O BE de Torres Novas não quer o alcatroamento da via designada “carreiro das cobras” e o corte de árvores centenárias, mas o executivo socialista afirmou que existem “compromissos assumidos” pela Câmara e que a autarquia não se pode “sujeitar a mais pedidos de indemnização”. Os compromissos têm duas décadas e, segundo o BE, nunca foram cumpridos anteriormente.
A proposta do BE pela manutenção do “carreiro das cobras”, mediante ordenamento e ensaibramento, foi chumbada pelo PS e pelo PSD na reunião de 21 de julho. Na sua página oficial, o BE de Torres Novas contesta os argumentos dos “compromissos assumidos” e os “pedidos de indemnização”, questionando a estratégia que o município tem assumido perante os terrenos em causa.
Segundo o BE, que recordou a informação, relativa ao historial de um processo que remonta ao ano 2008, o caso do “carreiro das cobras” está vinculado a interesses privados e não ao interesse público.
“O PS com o apoio do PSD vão destruir o “carreiro das cobras” tal como o conhecemos, está previsto uma via alcatroada com 2 faixas e vedada a arame. Para fazer esta obra é preciso derrubar árvores centenárias. Perguntamos: vale a pena?”, questiona.
O BE termina a garantir que recorrerá a todas as instâncias para que não seja permitido o derrube das árvores no “carreiro das cobras”.
Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira (PS), salientou que este é efetivamente um processo com muitos anos e que só por sorte ainda não chegou a tribunal, sendo que a proposta do BE “atropela” acordos estabelecidos com os loteadores. Há projetos aprovados e o executivo tem procurado “arrumar a casa”, afirmou.
A estrada é um dos últimos caminhos rurais da cidade de Torres Novas, um acesso que liga o bairro de Santo António à avenida Andrade Corvo. O caminho tem sobreiros de grande dimensão e uma paisagem característica. Pedro Ferreira reconhece a beleza natural do local – a defender noutras zonas da cidade, sublinhou – mas não considera que esta seja uma estrada privilegiada.
