Joaquim Piedade Venâncio, 86 anos, integrou os vários executivos municipais de Torres Novas desde o 25 de abril até aos inícios dos anos 90, tendo sido vice-presidente. Natural de Brogueira, este professor da instrução primária acabaria por trocar a docência pela vida autárquica. No domingo, 18 de fevereiro, apresentou na sua terra natal um livro de memórias da sua juventude, centrado maioritariamente pelos anos antes da revolução. O tempo de uma Brogueira que já quase não existe.
A sede da junta de freguesia de Brogueira, na união de freguesias de Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel, encheu no domingo ao fim da tarde para a apresentação da obra “Brogueira e não só”, as memórias de Joaquim Piedade Venâncio. Conforme foi mencionado na ocasião, estiveram presentes autarcas que representam os últimos cinquenta anos da vida torrejana, nomeadamente o ex-presidente da Câmara, Casimiro Pereira, do qual Joaquim Piedade Venâncio foi vice-presidente.
“É um cidadão que eu considero exemplar, um homem de valor, de princípios, que não anda ao sabor do vento”, salientou Casimiro Pereira, referindo a sua entrega à causa pública. “É o mestre”, frisou também, lembrando de seguida a sua carreira na docência.
O retrato de época da Brogueira foi elogiado pelo ex-presidente, lamentando que não haja mais iniciativas similares pelo concelho. O mesmo repto foi deixado pelo atual presidente da Câmara, Pedro Ferreira, manifestando o seu apoio ao trabalho de Joaquim Piedade Venâncio. “Que tenha muitos anos a escrever”, afirmou, recordando os anos de amizade com o ex-autarca.

Após a curta apresentação seguiram-se os muitos autógrafos, com o valor da venda dos livros a ser totalmente revertido para a requalificação da Igreja de Brogueira.
Joaquim Piedade Venâncio tem 86 anos e fez parte da vida torrejana no pós-25 de abril. Natural de Brogueira, onde passou a infância, viveu vários anos em Lisboa após ter completado o magistério primário. Nos anos 60 voltou para o Ribatejo, onde deu aulas em Ulme, Alpiarça e, por fim, em Torres Novas.
Foi nessa época, recordou ao mediotejo.net, que viria a ser convidado para vereador, ainda antes da revolução. “Fui convidado porque havia sempre na Câmara um professor”, explicou, frisando que “não tinha nada a ver com as politiquices do tempos”. Assim nas primeiras eleições autárquicas, em 1976, concorreu efetivamente, tendo aderido ao Partido Social Democrata. Esteve na vice-presidência durante três mandatos consecutivos, acompanhando Casimiro Pereira, retirando-se da vida política em 1992, quando se reformou.
Pelo caminho acabaria por deixar o ensino, que foi a sua verdadeira paixão. “A minha vida foi passada entre a escola e a Câmara Municipal”, recordou, frisando que para se ser professor é essencial gostar de crianças. Mas “tive uma vida política muito ativa, cheguei a candidatar-me a deputado”, pelo que acabou por fazer essa opção. “Hoje sou um autarca aposentado”, constatou.

Recorda que no seu tempo havia mais agressividade na vida política, apercebendo-se que hoje há mais diálogo. Do estado no ensino não fala muito, apenas sorri e comenta que está “muito diferente”. “A coisa mais importante é gostarmos de crianças”, torna a salientar.
Na sequência da reforma, recuperou a casa dos avós que possuía na Brogueira e veio viver para a localidade. Escreveu as memórias “por gostar” da sua aldeia. Nos anos 60, lembrou, havia uma vida social intensa. Cerca de uma dezena de mercearias, tabernas, vários lagares de azeite, três alfaiates e sapateiros, alguns com pessoal empregado. “Era uma terra com muitas funções”, salientou. Escreveu assim um livro em recordação das muitas amizades que foi realizando. “Sempre tive uma vida muito cheia”.
Tem outro na calha, a que deu o título “Autarcas e Autarquias”, mas não sabe se chegará a publicar. A ideia é relatar agora as suas memórias da vida pública, confessou.
