Concerto de Sara Tavares nas Festas do Almonda. Foto: mediotejo.net

As Festas do Almonda começaram esta quinta-feira, dia 5, com o concerto de Sara Tavares no palco principal, perante os primeiros fãs da música e dos petiscos que ficam pelo Jardim das Rosas até domingo. O “bom feeling” trazido pela cantora cabo-verdiana nesta noite quer-se como prenúncio de quatro dias recheados de animação, para que diga “coisas bonitas” quando se recordar da edição deste ano.

Sara Tavares já não é rapariga desconhecida do público que ganhou a primeira edição do programa Chuva de Estrelas com a imitação de Whitney Houston. Passaram-se mais de duas décadas e a cantora amadureceu, conseguindo brilhar por si própria com o “bom feeling” que marcou o primeiro concerto das Festas do Almonda. Ver e ouvi-la no palco depressa fez perceber porque conquistou o galardão de Melhor Voz Feminina nos Cabo Verde Music Awards em 2011 e foi nomeada como Artista Revelação nos prémios BBC de World Music em 2007.

A verdade é que esta cabo-verdiana com um pézinho em Portugal consegue dizer-nos “coisas bonitas” em português e crioulo e envolver o público com uma voz que oscila entre a doçura e a rebeldia. O concerto desta quinta-feira começou pela referência à independência de Cabo Verde e terminou com um encore em que se cantaram as palavras de Carlos Tê, “só para dizer que te amo”, mais conhecidas na voz de Manuela Azevedo dos Clã com o seu “Problema de Expressão”.

Sara Tavares nas Festas do Almonda 2018. Foto: mediotejo.net

As músicas tiveram diferentes dedicatórias, desde aquela com que Sara Tavares presenteou a comitiva da ilha de Santo Antão (Cabo Verde) – misturada com as muitas pessoas que contribuíram para a luz da estrela com os telemóveis – às “Marias Josés” da região que aproveitaram a noite para conhecer os temas mais antigos e os do novo álbum “Fitxadu” (“Fechado” em crioulo de Cabo Verde), o quinto de originais, lançado no ano passado.

A longo de mais de uma hora, fez-se uma “viagem longa” em que “o amor é sábio”, escutou-se uma “voz secreta” ao “vento que sopra por dentro”, defendeu-se “um só povo, um só coração” e dançou-se o funaná. Uma noite cheia em que a voz da cantora puxou pelas outras vozes, acompanhada com o baixo de Pity, a bateria de Ivo Costa, a guitarra acústica de Rolando Semedo, a guitarra elétrica de Ivan Gomes e as teclas de João Gomes.

Tema “Txom Bom” do novo álbum de Sara Tavares, “Fitxadu”, lançado em 2017

As “coisas bonitas” mantêm-se no palco principal até domingo com os espetáculos de Fernando Daniel esta sexta-feira, Tiago Bettencourt no sábado e Raquel Tavares no último dia, data em que a cidade de Torres Novas celebra o seu 33º aniversário. Até domingo, o segundo palco recebe as bandas The Twist Connection e Moonshiners, os alunos da escola de dança O Corpo da Dança e o concerto conjunto do grupo Auditório e da SFUP – Sociedade Filarmónica União Pedroguense.

Pelo terceiro palco passam os Trio de Ataque e a Classics Band e o palco 4 está reservado para O Gajo (João Morais). O programa também inclui teatro de rua com três sessões do espetáculo “Carripana”, projeto itinerante da companhia LAMA (Laboratório de Artes e Media do Algarve) em que os “saltindanços” interpretados por João de Brito e Manuela Pedroso estacionam a sua carrinha Citroën Berlingo no Jardim das Rosas.

As Festas do Almonda têm outras propostas, como a exposição “Valores Naturais do Rio Almonda” e uma sessão de pintura livre em aguarela inspirada no rio Almonda, onde é possível fazer passeios de gaivota e canoa. Ainda há espaço no programa para um treino aberto do Centro Municipal de Marcha e Corrida, um Torneio de Voleibol, um Peddy Photo Papper, cerimónias oficiais e a Entrega do Prémio Maria Lamas.

Tudo com “bom feeling”, claro.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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