A Associação de Defesa do Património de Torres Novas (ADPTN) quer lançar até março um arquivo digital da Fábrica Grande da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos, encerrada oficialmente em 2011. A ideia é contactar ex-funcionários para gravar testemunhos em vídeo ou áudio e digitalizar documentos, como cartões de funcionários, fotografias do trabalho na fábrica, catálogos, etc, preservando a memória ainda viva da estrutura. A iniciativa está ligada à adesão da ADPTN ao projeto ViRAL, com financiamento europeu.
Não se trata de nenhum espaço físico – uma vez que a posse do edifício, após insolvência, está com o Novo Banco, sabendo-se que o município já esteve a negociar a compra – mas de um espaço virtual onde serão inseridos conteúdos sobre a história da Fábrica Grande.
O objetivo, conforme explicou a ADPTN na noite de terça-feira, 27 de novembro, é recolher testemunhos dos ex-funcionários sobre a vida na fábrica, assim como um espólio documental, a digitalizar, relacionado com a mesma. Estes documentos serão devolvidos aos proprietários, foi frisado, mas caso eles queiram deixá-lo para arquivo serão encaminhados para o Arquivo Municipal.

Uma vez que “não podemos trabalhar o espaço, pelo menos queremos disponibilizar um espaço para que quem viveu a Fábrica possa deixar as suas memórias”, explicou a presidente da ADPTN, Ana Sofia Ligeiro. A Fábrica “era um espaço onde acontecia tudo” e que marcou a vida social torrejana durante perto de 200 anos. Conforme foi constatado, a maioria da população da cidade tem de alguma forma ligações à Fábrica.
A ideia já tinha sido debatida pela ADPTN, mas ganhou relevo com a entrada da associação no projeto ViRAL, uma iniciativa que envolve instituições académicas, arquivos e empresas de seis países europeus para criar conteúdos digitais para formação de adultos na área do património industrial.
Para criar este arquivo digital da Fábrica Grande a ADPTN conta ainda com o apoio da Associação Portuguesa de Património Industrial, Instituto Politécnico de Leiria, Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona. Existe ainda uma parceria com a Associação de Reformados e Pensionistas de Torres Novas, que está a apoiar no contacto a ex-funcionários da Fiação e Tecidos.
O projeto está a arrancar e a ADPTN realizou a sessão de terça-feira para lançar o alerta, na expetativa de reunir o máximo de testemunhos possível até março.
