A Central do Caldeirão, em Torres Novas, foi o local responsável, no dia 15 de julho, por acolher um espetáculo único, no qual Gustavo Costa e Henrique Fernandes fizeram música da água. Apetrechados de aquários, amplificadores, tubos e sistemas de som, os músicos proporcionaram uma experimentação sonora diferente e envolvente, através do aproveitamento dos fenómenos sonoros microscópicos vindos da água. O mediotejo.net conversou um pouco com Henrique Fernandes, o qual nos deu conta do que é o projeto Microscopiofonia.

No âmbito dos Caminhos da Água, uma das atividades culturais propostas para o concelho de Torres Novas foi um espetáculo de Microscopiofonia, música feita a partir de sons microscópicos que provêm da água, realizado pela Sonoscopia, uma associação concebida com o objetivo de criar, produzir e promover projetos artísticos e educacionais focados nas áreas da música experimental e da pesquisa sonora.

Foi na parte de baixo da Central do Caldeirão, num ambiente envelhecido mas acolhedor, que cerca de meia centena de pessoas, as quais maioritariamente jovens, assistiram a este espetáculo que mais parecia uma sessão de alquimia, tendo em conta o verdadeiro “laboratório” em que operavam os músicos. Estes conseguiram a proeza de transportar os presentes até a um sítio recôndito no meio de um oceano.

Caminhos da Água - Espetáculo musical “Microscopiofonia” / projeto Sonoscopia na Central do Caldeirão
Alguns dos equipamentos usados no espetáculo. Foto: mediotejo.net

Segundo Henrique Fernandes, a apresentação partiu da ideia da matéria água e de tudo que gira em torno desta, revelando que a atuação foi praticamente uma estreia: “já tínhamos atuado nestes moldes, mas foi uma versão um bocado diferente da que apresentámos no Centro Cultural de Belém o ano passado. Esta é uma versão adaptada da apresentação que fizemos na altura”, explanou o músico.

Não obstante a ideia de um instrumento não-convencional, ambos os artistas tiveram uma formação bastante convencional, tendo Henrique estudado contrabaixo e Gustavo estudado bateria. “Na verdade, embora este projeto da associação tenha começado há cerca de sete anos, nós já trabalhamos juntos há coisa de 20”, revelou o contrabaixista.

A oportunidade da atuação surgiu na medida em que Gustavo já tinha participado no projeto Caminhos, em Vila de Rei e Sardoal, no ano passado. Henrique revelou-se satisfeito com a afluência considerando que foi “a mais ou menos esperada” e que a atuação correu “super bem. Acho que foi um bom espetáculo num ambiente igualmente muito bom”, revelou.

Partilhamos um dos momentos do espetáculo “Microscopiofonia” na Central do Caldeirão

O espetáculo contou com a presença da vereadora da cultura da Câmara Municipal de Torres Novas, Elvira Sequeira, a qual considera que este tipo de espetáculos são bastante interessantes, nomeadamente “para chamar aquelas pessoas que normalmente não frequentam outros, visto que estes primam pela diferença”.

“Estes são projetos inovadores, com formas diferentes de trabalhar os conceitos que já possam existir na realidade, e, como foi possível ver, acabamos por ter um público que adere facilmente, e normalmente jovem”, considerou a vereadora, concluindo que “o município se mostra disponível para apoiar este tipo de projetos, como aliás já o fez anteriormente”.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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