Tomar assinalou, no passado dia 1 de março, 859 anos da fundação do seu castelo, tendo realizado a sua sessão solene comemorativa, cerimónia na qual participei com muito gosto e elevado orgulho, salientando o trabalho de proximidade dos autarcas que é, sem sombra de dúvida, uma das maiores conquistas da democracia e da liberdade. Dei, nesta distinta ocasião, os merecidos parabéns à Sra. Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Dra. Anabela Freitas, saudando a sua recente eleição para Presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Trata-se de uma demonstração clara e inequívoca que Tomar, com a sua liderança, voltou a ganhar centralidade regional, centralidade e respeito que se ganha no espírito de cooperação e trabalho com que sempre norteou a sua actividade pública.
Não devemos esquecer também que desde só desde que o PS lidera o município é que Tomar se veste de gala nesta cerimónia oficial, que ganhou outra dimensão perante o que anteriormente existia. De facto, só desde dia 1 de março de 2014 é que contamos com esta sessão solene, presenciada por muitos cidadãos, que a todos dignifica.
Que futuro queremos para o concelho foi uma das interrogações que tentei responder no discurso que proferi enquanto representante da bancada municipal do PS. De facto, no atual contexto, o nosso concelho deve aproveitar para se projectar no mercado global buscando aquelas que são as suas maiores valências que vão do turismo, ao ensino, passando pelo património militar ou pela cultura. Um concelho que está na vanguarda da inovação, deve ser este o objectivo de todos. E estamos no bom caminho, aproveitando para sermos uma das poucas cidades do país com um instituto politécnico com sede no seu território mas sem ser capital de distrito.
Tomar é um concelho que está a crescer exponencialmente do ponto de vista turístico e que deve encontrar, além dessa âncora, outras formas de criar riqueza. E será certamente esse o concelho do futuro. Mas novos desafios devem ser colocados em matéria ambiental e aí devemos estar conscientes dos caminhos da descarbonização, das energias renováveis e do combate ao aquecimento global. Tomar tem estado e deve continuar nesse caminho da sustentabilidade. Contudo, sem esquecer aquelas que são as actividades mais tradicionais, e cruciais para o nosso território, como o sector agrícola, os vinhos, a floresta mas também a actividade industrial sustentável e o comércio e os serviços. Tomar também deve ser por isso associativismo, nas suas largas dezenas de associações, que fazem do nosso território um exemplo.
Grande parte das novas gerações tem novos desafios ligados a uma sociedade imediata e digital, onde o conceito de sociedade 5.0, ultrapassa em muito o já rebatido tema das cidades inteligentes. Tomar deve estar envolvido nessa transição de um mundo 4G para um mundo 5G. Todos saímos a ganhar e muitos dos projectos apresentados pelo actual executivo vão nesse sentido.
Tomar também deve ser sinónimo de participação e democracia. Dessa forma fomos – e bem – pioneiros no Orçamento Participativo e devemos continuar a fomentar uma participação fundamentada dos cidadãos. Tomar deve ser um concelho que combate todo o tipo de discriminações. Todos têm lugar sem ser discriminados, em razão de género, religião, ideologia, instrução, orientação sexual, raça, ou simplesmente por uma ascendência, instrução ou pela freguesia que são de origem. É nosso dever fazer cumprir o artigo 13º da nossa constituição, em questões tão simples como darmos a todos os jovens as mesmas oportunidades, independentemente de serem da cidade ou da aldeia, serem filhos de professores universitários ou de pais sem a escolaridade obrigatória ou serem filhos de famílias tradicionais ou não. Sublinho também o papel desenvolvido pelas IPSS’s que fazem com que Tomar também seja sinónimo de solidariedade social, apoiando os mais vulneráveis.
Tomar também deve ser Europa ou não fossem os fundos comunitários, no período até 2030, um dos grandes desafios dos territórios que vão ter de aprender a viver sem esses fundos. A Europa permitiu o desenvolvimento e o crescimento do nosso país e, em ano de eleições europeias, devemos relembrar esse legado. O desenvolvimento e a demografia são outros desafios que requerem o nosso empenho, levando cada vez mais pessoas a fixarem-se no concelho.
Compete a todos os eleitos, no decurso do normal combate politico, não levar Tomar para o charco. Compete-nos a nós sublinhar o positivo, não entrando em odes de populismo, julgamentos populares ou através de uma simples partilha de desinformação. A desinformação (fake news) é mesmo um dos maiores perigos da democracia.
Nesta sociedade digital, uma mentira é partilhada com grande velocidade enquanto a inevitável verdade não segue a mesma velocidade. É essa a nossa responsabilidade em democracia: escolher sempre as melhores opções. Todos nós, sem excepção, estamos convocados para mostrar ao mundo todo o potencial de Tomar no horizonte do futuro.
