Canil e Gatil Intermunicipal de Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Cinco cachorros com cerca de dois meses, abandonados dentro de um saco de sarapilheira à porta do canil e gatil intermunicipal de Torres Novas, em Parceiros de Igreja. A situação aconteceu no final de abril, mas é um cenário que se repete quase todas as semanas. Com a sua capacidade largamente ultrapassada, o canil vai criando espaços para dar resposta ao crescente problema de abandono de animais nesta fase de pandemia.

“Neste momento o canil está sobrelotado, não tem capacidade para receber mais animais”, confirma o vereador Carlos Ramos, responsável pela Gestão do Canil Intermunicipal (Torres Novas, Alcanena, Entroncamento e Vila Nova da Barquinha). Com capacidade para 80 a 90 cães e cerca de 20 gatos, o canil acolhe atualmente 125 cães e 30 gatos.

O autarca reconhece que nesta altura há um aumento do número de animais abandonados. “Estamos numa altura em que o desemprego está a aumentar devido à crise económica e há famílias que não têm condições e acabam por abandonar os animais”, explica. A falta de dinheiro para alimentar os animais e cuidá-los no que toca a saúde são as principais justificações para o abandono.

Veterinária Telma Gomes e Vereador Carlos Ramos. Foto: mediotejo.net

Quando os cães possuem chip consegue-se saber o histórico do animal e quem é o seu proprietário que é chamado à responsabilidade até porque é proibido por lei o abandono e maus tratos aos animais. O problema é quando o animal não está registado. “Há muitos animais que não estão identificados”, lamenta o Vereador Carlos Ramos.

A realidade do crescente abandono de animais é confirmada pela veterinária Telma Gomes, que trabalha a tempo inteiro no Canil Intermunicipal de Torres Novas. Se antes já se verificava esse problema, a crise provocada pela pandemia veio agravar a situação, confirma a profissional.

“Não há evidências que os animais de companhia possam replicar e transmitir o vírus”, garante a veterinária em resposta a essa ideia falsa que circula nas redes sociais.

Os responsáveis pelo canil procuram sensibilizar a comunidade para que, quando alguém adquire um animal ou lhe é oferecido, avalie bem se tem condições para ter o animal e qual a raça mais adequada. “Há pessoas que não têm condições económicas para ter animais e há também quem não tenha por questões do foro psiquiátrico”, refere o vereador.

O Canil e Gatil Intermunicipal de Torres Novas está sobrelotado. Foto: mediotejo.net

Seja como for, nesta altura de pandemia, as campanhas de adoção estão suspensas e esse fator também contribui para a sobrelotação do canil que não pode acolher mais animais.

“Se acolhermos mais animais pomos em perigo os que já aqui se encontram e os próprios funcionários”, explica Carlos Ramos. “Numa box para 10 cães não podemos colocar 15 porque isso potencia os conflitos entre eles e pode pôr em causa a saúde dos animais que cá estão e os funcionários”, concretiza, aproveitando para homenagear aqueles que ali trabalham.

Para a veterinária, a preocupação diária da sua equipa é “garantir a qualidade de vida – que se mantenham confortáveis e com saúde – de todos os animais tendo em conta a sobrelotação do espaço”.

Faz parte dos objetivos dos quatro municípios que integram o canil, aumentar a sua capacidade. Para isso já existe um terreno contíguo que é propriedade da Junta de Freguesia, mas cuja assembleia já autorizou a passagem para a posse do município. Nesta altura, conforme relata o vereador, está-se a tratar da parte burocrática e administrativa que passa pela revisão do PDM e do protocolo entre os quatro municípios e a concretização do projeto.

As despesas de manutenção do canil, inaugurado 12 de outubro de 2007, são divididas pelos quatro Municípios (Torres Novas, Alcanena, Entroncamento e Vila Nova da Barquinha), consoante o número de animais provenientes de cada concelho.

Além de ser o único a ter um crematório para animais na região, o canil funciona como centro de recolha oficial de animais dos quatro municípios.

Ali trabalham seis assistentes operacionais, dois assistentes técnicos e dois veterinários, um dos quais está em permanência no canil enquanto o outro tem mais trabalho no exterior por exemplo a nível de fiscalizações.

Os cães são agrupados em boxes por raças, por tamanhos e por tempo de permanência. Quando um cão entra no canil passa por várias fases de adaptação para que não haja conflitos. E quando saem para adoção todos são previamente esterilizados.

“Estamos desejosos de reabrir a época de adoções! Já estamos a preparar tudo, para que todo o processo decorra da forma mais segura para todos”, anunciam os responsáveis pelo canil. Mas isso está dependente do evoluir da atual situação epidemiológica do país.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

Leave a Reply