Autarquia de Torres Novas adjudicou empreitada para requalificação da Central do Caldeirão e áreas exteriores por 1,5 milhão de euros. Foto: CM TN

Em Torres Novas, terá lugar no dia 1 de maio, às 10h30, a inauguração e visita ao núcleo museológico da Central do Caldeirão e ao trabalho de requalificação patrimonial do moinho e lagar do Caldeirão. Este novo núcleo resulta da recuperação da antiga Central Hidroelétrica, responsável pela produção e distribuição de energia elétrica, em Torres Novas, desde as primeiras décadas do século XX.

A coleção de arqueologia industrial original foi intervencionada e recuperada, constituindo agora um repositório de memórias da vila operária de Torres Novas. Para este trabalho, contou-se com os testemunhos dos antigos funcionários da Central e foram salvaguardadas as características arquitetónicas do edifício, bem como a recuperação de maquinaria existente.

O edifício tem ainda condições para acolher ações culturais e de dinamização social e económica, incluindo um restaurante, um espaço multiusos para espetáculos, serviços e jardim exterior com vista para a tarambola.

A Central do Caldeirão foi responsável pelo processo de produção e distribuição da iluminação pública de Torres Novas. Na sua fase inicial, 1923-1932, este processo foi protagonizado por José Manuel Ferreira [Júnior] (1874-1948), natural do concelho de Famalicão, que negociou e adquiriu as primeiras turbinas.

Numa segunda fase, 1933-1953, a empresa constituiu-se como sociedade por quotas e passou a designar-se Empresa Industrial de Electricidade do Almonda (EIEA), ganhando a concessão de fornecimento de energia elétrica no concelho de Torres Novas. Durante este período, foi inaugurado o novo edifício da central (1940), pelo arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior, tendo a gestão ficado a cargo da família Tavares.

Torres Novas inaugura núcleo museológico da Central do Caldeirão. Foto: CM Torres Novas

Finalmente, entre 1954-1984, foi renovada a concessão do fornecimento de energia elétrica por mais três décadas e, durante este período, a empresa passou por vários reajustes e, após o 25 de Abril de 1974, por um processo de nacionalização negociado com a EDP.

A este processo não foi alheio o Município de Torres Novas que, impulsionado pelo papel ativo da Associação de Defesa do Património de Torres Novas, manteve o interesse de conservar e valorizar o património museológico industrial desta unidade de produção que marcou várias gerações de operários e que foi importantíssima para o desenvolvimento de Torres Novas durante o século XX.

Projeto de requalificação da antiga Central Elétrica do Caldeirão. Foto: CM Torres Novas

Do programa de inauguração fazem ainda parte as visitas livres ao espaço museológico (das 13h00 às 15h00 e das 18h00 às 20h00), visitas orientadas mediante marcação prévia, das 15h00 às 17h00 (máximo 30 entradas por visita; marcações através do email agenda.museu@cm-torresnovas.pt ou 249 812 535); e um concerto de Nelson Conceição, às 18h30, na black box do edifício (levantamento gratuito de bilhetes no próprio dia na receção da Central do Caldeirão; máximo de 2 bilhetes por pessoa; lotação limitada a 80 lugares).

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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