Por estes dias, são milhares os visitantes que se deslocam até Torres Novas por ocasião de mais uma edição das “Memórias da História”, este ano subordinada ao tema “A Carta de Feira de 1273”. Para além de ser palco de dezenas de atrações e momentos de recriação de atividades típicas do século XIII, o imponente castelo, em posição dominante sobre o centro histórico, é também o cenário idílico para esta viagem até aos tempos medievais, onde dezenas de artesãos expõem e vendem as suas mercadorias, numa verdadeira “Feira de Época”.
A música é animada assim como o espírito daqueles que por estes dias visitam o centro histórico de Torres Novas. Alguns vestiram os seus melhores fatos e adereços para viver uma recriação que promete ser fiel aos tempos em que Torres Novas acolhia os povoados vizinhos e era palco de grandes feiras e mercados.
Ao entrarem pelos portões da feira, os visitantes deparam-se com uma mistura de cores, sons, cheiros e sabores, embarcando numa viagem até ao ano de 1273, período em que Afonso III reinava em Portugal.
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Foi em pleno século XIII que o rei organizou administrativamente o território e ordenou ainda que se fizessem feiras, atribuindo Cartas de Feira a várias vilas e cidades de Portugal. As feiras ofereciam coesão ao território, aproximavam povos vizinhos e concorriam para o desenvolvimento económico das terras. A vila de Torres Novas cedo recebeu a sua Carta de Feira, corria o ano longínquo de 1273.
“Costumamos ter como tema uma figura da nossa história, mas este ano temos um tema diferente. Escolhemos a Carta da Feira de 1233”, começou por explicar Luís Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.






“Torres Novas foi uma das cidades mais importantes à época, das primeiras cidades a ter Carta de Feira, onde todos os povoados vizinhos se juntavam, uma vez por mês, para negociarem os seus produtos. Além disso, havia também festas para que as pessoas pudessem, de facto, frequentar e divertir-se neste espaço”, acrescenta.
O evento conta, este ano, com 38 companhias de animação de todo o país e centenas de figurantes, com performances de teatro, música, dança e recriação histórica. Ao longo do recinto da feira estão ainda presentes 120 expositores a comercializar os mais diversos produtos, desde a área alimentar ao artesanato.
“Este ano, mais uma vez, temos muitos grupos de animação, a tocar em todos os cantos e espaços desta feira. Cada vez mais apostamos em grupos locais, pessoas daqui de Torres Novas, principalmente no que diz respeito ao teatro. O Teatro Meia Via faz a maior parte das representações teatrais, havendo também grupos de fora. Também a Banda Operária Torrejana tem um grupo de música que acompanha a feira este ano”, afirmou o autarca.

O espaço eleito para a realização do evento mantém-se há três edições, sendo privilegiado pela beleza natural e pela capacidade de acolher uma feira que foi crescendo e que adquire, hoje, uma grande dimensão.
“Viemos para aqui para o Jardim das Rosas já há 3 anos e este espaço aqui em baixo, junto ao rio, permite-nos também um local de vivência das famílias com mais espaço e fluidez, porque a nossa feira como tem muitos visitantes, quando decorria só na parte de cima, tornava-se muitas vezes um grande congestionamento. Este espaço permite-nos alargar mais o recinto, levando a que as pessoas circulem com algum à-vontade”, explica o vice-presidente.
Para Luís Silva é um motivo de orgulho “ter uma das melhores feiras do país”. “Consideramos que está entre as 3 ou 4 melhores do país e talvez uma das melhores da Península Ibérica. É um orgulho de facto para todos os torrejanos”.
“Mais do que uma recriação histórica, que é efetivamente, orgulhamo-nos muito de fazer uma representação fiel da época e contar um pouco da história, para que também as crianças e o que nos vêm visitar aprendam um pouco da nossa história. Mais do que tudo isso, é um espaço de divertimento, de petisco, onde as famílias vêm, lancham, jantam e divertem-se aqui. Veem a demonstração de armas, por exemplo, como era à época, temos aqui os cavalos novamente, a falcoaria, todas essas animações que valorizam muito a nossa feira”, sublinha.
Ao longo dos 5 dias do evento, os visitantes têm a oportunidade de participar em inúmeras oficinas temáticas, experienciar cheiros e sabores da época, assistir a momentos de recriação, de teatro, música e dança ou simplesmente passear pelo recinto, apreciando os produtos e iguarias que os mercadores têm para oferecer.
O evento “representa um investimento de cerca de 300 mil euros” por parte do município de Torres Novas, “parcialmente compensado com a venda de ingressos e de espaços”. Até domingo, o concelho espera receber cerca de 80 000 visitantes que poderão “conhecer as 15 diferentes áreas temáticas ou participar nas também 15 diferentes oficinas e demonstrações de ofícios” que integram o programa.
“Esperam-se muitos visitantes. Antes do início da feira já tínhamos vendido quase 15 000 pulseiras, portanto, durante os dias da feira vamos vender mais uns milhares delas. Muitos visitantes voltam todos os dias e isso faz aqui uma animação muito bonita”, considera Luís Silva.
O aspeto histórico da recriação não foi descuidado, apresentando detalhes pormenorizados de como eram as feiras do século XIII em Torres Novas, nomeadamente a venda de peixe no mercado.
“É muito interessante, tivemos aqui uma conferencista da Universidade de Coimbra a falar-nos sobre o que era a nossa feira, o que havia aqui e o que era vendido. É interessante ver a quantidade de produtos… já não digo a carne de vaca, carneiro, borrego, etc, porque isso fazia parte da terra. Estamos longe do mar, mas chegava aqui toda a espécie de marisco e de peixes. Era usual todas essas espécies virem até nós e eram procuradas aqui”, explica o autarca.
Além disso, Luís Silva destaca ainda a importância destas “Cartas de Feira” que permitiam promover a coesão territorial. “Os povoados envolventes juntavam-se todos aqui em Torres Novas e formavam um grande aglomerado urbano que sempre foi a cidade de Torres Novas”.
“Estas feiras têm de facto várias vertentes. Uma delas é aqui o recinto, o divertimento… os próprios torrejanos aderem, mas vem muita gente de fora também, porque reconhecem a qualidade da nossa feira, valorizam-na”, sublinha. O objetivo passa, assim, por “trazer novos visitantes a Torres Novas” por ocasião do evento e que estes “vejam também o nosso património histórico e cultural. Nós somos uma cidade muito rica em património”, afirma Luís Silva.
Durante o evento, a pulseira livre-trânsito para os cinco dias tem um custo de 10 euros, sendo a pulseira diária a seis euros, com descontos para famílias e maiores de 65 anos, e de entrada gratuita para crianças até aos 12 anos (inclusive).
Em declarações ao mediotejo.net, o vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Novas deixou um convite: “Que venham até nós, juntem-se a nós e venham visitar a nossa feira, porque não se vão arrepender de certeza absoluta”.
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