“Dizendo a verdade, combatendo o erro”. Foi parafraseando Santo Agostinho que o quase centenário jornal “O Almonda” apresentou no sábado, 9 de setembro, um novo grafismo e uma nova linha editorial, que pretende atualizar o periódico torrejano. Foi ainda criado um site e uma página de facebook. O semanário quer-se “mais leve”, mais rápido, com uma aposta nas crónicas e no jornalismo por excelência, nomeadamente o crítico. Durante a sessão foram também homenageadas algumas das figuras que fizeram parte da história do jornal.

Em 2018 o jornal “O Almonda” completará 100 anos. Pertence à Progresso e Vida – Empresa tipográfica e jornalística, detentora também do jornal diocesano “Portal do Sol” e da Gráfica Almondina, que é por si propriedade da diocese de Santarém. A renovação da imagem e da linha editorial acompanha a chegada do novo diretor, o Padre Durval Baranowske, cidadão brasileiro de 40 anos formado em jornalismo pela Universidade de São Paulo e já com carreira na comunicação social.
No sábado, uma cerimónia no Castelo de Torres Novas, com larga presença de representantes das várias entidades torrejanas, festejou a história quase centenária do periódico e a renovação que confere ao jornal uma nova imagem e o traz de forma mais presente para o mundo digital. Foram ainda homenageados Joaquim Canais Rocha, jornalista histórico do semanário, atualmente com 82 anos; Eduardo Bento, ex-diretor, tendo dirigido o jornal durante o PREC; Maria Helena Inês, professora e colaboradora; D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém e também colaborador.
“O Almonda está em vésperas de celebrar o seu centenário e adquiriu ao longo do seu percurso uma credibilidade sólida”, começou por afirmar na sua intervenção D.Manuel Pelino. “A história e a larga memória é uma mais valia, um apoio para fazer caminho, mas não chega. Um jornal não pode viver agarrado ao passado”, referiu, “o que caracteriza um jornal (…) é a atualidade, é estar em dia. E notei também essa preocupação no atual diretor, que tem preparação e sensibilidade de jornalista. De facto logo sentiu a urgência de renovar a imagem, o conteúdo e a implantação do periódico. (…) Começou cedo a sonhar com novos caminhos”.
“Os meios de comunicação social exercem atualmente uma vasta influência, são instrumentos poderosos de informação, de cultura, de divertimento e de educação. Apresentam também riscos”, destacou o sacerdote, nomeadamente o sensacionalismo. “Estes riscos e tentações tornam ainda mais importante uma voz livre e atenta ao bem comum e à verdade. É a missão de um jornal de matriz cristã”, referiu.
O Bispo de Santarém admitiu que o setor não está fácil e que existe muita concorrência e mais sedutora. Mas “continua a ver espaço e necessidade para a comunicação escrita. O Almonda precisa de conquistar o seu próprio lugar”. Há ainda o problema da sustentabilidade, uma desafio que terá que ser travado, reconheceu.

Já o Padre Durval reconheceu que quando o desafiaram para dirigir “O Almonda” achou que ia ao encontro de um “jornal velho”. Mas “fui estudar o jornal e encontrei o nome do Padre Maia dos Santos. Esse homem deu a vida pelo O Almonda”, referiu. “Toda a gente lia O Almonda por causa do Padre Maia”, lembrou, clérigo que chegou a ser expulso de Torres Novas por causa do que escrevia. “Nunca deixou de lutar pela verdade, combater o erro”. “Maia mostrou para mim que Torres Novas pode fazer um jornal”, declarou, destacando que este “novo” Almonda não nasce de repente, ele nasce da história do jornal.
“O Almonda” passa também a ter uma presença online mais ativa, com um site e uma página de facebook. Segundo adiantou o Padre Durval ao mediotejo.net, o objetivo é o jornal “primar pela rapidez” e por um jornalismo crítico.
