A Associação de Defesa do Património de Torres Novas (ADPTN) fez um inquérito público sobre o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano e vai ouvir hoje especialistas em intervenções em centros históricos, para ultimar uma posição sobre o documento.
Ana Sofia Ligeiro, presidente da direção da ADPTN, disse à agência Lusa que a associação promove hoje à noite um encontro com a participação do arqueólogo Cláudio Torres, diretor do Campo Arqueológico de Mértola, e do sociólogo José Emílio Guerreiro, coordenador do Gabinete de Recuperação do Centro Histórico de Évora (1994-2001), para que o processo torrejano aproveite dos seus conhecimentos e das suas experiências.
A dirigente, geógrafa de formação, realçou o facto de parte das intervenções propostas no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) ocorrerem em locais onde existem vestígios arqueológicos, como é o caso do Largo de Santa Maria (onde foi demolida a igreja de Santa Maria do Castelo), e de se pretender envolver a população no processo.
A ADPTN, reativada há cerca de um ano, tem-se empenhado em criar espaço para a intervenção cidadã, estando, no caso dos anteprojetos do PEDU apresentados no passado dia 26 de janeiro pelo executivo municipal, a dinamizar várias iniciativas de auscultação da população para fundamentar a sua posição, disse.
No âmbito da discussão pública, que deveria terminar esta quinta-feira mas que, por decisão da autarquia, foi adiada para o próximo dia 23, a associação pediu o contributo dos seus associados e dos munícipes que lhe quisessem fazer chegar a sua opinião sobre os projetos propostos pela autarquia.
Posteriormente, fez um inquérito online sobre a pertinência das intervenções propostas, cujo resultado vai apresentar na sessão de hoje à noite.
Sofia Ligeiro disse à Lusa que, apesar de ter estado online poucos dias, o inquérito recolheu 54 contributos, tendo a associação verificado que “há alguma unanimidade em relação a muitos projetos”.
Uma das propostas que tem gerado alguma contestação é o acesso ao castelo, uma intervenção que a presidente da ADPTN considera necessária para pessoas com mobilidade reduzida, mas para a qual a associação propõe uma localização alternativa, “num espaço menos intrusivo do ponto de vista paisagístico”.
A intervenção prevista no jardim municipal merece uma rejeição “unânime”, defendendo a ADPTN a manutenção do “jardim romântico dos anos 30 (do século XX)”, uma “memória” que a proposta do município quer “apagar”, substituindo por uma “imagem contemporânea que não acrescenta nada”.
Para Sofia Ligeiro, há espaços na cidade que estão degradados e que precisam de intervenção, não devendo os recursos ser gastos no que “está bem”.
Quanto às intervenções em edifícios degradados, como a Central do Caldeirão, junto ao rio Almonda, e o edifício Alvarenga, em frente aos Paços do Concelho, a associação reconhece a sua necessidade, mas avisa que não “basta uma intervenção cosmética”.
“É preciso haver um objetivo claro. A indefinição quanto à sua funcionalidade e a multiplicidade de espaços para a mesma função deixa o risco de ficarem devolutos. Ou chamam as pessoas ou o resultado não será proporcional ao investimento feito”, afirmou.
A ADPTN é uma das entidades convidadas a integrar o Conselho Local de Desenvolvimento Urbano que o município está a criar com 13 instituições e personalidades do concelho para analisar os contributos e sugestões feitos durante o período de discussão pública e dar um parecer prévio à aprovação final dos projetos.
O PEDU de Torres Novas prevê um investimento total de 7,3 milhões de euros (sendo 5 milhões de euros provenientes de fundos comunitários) no concelho até 2020, em áreas como a regeneração urbana, a mobilidade e as comunidades desfavorecidas.
