O executivo municipal de Torres Novas aprovou por maioria, com votos favoráveis do PS, abstenção do PSD e voto contra do Bloco de Esquerda, o relatório de gestão do exercício de 2018. A dívida tornou a baixar, encontrando-se nos 13,4 milhões, afirmando o presidente, Pedro Ferreira, a “estabilidade financeira” que vai permitir a continuação dos investimentos.
No texto lido na sessão, Pedro Ferreira expôs alguns dos números do exercício. Segundo o autarca, “o passivo decresceu 9,4%, destacando-se a componente da dívida a terceiros, quer de curto quer de médio e longo prazo. A dívida total corresponde a 13.411.016,00€, menos 10.770.781,00€ que em 2015”. O prazo médio de pagamentos fixou-se nos 17 dias, registando-se um resultado líquido positivo de 2.848.006 euros.
O município reduziu ainda em 17,4% a despesa paga, “sobretudo fruto da operação de substituição da dívida relativa ao empréstimo para saneamento financeiro, que também contribuiu para o saldo positivo de 5.010.427,00€, saldo este entre a Receita Corrente cobrada e a Despesa Corrente paga, valor canalizado para investimentos”. “Concluir-se-á assim que o município continua a sustentar as Despesas Correntes com as Receitas Correntes, o que originou uma poupança corrente na ordem dos 28%”, analisou.
O saldo de gerência disponível para 2019 é assim de 2.568.313 euros. Pedro Ferreira enumerou ainda as várias apostas que foi realizadas no último ano, apontando por exemplo que o Teatro Virgínia “em termos globais custou ao município 435.000,00, continuando a proporcionar espectáculos de muita qualidade ao concelho e ao país”. As várias festas e feiras do concelho “cumpriram o papel de animação e de captação de público de todo o país, dinamizando o tecido socioeconómico local”, afirmou, sem indicar o valor gasto.
“Poderá concluir-se e evidenciar-se a estabilidade financeira do município que continuará a facilitar a dinâmica de investimento, perante uma redução expressiva da dívida global e com uma capacidade de endividamento que deixa uma boa margem de manobra, segura, sobretudo para investimentos co-financiados pelos Fundos Comunitários, ou para outras obras de premente necessidade”, terminou.
Da parte do PSD, o vereador Quaresma de Oliveira deixou alguns elogios ao relatório, mas constatou que, não obstante a situação financeira consolidada, o município não tem capacidade por si só para fazer obra, recorrendo sempre a empréstimos. Acabaria assim por abster-se, após uma exposição técnica sobre os documentos, frisando ser este um “voto de confiança” na gestão PS, uma vez que estas não seriam as escolhas do PSD.
Mais crítica, a vereadora do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, comentou que cumpriu-se o plano, mas em “matérias estruturantes para o concelho, nada se avançou em 2018”. Após análise e pedidos de esclarecimento em várias alíneas, acabaria por votar contra o documento.
