O cineasta torrejano Flávio Ferreira, 28 anos, venceu a categoria de Melhor Curta-Metragem de Documentário dos Prémios Sophia 2021-Academia Portuguesa de Cinema, cuja cerimónia decorreu no domingo, 19 de setembro.
“Mulher como Árvore” conta a história de Elva, uma espanhola residente numa aldeia da zona de Ourense que partilhou a sua vida com a equipa de filmagens a realizar um workshop. Flávio e mais cinco colegas percorreram a aldeia em busca duma história e acabaram por encontrar Elva, uma residente local que lhes abriu as portas de casa e o coração.
“Partimos um pouco à procura de alguém interessante e deparamo-nos com a Elva”, contou, tendo referido que “o filme é um tentativa, curta, do retrato de uma pessoa que nos pareceu muito interessante, fascinante”.
“O filme é um dia dela, com a azáfama do dia a dia”, explicou, num misto das suas atividades quotidianas “pontuadas por momentos profundos, íntimos e poéticos”.
ÁUDIO | FLÁVIO FERREIRA, CINEASTA DE TORRES NOVAS:
Natural da Mata, freguesia de Chancelaria, Flávio Ferreira já tem um currículo invejável de produções que integrou e projetos que realizou, nomeadamente junto do realizador alemão Werner Herzog.
Conta também com alguns prémios, como o prémio FAMU para melhor filme dos Verdes Anos no Doclisboa e uma menção honrosa nos Novos Talentos Fnac Cinema. O filme “Fidalga”, rodado na Mata para conclusão do seu mestrado, teve a sua estreia no Indielisboa e uma menção honrosa no FEST.
A pós-produção de Mulher como Árvore” teve apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual, tendo a receção do trabalho acabado por surpreender a equipa de realizadores. O filme passou pelo Indie Lisboa 2020 e acabou por estrear-se a nível internacional, com exibições no México, Espanha, EUA e Macau.
A produtora, Fado Filmes, decidiu assim concorrer aos Prémios Sophia 2021, com alguma esperança num bom resultado, que acabou por concretizar-se com este filme complexo “na sua simplicidade”.
Flávio Ferreira encontra-se atualmente a viver em Lisboa, trabalhando como coordenador de pós-produção e editor da Fado Filmes. Com vários projetos em mãos, adianta ao nosso jornal que a sua equipa foi responsável pela série “Rainha Bastarda”, trabalho que vai ser emitido na RTP.
O torrejano está ainda a produzir um documentário para a Câmara de Torres Novas e tem a produção de uma nova curta metragem planeada para o próximo ano.
“O cinema é sempre um trabalho de equipa”, frisa com humildade, salientando que os projetos por vezes tomam tal dimensão que dificilmente podem ser atribuídos a uma única pessoa na realização. Salientou assim a sua satisfação pela vitória deste “Mulher como uma árvore”.
