No tribunal de Torres Novas vai iniciar-se esta sexta feira, dia 2 de março, pelas 10 horas, o julgamento de António Rodrigues Gameiro, cidadão com 80 anos, vizinho da empresa Fabrióleo e que tem participado nas reuniões públicas da Câmara para denunciar atentados ambientais na ribeira da Boa Água.
A empresa Fabrióleo – Fábrica de Óleos Vegetais, S.A. apresentou queixa no tribunal contra o cidadão por alegada “ofensa a pessoa coletiva”, acusação que não é acompanhada pelo Ministério Público.
O que está na base da queixa é uma afirmação que o octogenário terá feito em outubro de 2016 durante a reunião da Câmara Municipal de Torres Novas segundo a qual teria visto “movimentações suspeitas em redor da Fabrióleo”.
A empresa suporta a sua acusação no relato feito pelo mediotejo.net e considera que aquelas palavras abalaram a sua “credibilidade, prestígio e confiança”.
Emigrante na Alemanha, António Gameiro, desloca-se frequentemente à sua terra natal, nas proximidades daquela unidade fabril. E cada vez que vem a Portugal, aproveita para denunciar na Câmara o problema da poluição que afeta a sua qualidade de vida apontando o dedo à Fabrióleo.
Este é mais um processo judicial que a empresa move, a juntar aos que acionou contra outros cidadãos e contra o próprio Município Torrejano.
Em solidariedade com o cidadão António Gameiro, o movimento ambientalista BASTA convocou uma concentração para as 9h30 do dia 2 em frente ao Tribunal.
Na Assembleia Municipal, a bancada do Bloco de Esquerda apresentou uma declaração em defesa de cidadãos como António Gameiro, Arlindo Consolado Marques e Pedro Triguinho, “que denunciam o que prejudica todos e todas” e são “perseguidos e ameaçados”.
Para o BE, são cidadãos “que não ficam parados perante a degradação e destruição de rios e ribeiros, dos atentados à saúde pública, à economia e à qualidade de vida”, e que “estão agora a braços com processos na justiça, movidos pelas empresas poluidoras”.
Os bloquistas consideram “estar em causa a liberdade de expressão e o exercício da cidadania que tem tido, como bem sabemos, um papel determinante no conhecimento e na denúncia das situações de poluição seja na ribeira da Boa Água, no Almonda ou no Tejo”.
