O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) e o Hospital Distrital de Santarém (HDS) assinaram na sexta-feira, 31 de março, um protocolo para o usufruto do bloco operatório e enfermaria com 26 camas do Hospital de Torres Novas por uma equipa de cerca de 40 profissionais do HDS. O HDS está oficialmente em obras, que durarão cerca de oito meses. Em Torres Novas serão realizadas as cirurgias de patologias menos graves e que exijam menos recursos em termos de preparação e recobro, esclareceu ao mediotejo.net o presidente do HDS, José Josué.
Uma pequena cerimónia reuniu alguns dos profissionais transferidos para o Hospital de Torres Novas e entidades dos órgãos de saúde locais, assim como a presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, Rosa Matos.
O presidente do Conselho de Administração do HDS, José Josué, foi o primeiro a intervir, referindo que este acordo entre Hospitais reforça o Sistema Nacional de Saúde (SNS) pela forma “solidária” de entreajuda entre as duas instituições. “É nosso dever para com as populações, do Ribatejo como um todo, responder a necessidades de provimento do SNS. O SNS é isso mesmo: é solidariedade. A experiência que vamos agora iniciar é mais um bom exemplo desta nossa cultura, do HDS e do CHMT”, referiu.
O responsável admitiu que as agendas dos dois Hospitais foram diferentes (a discussão leva cerca de dois anos), mas que o encerramento do bloco operatório do HDS só se realizou efetivamente esta semana. “Virámos uma página, vamos ter um bloco novo em Santarém”, frisou. “Tudo faremos para que esta experiência tenha todo o sucesso”.
O presidente do conselho de administração do CHMT, Carlos Andrade Costa, agradeceu a todos os presentes, lembrando a semana de receção da nova equipa. “Prova que estamos aqui todos juntos” e que a integração foi um sucesso. “Dissemos sempre que o destino natural era o Hospital de Torres Novas”, constatou, estando mais próximo de Santarém que de outros Hospitais do CHMT. “Estamos ao serviço de uma única população, um único distrito”, comentou.
O momento de homologação do protocolo recebeu um desabafo de “finalmente!” pela presidente da ARS, Rosa Matos, que frisou a “família que é o SNS” e que estava naquele dia de “parabéns” pelo entendimento chegado. “Há 20 anos isto era impossível”, referiu, tendo-se criado um caminho “para ir ao encontro das necessidades das pessoas”. “Cada vez mais as diferentes unidades têm que trabalhar em conjunto”, defendeu, para que o SNS possa funcionar.
Já o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, deixou um apelo para que o bloco operatório continue a funcionar depois de findo o período de obras no HDS. “Só tenho a congratular-me da forma pacífica como isto foi resolvido”, comentou, desejando que tudo corra bem com a nova equipa instalada.
“O nosso tempo era este”
Ao mediotejo.net, José Josué esclareceu que não houve uma demora em tomar uma decisão, apenas uma agenda que tinha que ser cumprida. “O nosso tempo era este”, argumentou, “só podíamos vir para Torres Novas quando fechássemos o serviço”, tendo o bloco operatório estado a funcionar até quinta-feira, 30 de março. “Não havia nenhuma razão na nossa agenda para ser doutra forma”, constatou.
O responsável explicou que para Torres Novas foram transferidos 30% das necessidades cirúrgicas do HDS e esta será, essencialmente, uma unidade de apoio. Aqui serão tratadas as “patologias menos severas” e os “diagnósticos que vão exigir um envolvimento de menos recursos”, nomeadamente na preparação e recobro. “A retaguarda é muito importante”, frisou, e o serviço cirúrgico de Torres Novas “não seria suficiente” para receber todo a estrutura.
Também ao mediotejo.net, Carlos Andrade Costa lembrou o processo de reabertura do bloco operatório e de como sempre houve a “ambição” de que este pudesse voltar a estar em funcionamento. O espaço já se encontra a funcionar há algumas semanas, tendo recebido cirurgias sobretudo de medicina geral, mas também de ortopedia e ginecológicas. Santarém trará mais especialidades.
Passados os oito meses desta experiência com o HDS “manteremos o que já começámos”, frisou, no objetivo de ir ocupando gradualmente toda a semana com cirurgias e mantendo o bloco operatório no ativo.
Questionado sobre a demora em chegar a este acordo, o responsável reconheceu que o CHMT e o HDS têm “vivências diferentes”, havendo também aqui “a necessidade de um trabalho de amadurecimento”. O facto do CHMT se dividir em três unidades (Tomar, Torres Novas e Abrantes) trouxe algumas dúvidas e hesitação, mas este será um processo de adaptação que a instituição já se habituou a ultrapassar.
