O autarca de Tomar esclareceu que já há financiamento acordado para a primeira fase das obras, embora, não estando o projeto ainda fechado, seja impossível avançar neste momento com o valor exato do custo da empreitada. Também a data de início dos trabalhos é ainda uma incógnita, embora a vontade seja de avançar o mais rápido possível, logo que ultrapassados todos os diversos prazos legais.
Trata-se de um projeto da Câmara Municipal de Tomar que procura aumentar a segurança pedonal e viária através de pavimentos “mais adequados e confortáveis” a cada uma das diversas funções, promovendo a valorização do património histórico que o caracteriza, bem como a substituição de infraestruturas, redes de drenagens domésticas e pluviais, abastecimento de águas, eletricidade e telecomunicações.
Numa primeira fase, a empreitada irá incidir nas ruas ainda não intervencionadas para sul da de S. João, e numa segunda fase na Av. Cândido Madureira, Praceta do Infante D. Henrique e Rua dos Arcos.


A única alteração com impacto na circulação será o encerramento ao tráfego automóvel da Rua Infantaria 15, que terá apenas circulação condicionada para cargas e descargas. Os autocarros dos transportes urbanos passam a fazer o seu circuito pela Rua de S. João e pela Rua Everard.
A apresentação projeto esteve a cargo do arquiteto Paulo Tormenta, do gabinete Domitianus – Arquitetura, que procurou “acertar as intenções de projeto com questões essenciais para o funcionamento da cidade”, nos eixos que compreendem a Avenida Dr. Cândido Madureira, Rua dos Arcos e os arruamentos do centro histórico. O arquiteto assegurou ainda que será mantido o traçado que caracteriza a zona histórica do concelho de Tomar.
De acordo com Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar, este é um trabalho que se iniciou há cerca de dois anos com o objetivo de “dotar com infraestruturas que ainda estejam em falta ou de reabilitar as existentes”.
Nos arruamentos será feita a reabilitação e a modernização das infraestruturas, a colocação de novas condutas de abastecimento de água, mas também “acrescentar o saneamento” e as condutas elétricas passarão a ser subterrâneas.
“Esse é sempre o primeiro objetivo, as infraestruturas, aquilo que não se vai ver, mas que efetivamente é aquilo que acaba por, quase sempre dar mais trabalho e até também algumas surpresas inesperadas, como tem sido exemplo em várias das obras que temos feito, uma vez que raramente os cadastros existentes correspondem àquilo que efetivamente está no local”, afirma o autarca.
Para além da intervenção nas infraestruturas e como consequência da mesma, será reabilitada também a superfície, nomeadamente os pisos, para que “eles sejam, desde logo, confortáveis para quem no dia a dia circula”.
A intervenção no pavimento procura melhorar a mobilidade em Tomar, permitindo uma melhoria dos acessos, comodidade na deslocação pedonal e para a circulação com carrinhos de bebé e pessoas com mobilidade reduzida.
“Dar essa mobilidade a esse conforto sem, obviamente, deixar de perder aquilo que seja a identidade característica do nosso do nosso centro histórico”, acrescenta Hugo Cristóvão.
Embora alguma das ruas do centro histórico tenham sido intervencionadas há cerca de duas décadas, o projeto irá incidir “numa zona que estava por intervencionar” e que apresenta “deficiência nas infraestruturas e a necessidade de modernizar os pavimentos utilizados e a forma de circulação”.
“Estas ruas que não estão intervencionadas têm características diferentes e têm, por isso, algumas necessidades diferentes. Mas o que se pretendeu, ainda assim, foi de facto ter aqui um projeto que tivesse uma filosofia comum, independentemente de poder ter, num caso ou outro, algumas soluções diferenciadas”, garante o edil.
A empreitada será dividida em das fases, esperando-se que o lançamento da primeira ocorra ocorra no próximo ano.
“Desde logo porque também há questões de financiamento, portanto não temos neste momento financiamento para toda a obra e por isso a faseamos. Mas também porque não seria sensato avançar para toda esta zona ao mesmo tempo. Uma obra causa sempre naturalmente incómodos e, portanto, temos que ter aqui alguma razoabilidade na dimensão da zona a intervencionar”, explica.
Paulo Tormenta explicou que o projeto prevê a manutenção do seixo rolado (reutilizando o material já existente) na Rua Dr. Joaquim Jacinto e na Rua do Pé da Costa de Baixo, mas associado à utilização de lajes de pedra em calcário lateralmente, material característico da região e já usado noutras ruas, criando condições para pessoas com mobilidade reduzida.
Nas restantes ruas, a calçada será em micro-paralelos (mais aderentes que os cubos tradicionais), igualmente com lajeado nos lados. A Rua Infantaria 15 terá apenas lajeado, sempre com predominância do calcário. Em relação a este, o responsável pelo projeto salientou que terá que ser garantido que as lajes não sejam demasiado claras, por causa do conforto térmico e ocular no verão, nem lisas, e com bom escoamento, para evitar o escorregamento quando chove.

O arquiteto salientou ainda que é fundamental, por questões ambientais, manter as plantas no centro histórico, pelo que, não só se irão preservar as flores e arbustos que ladeiam estas ruas, como os moradores serão incentivados a plantá-las.
Em relação à segunda fase, a Avenida Cândido Madureira e a Rua dos Arcos irão manter o número de estacionamentos, sendo a bolsa de táxis dividida entre as duas, mas apenas com 12 lugares, ao invés dos atuais 16, tendo em atenção o número de licenças atribuídas. Na primeira, todos os lugares passam a ser longitudinais, enquanto na segunda são criadas bolsas de estacionamento de ambos os lados, em vez de este ser feito apenas na via.
Está ainda prevista uma intervenção na Praceta do Infante D. Henrique, de modo a recuperar a sua monumentalidade original, bem como um espaço de encontro e de fruição, retirando apenas daquele local o estacionamento automóvel e ficando a circulação condicionada, acrescendo igualmente a plantação de algumas árvores.
O projeto apresentado à comunidade encontra-se numa fase que “não é ainda a final”, razão pelo qual o executivo optou por apresentá-lo aos tomarenses e “quem sabe ainda poder acolher uma ou outra sugestão que possa ocorrer”, afirmou o edil.

No final da sessão, houve espaço para a colocação de questões e dúvidas sobre o projeto, tendo os habitantes manifestado a sua preocupação com o eventual corte de árvores, o piso escolhido e se este se tornará escorregadio em períodos de chuva e ainda a falta de estacionamento no centro histórico.
Hugo Cristóvão lembrou que há algumas espécies de árvores que não são as mais adequadas para o espaço e o seu estado de conservação será também um fator a ter em conta. “Para contrariar esta ideia que estamos a retirar árvore, não, está-se a acrescentar árvores e a colocar espécies mais adequadas para o meio urbano. Nos sítios onde seja possível e elas sejam apropriadas, manteremos”.
O arquiteto responsável acrescentou que o projeto prevê a plantação de cerca de 40 árvores na Avenida Dr. Cândido Madureira.
Quanto aos pavimentos, Paulo Tormenta esclarece que o processo de escorregamento se encontra relacionado com a textura da própria pedra e com a drenagem da água. A ideia é “que os pavimentos não acumulem água para permitir que, num processo de chuva, os pavimentos estejam secos”.










