Após falarem com a Câmara e direção do Agrupamento escolar, mães decidiram assumir provisoriamente o tempo das auxiliares do Centro Escolar de Olaia-Paço Foto: D.R.

Um conjunto de pais de alunos do Centro Escolar de Olaia e Paço, em Lamarosa, fechou a escola a cadeado na manhã de segunda-feira, 6 de novembro, situação que acabou por motivar a intervenção da GNR. Atualmente só há duas auxiliares a tomar conta de 57 alunos, o que gerou o descontentamento dos pais. Após uma reunião com a Câmara de Torres Novas e o Agrupamento de Escolas Gil Paes, algumas mães decidiram ajudar na vigilância das crianças enquanto não se resolvesse o problema de falta de auxiliares. Já a Câmara de Torres Novas admite que se vive um pico invulgar de pedidos de baixa médica, num total de 26 auxiliares.

Não há associação de pais, pelo que o mediotejo.net contactou uma das mães presentes no encerramento da escola, Iolanda Santos. “Aquilo era para ser uma manifestação silenciosa”, adiantou a encarregada de educação, encerrando-se a escola a cadeado como protesto pela falta de condições de apoio aos filhos (pré-escolar e 1ºciclo). Porém as coisas acabaram por agitar-se e apareceu a GNR.

Segundo Iolanda Santos, a falta de auxiliares é um problema que se vem arrastando. Uma das cinco funcionárias está de baixa há cerca de um ano e as restantes também terão tido problemas de saúde. A situação resultou em que ficassem apenas duas auxiliares para vigiar 57 alunos. “Isto não é normal”, constatou.

Face à exaltação dos ânimos em Lamarosa, o diretor do Agrupamento de Escolas Gil Paes, Paulo Renato, e o vereador com o pelouro da Educação, Joaquim Cabral, dirigiram-se à escola e estiveram a reunir-se com algumas das mães. Do encontro ficou a promessa de ser transferida para a escola uma nova funcionária, tendo-se uma mãe disponibilizado para ajudar no serviço enquanto não são colocadas mais funcionárias.

Segundo Iolanda Santos, no total serão já quatro as mães que de alguma forma vão prestar apoio às duas auxiliares da escola. A encarregada de educação admite-se porém desiludida com a solução encontrada.

A falta de assistentes operacionais nas escolas de Torres Novas tem sido um questão recorrente, já levada à discussão em reuniões de câmara e assembleias municipais pelos partidos da oposição. Na reunião camarária de 18 de outubro abordou-se o facto do Centro Escolar de Assentis-Chancelaria ter começado a fechar mais cedo, pelas 15h00, devido à falta de pessoal auxiliar para assegurar as atividades complementares.

Na ocasião, o vereador Luís Silva explicou que, no espaço de “poucos dias”, três assistentes operacionais haviam metido baixa médica e uma outra rescindido o contrato. Adiantou assim que a Câmara Municipal estava a tentar, junto do respetivo agrupamento, que fossem deslocados funcionários para aquela escola, e que brevemente se pretendia abrir concurso para contratar assistentes operacionais.

Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, admitiu que se vive um pico de pedidos por baixa médica, estando atualmente 26 auxiliares das escolas do concelho sem exercer funções. “Isto também foi um pico fora do vulgar”, constatou o presidente, que adiantou que o município se prepara para ir buscar novas funcionárias à mobilidade e propor a abertura de concurso para mais 17 assistentes operacionais, ainda este mês de novembro.

O autarca salientou porém que os processos não estão fáceis, “a legislação também não nos permite ir buscar assim pessoas”, sendo que os concursos têm quer ser aprovados em Câmara, em Assembleia e depois ainda há um prazo legal a cumprir. Por tal, novos funcionários, por meio de concurso público, só deverão estar disponíveis no primeiro trimestre de 2018. Até lá espera-se que quem entrou de baixa tenha possibilidade de regressar ao trabalho.

“A situação preocupa-nos”, frisou, referindo que se tem procurado resolver os problemas com algum diálogo. Para já “a situação está controlada”.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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