Dora Messias começou um negócio de costura personalizada e procurou a StartUp para orientação na área da gestão Foto: mediotejo.net

Em perto de dois anos de atividade, a StartUp Torres Novas já ganhou know-how e uma listagem significativa de empresas apoiadas, contabilizando cerca de 60 negócios, 30 dos quais atualmente em incubação. O balanço é positivo tanto da StartUp quanto dos empreendedores, os quais encontraram-se no sábado, 19 de janeiro, para o 1º Encontro Criativa Ť. Ao mediotejo.net, relataram histórias variadas de busca por financiamento e sobretudo orientação, num mundo empresarial competitivo e complexo onde não basta apenas ter uma boa ideia. 

Inês Cardoso é do Entroncamento e apercebeu-se de uma lacuna no mercado. A trabalhar há algum tempo nas áreas da meditação, constatou que as aplicações (apps) existentes não são em português e que muita gente tem dificuldade em segui-las. Nasceu assim a ideia que desenvolver uma app de meditação, tendo por isso procurado a orientação da StartUp Torres Novas.

O projeto está em construção, adianta ao mediotejo.net. Atualmente usufrui de uma sala no edifício B do Convento do Carmo onde já presta serviços de relaxamento e desenvolvimento pessoal para crianças, tendo constituído a empresa “Mindfull Kids, Happy Kids”.

A experiência tem sido positiva para Inês Cardoso, que salienta o apoio que lhe é oferecido na divulgação do seu projeto e mentoria, por forma a ir ao encontro das ferramentas necessárias ao seu desenvolvimento. O ponto forte da StartUp, constata, é mesmo esse: ter pessoas em quem se possa confiar.

Uma app de meditação é a proposta de Inês Cardoso Foto: mediotejo.net

A mesma satisfação é partilhada por Dora Messias, que tem incubada a empresa “Kopaia”, que se traduz num serviço de costura personalizado para roupa de criança e acessórios. Esta professora de 1º ciclo procurou a StartUp porque necessitava de orientação no que toca a gestão de um negócio, em questões tão simples como colocar o preço devido num artigo ou organizar a parte financeira.

“É bom termos apoio”, salienta, referindo que também usufrui atualmente de um gabinete no Convento do Carmo onde pode receber clientes. O seu objetivo é expandir o negócio.

Já Gilberto Santos, um empresário natural de Leiria mas com uma loja em Torres Novas, desenvolveu um conceito de massas artesanais, as quais vende atualmente ao setor alimentar (restaurantes, hotéis, etc), fazendo também workshops. Procurou a StartUp para conseguir promover-se, uma vez que para ter um negócio também é necessário saber utilizar uma ferramenta chamada marketing, que vai muito além de abrir uma página no facebook.

“Ajudaram nos contactos, na mentoria”, explica, mostrando-se também satisfeito com o apoio que recebeu.

“Penso que muita gente procura a StartUp para financiamento, mas a StartUp ajuda muito além disso. Eles oferecem apoio na mentoria, no marketing, na orientação”, reflete, face a uma questão do mediotejo.net sobre as motivações dos empreendedores em procurar a instituição.

Gilberto Santos vende massas confecionadas de forma artesanal e precisava de se promover Foto: mediotejo.net

Para Nelson Gomes, da “Oficina da Tecnologia” (venda, reparação, programação e ensino em torno de aparelhos eletrónicos), um dos fortes da StartUp Torres Novas é a possibilidade de trabalhar em rede, ou o conceito mais em voga de “networking”. “A StartUp dá alguma visibilidade aos projetos e permite funcionar em rede. Acredito muito na partilha”, explica ao mediotejo.net.

O empreendedor olha para o sucesso da instituição no âmbito de estar localizada num espaço nobre da cidade, com boas condições, e com “uma equipa dinamizadora e muito ativa, que constrói ideias e dinâmicas”. Há dois anos na StartUP, a “Oficina da Tencologia” encontra hoje espaço para continuar a crescer.

No âmbito deste Encontro, o mediotejo.net falou com Helena Caetano, em representação da StartUp Torres Novas. Sem números objetivos, a responsável aponta para cerca de 60 as ideias de negócio já apoiadas, das quais 30 estão atualmente ainda incubadas.

Os negócios são variados, da prestação de serviços a venda de produtos, mas domina o que descreve como as “indústrias criativas”, desde a costura aos videojogos. “Surgem projetos em todas as áreas, porque o nosso território é abrangente e não há um cluster específico”, explica.

Na “Oficina da Tecnologia” faz-se um pouco de tudo no âmbito as novas tecnologias Foto: mediotejo.net

O balanço é assim “bastante positivo”, tendo a StartUp captado interessados de todas a região e inclusive alguns de Lisboa. A empresa com mais volume de negócios até ao momento é a “AgroGreen”, adianta, que aposta na venda de produtos agrícolas endógenos, investigação e desenvolvimento.

Sendo que a nível nacional as startups têm uma elevada percentagem de falência num curto espaço de tempo, Helena Caetano não nos consegue dar porém essa perspetiva quanto à realidade de Torres Novas, uma vez que a StartUp acompanha somente as estruturas que mantém incubadas. Das existentes, aponta a capacidade de “sustentabilidade e escalabilidade”.

“Muitas têm capacidade de internacionalização, outras são mais locais”, nota.

A maioria dos empreendedores que procuram a StartUp são pessoas com qualificações. O perfil-tipo são desempregados a querer criar o próprio emprego, outros que não têm uma realidade ativa de emprego e há ainda quem tenha desistido de carreiras de sucesso para arriscar num determinado projeto.

“Muitas vezes o que eles precisam é de orientação”, esclarece, desde informações sobre programas de faturação, marketing digital, a fundos de financiamento do Portugal 2020.

“Acho que a StartUp é de extrema importância para o território”, comenta a responsável, constatando que acaba por se criar um grande dinamismo na região. A própria StartUp adquiriu nestes dois anos uma capacidade crítica que está a permitir fazer consultoria a todo o tipo de empreendedores.

A StartUp Torres Novas funciona no edifício B do Convento do Carmo.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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