexa” e apelou à população para atenção redobrada a chuva intensa, vento forte, agitação marítima e possibilidade de neve, destacando o risco elevado de inundações urbanas e saída de rios dos leitos normais, sobretudo nas bacias do Douro, Vouga, Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado.

No distrito de Santarém, cerca de seis dezenas de vias permanecem submersas ou condicionadas devido às cheias, incluindo estradas principais e secundárias, pontes e acessos ribeirinhos.

A Proteção Civil alerta para que a população não atravesse locais alagados, salvaguarde bens e animais e siga todas as recomendações de segurança.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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