A localidade de Paialvo, em Tomar, regressou uma vez mais ao passado com a segunda edição do “Termo de Payalvo”, um evento de recriação histórica que proporciona uma viagem entre os séculos XII e XIX. Apesar do calor, um pouco acima do que seria normal nesta altura do ano, os habitantes responderam positivamente ao repto lançado pela organização e receberam os muitos visitantes trajados a rigor, desfilando pela aldeia perante muitos olhares curiosos.

Habitantes de Paialvo receberam visitantes do Termo vestidos a rigor Foto: mediotejo.net

Veludos, chapéus, capas, rendas, tecidos macios e de texturas diversas deram nas vistas e serviam de pretexto para que os visitantes tirassem uma fotografia com quem aceitou encarnar a personagem durante três dias. Como foi o caso de Olinda Macedo, 78 anos, uma dama antiga do século XVIII. “Tudo o que tenho vestido, a peruca e também esta sombrinha de renda foi-me entregue pela junta. Já tinha participado no ano passado. É um evento que gosto bastante, dá muita alegria à terra. As pessoas acham muita graça eu, com esta idade, participar”, refere.

Os seus netos, Ana e David, também embarcaram nesta aventura. Ana Eufrázio, 22 anos, estava vestida de noiva num lindo vestido acetinado, destacando-se as “jóias” reluzentes. A sombrinha branca de renda dava nas vistas. “Está a ser uma experiência muito positiva. É um evento muito bom para enaltecer a terra e também para aprendermos mais sobre a história deste lugar”, disse. O irmão, David Eufrázio, de 17 anos, representava a alta nobreza do século XVIII. “Gosto de me vestir assim e penso que deveria ter sido muito engraçado ter vivido nesta época apesar de, literalmente, estar a morrer de calor com esta roupa”, confessou, entre risos.

Olinda Macedo (ao centro) com os netos Ana e David, três habitantes da aldeia que vestiram a rigor Foto: mediotejo.net

Igualmente trajado a rigor, num verde fato sedoso, o presidente da Junta de Paialvo, Luís Antunes, refere que, apesar de muitas pessoas já terem estes fatos de época em casa, a maioria dos que aqui se veem tiveram que ser alugados a uma empresa. “Sinto que existe falta de oferta na nossa região. Há tantas recriações históricas que se fazem em Tomar e não há ninguém no mercado que veja que aqui há um filão a explorar, pois são estes fatos que dão o colorido aos eventos”, referiu ao mediotejo.net.

Evento contou com vários desfiles históricos Foto: mediotejo.net

O autarca deu as boas-vindas a um conjunto de convidados na Quinta do Lagar de São José, na tarde de sábado, 20 de maio, salientando que o “Termo de Payalvo” é uma iniciativa que conta com a colaboração de muitos voluntários. “Este evento pretende que se fale da nossa história mas também do potencial da nossa freguesia. O que vão ver é tudo trabalho voluntário, sendo que a autarquia nos cedeu o equipamento e material para montarmos os espaços onde funcionam as coletividades”, referiu.

No final do terceiro dia, fez um balanço muito positivo de mais uma edição, referindo que as seis coletividades que ali estão a dinamizar as “tavernas” lhe deram um bom feedback ao nível do movimento registado. “As recriações históricas que fizemos também são importantes para que as pessoas fiquem a saber a linda história que Paialvo tem. Fizemos, por exemplo, uma recriação fiel da elevação a vila a partir de documentos que trouxemos da Torre do Tombo e também o Rancho “Os Camponeses” da Peralva recriou o ambiente típico vivido nas tabernas”, indicou.

Presidente da autarquia, Anabela Freitas, surgiu vestida a rigor na abertura simbólica deste evento Foto: mediotejo.net

Também a presidente da autarquia, Anabela Freitas, surgiu vestida a rigor no Termo de Payalvo. “Paialvo tem, teve e deverá continuar a ter, no concelho, uma grande importância histórica pelo que este tipo de eventos são importantes para avivar a memória das pessoas e para respeitar aquilo que foi o trabalho dos nossos antepassados”, referiu.

A autarca referiu que, para a Câmara, este evento tem dois significados: honrar a memória/identidade e fazer com que Tomar não seja só a cidade. “Tomar é um concelho composto por 11 freguesias e todas elas têm histórias. Quando “vendemos” Tomar não estamos a promover apenas a cidade mas o concelho”, disse, referindo-se à riqueza patrimonial que existe no meio rural.

Anabela Freitas e Luís Antunes salientaram a importância histórica de Paialvo Foto: mediotejo.net

Luís Antunes recorda que Paialvo era um bom marco estratégico-militar pelo que se pode dizer, “com toda a propriedade: freguesia de Paialvo templária”. Considera que as “sementes estão lançadas” para que o evento se repita em novas edições. “Temos, muito fielmente dizendo, reminiscências templárias. Se dizemos que Tomar é cidade templária, porque não dizer antes Tomar, concelho templário?”, lança.

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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