O cidadão Abílio Dias Afonso teve a visão, o Atelier MODO Associados juntou-se à ideia e deu-lhe forma e enquadramento. Num exercício de reflexão chegou-se à concepção da Várzea Grande de Tomar, como uma grande praça multiusos.

A visão foi de uma grande praça coberta, como espaço multiusos, com edificação sob a qual se pode continuar a circular ao nível do solo e se eleva sobre um parque de estacionamento subterrâneo que, incluindo túnel constituído eixo pedestre, liga às plataformas de transportes de comboios e autocarros e conduz, também, ao extremo da edificação mais próxima do centro histórico de tomar, é sobretudo um exercício de reflexão.

Numa das mais privilegiadas “salas” de entrada de Tomar, outra sala, para espetáculos e outras atividades de dimensão maior, capaz de responder às exigências dos grandes eventos e de colocar Tomar, justamente, nesta rota nacional e internacional.

O exercício de Abílio Dias Afonso, que estimulou o Atelier MODO Associados a juntar-se à reflexão, parte do princípio que nenhuma discussão ou debate está definitivamente fechado.

A proposta de um equipamento cultural e de lazer diversificado e de longa duração, trazida agora ao conhecimento público,  sustenta-se na argumentação do aumento da atratividade de Tomar, potenciando uma nova oferta, combinando usos e abrindo o diálogo entre os vários edifícios já existentes na Várzea Grande (Convento de S. Francisco, Palácio da Justiça, Estação de Caminhos de Ferro, Terminal Rodoviário).

Desse diálogo resultariam inevitáveis dinâmicas, que estendiam a comunicação ao resto da cidade, especialmente centro histórico e Convento de Cristo.

O programa do projeto articula-se enquadrado por um cenário verde voltado para a paisagem urbana. Vê-se uma praça, que tem parque de estacionamento subterrâneo integrando um eixo pedestre, este adicionado aos vários caminhos que, à superfície, conduzem ao centro histórico e aos terminais de transportes.

Dois volumes sobre a praça se concretizam: um, constituído por corpos monolíticos, que permite a articulação entre o parque de estacionamento subterrâneo e a ligação aos diversos locais da superfície e acima; nele repousa outro volume, o edifício, que acolhe o espaço nuclear multiusos, em vidro translúcido.

O primeiro está ancorado no chão, revela a topografia do lugar e define a praça coberta, enquanto o segundo volume, a elevação, porque atravessado pela luz exterior, permite que o edifício se desvaneça, refletindo também a sua envolvente.

Este espaço procura diluir-se nas pré-existências que o rodeiam, como uma extensão habitada da Várzea Grande. À noite, esta caixa permite a centralidade da luz. “O conjunto resultante será uma marca de revitalização urbana da cidade e uma referência na região Centro do país”, defendem os proponentes.

O Espaço de Cultura e Lazer assim pensado para esta zona “poderá ser remunerador para a cidade e para a região.” Seria ainda “um recomeçar, com ponto de partida diferente, para aproveitamento maior das excecionais potencialidades que a Várzea Grande disponibiliza”, defende Abílio Dias Afonso, no contributo que entregou à autarquia, no âmbito do processo de discussão pública da requalificação da Várzea Grande.

Esta estrutura abre-se aos novos eventos ao mesmo tempo que considera as necessidades e carências das já existentes. A Festa dos Tabuleiros é um dos casos. “É muito limitada a capacidade da Praça da República para acolher os milhares de interessados em presenciar a bênção dos tabuleiros, momento alto da Festa.

Admitindo que a atual capacidade não será superior a três mil assistentes, a ambição tem que ser maior. O atrevimento de quebrar a tradição, na mudança do local, é também alimentado pela intenção de dar outra dimensão a esse momento, pelo maior envolvimento humano, indo ao encontro da pretensão unânime da Festa dos Tabuleiros vir a ser considerada Património Imaterial da Humanidade.”

A Feira de Santa Iria é outro dos casos. E este projeto apresenta-se neste contexto como uma solução, “podendo manter-se no espaço uma parte significativa das atividades da Feira de Santa Iria.” Ainda sobre as carências que motivaram esta proposta, constata-se “a não existência em Tomar de uma sala de espetáculos com capacidade para assistência numerosa, interessada em grandes eventos de caráter nacional e internacional e que proporcione boas condições acústicas.”

Sobre o projeto que agora se desenha, defendem que o edifício prevê o respeito pelo local, em função da finalidade da sua criação e da sua utilização tradicional como praça ao longo dos séculos, permitindo que assim continue, apenas se apoiando nela para se elevar, como símbolo de modernidade, que em patamar superior contempla a sua história e a da zona urbana envolvente.

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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