A Câmara Municipal de Torres Novas apresentou esta quinta-feira, 26 de janeiro, os seis estudos prévios dos projetos aprovados em sede de Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU). No total serão investidos no centro histórico de Torres Novas 7.3783412 euros, na recuperação da envolvente do rio Almonda, Prédio do Alvarenga, Central do Caldeirão, Nogueiral, acessos ao Castelo e ainda várias ruas da cidade. Há também uma linha de crédito disponível para reabilitar edifícios privados (500 mil euros). No geral vão nascer jardins, espaços culturais, de restauração e para start ups. O acesso ao Castelo, que tem previsto a construção de um grande elevador, promete ser a obra mais polémica, já contestada pela CDU.
“A candidatura teve uma excelente recetividade”, comentou o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, referindo que obteve a nota máxima. Como a obra do Convento do Carmo foi concluída até final de 2016 (15% de concretização do PEDU), o município teve direito a uma majoração de 10% (450 mil euros). Assim, do total de 7 milhões de investimento, o município suporta 15% e o Fundo FEDER os restantes 85%, até 2020.

Este plano tem duas fases (5,8 milhões de euros na primeira e 1,5 milhões na segunda), prevendo-se ações de regeneração urbana em zonas de lazer e em edifícios degradados e intervenções no acesso ao Castelo.Vão ainda ser reabilitadas uma centena de habitações sociais de um bairro situado no centro histórico. “Foram três grandes temas”, frisou Pedro Ferreira: cidade para todos (melhorando acessibilidades), cidade do Almonda (apostando-se na envolvente do rio) e cidade da cultura (valorizando-se o património edificado).
Há seis estudos prévios que podem receber sugestões da população até 16 de fevereiro, disponíveis para consulta e formulário na página www.pedu.cm-torresnovas.pt. O primeiro é o da envolvente do Parque Almonda (o terreno abandonado adjacente), que contempla uma ampla requalificação, ajardinamento e acessos para o centro histórico, para além de uma zona de recreio e lazer.
Segue-se a reabilitação do Nogueiral, obra que se desenvolverá na sequência da ampliação do quartel dos Bombeiros Voluntários Torrejanos, aumentando-se a área pedonal da Avenida Dr. João Martins de Azevedo e retirando-se boa parte do estacionamento junto ao Teatro Virgínia, que passará para uma rua lateral. O velho laranjal junto aos Bombeiros deverá transformar-se numa Praça, com várias recuperações ainda junto ao rio, criando-se um percurso pedestre na marginal e um anfiteatro a céu aberto.

A Central do Caldeirão deverá transformar-se num centro cultural, com espaço para nascimento de start ups e outras iniciativas no âmbito do empreendedorismo, área de restauração, sala de exposições e sala de espetáculos. A requalificação prevê ainda criar uma esplanada, derrubando-se os muros de vedação e abrindo-se a área envolvente.
Recuperação semelhante está prevista para o prédio do Alvarenga, também destinado a um espaço cultural e multiusos, restauração e alojamento. Na rua António César Vasconcelos Correia e largo do Salvador está prevista uma intervenção que melhore o estacionamento e circulação, além da musealização do terreiro e ruínas da Igreja de Santa Maria do Castelo.
Mas a obra mais polémica centra-se nas acessibilidades ao Castelo de Torres Novas, que contempla a construção de um elevador, forrado a madeira, a partir da zona da Igreja de Santa Maria. Segundo o arquiteto, Gonçalo Byrne, a obra “não pretende competir com as torres” do Castelo, embora apresente certa envergadura. “Se fosse em vidro era mais agressivo, a ideia é uma estrutura ligeira”, explicou. Esta obra tem ainda prevista uma rampa e uma escadaria, em pontos diferentes da envolvente.
Este estudo prévio motivou uma “carta aberta” da CDU, enviada às redações na quarta-feira, 25 de janeiro, pela vereadora Ana Filipa Rodrigues. A autarca pede um “projeto alternativo” ao que é proposto, por considerar que “não dignifica” aquele monumento e “não corresponde às expectativas que a população tem para aquele espaço”.
Ao mediotejo.net Pedro Ferreira esclareceu que, nesta fase, ainda nada é definitivo, mas que há regras a cumprir no que toca a acessibilidades aos Castelos, estando os arquitetos a apresentar as sugestões que entendem ser as mais adequadas. “Obras são sempre discutíveis”, constatou, salientando que essa discussão é “salutar”.

realmente faz mesmo falta ali é um “mamarracho” em frente ao castelo! … (podiam ser um bocadinho mais criativos ! afinal nestas obras qual é a diferença de mais milhão menos milhão, em prol da imagem original … e em detrimento do mau gosto)