A Zero destaca na sua lista anual, num total de 81 praias com Zero Poluição, a classificação de duas praias interiores, Alqueidão e Montes, ambas localizadas no concelho de Tomar, distrito de Santarém. “De salientar que é extremamente difícil conseguir um registo incólume ao longo de três anos nas zonas balneares interiores, muito mais suscetíveis à poluição microbiológica. À exceção de duas praias interiores, todas as restantes praias são costeiras”, refere a associação, tendo o presidente da Câmara de Tomar salientado ao mediotejo.net a qualidade da água da albufeira de Castelo do Bode e um total de cinco praias classificadas no concelho.
“A qualidade de água que temos na Albufeira de Castelo do Bode é, de facto, sempre boa, portanto, não é propriamente uma novidade. Eu diria que não apenas nos pontos ou nas praias de Montes e Alqueidão, mas, à partida, nas demais que estão classificadas como praias – Bairrada, Alverangel e Vila Nova -, isto só para falarmos do nosso concelho. E, portanto, para nós não é, de facto, novidade, mas é um estímulo e mais um sinal de reconhecimento e também mais uma razão para a promoção do nosso concelho e para aquilo que é a qualidade e a oferta disponível para os residentes e visitantes do nosso território”, disse ao mediotejo.net o presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão.
A classificação de “Zero Poluição” é atribuída às praias onde, ao longo das três últimas épocas balneares, não foi detetada qualquer presença de contaminação microbiológica nas águas. Em 2025, estas praias representam 12% do total das 673 águas balneares em Portugal, o que corresponde a um aumento de 3%, com a inclusão de 22 novas praias na lista.
Para manter a certificação, as águas devem manter uma qualidade “excelente”, conforme estipulado pela legislação em vigor. Contudo, a deteção de microrganismos, mesmo que abaixo do valor-limite, pode fazer com que a praia perca o título de “Zero Poluição”.
“Nós sabemos que a Albufeira de Castelo do Bode é um segredo muito pouco guardado, porque na verdade a afluência de pessoas, quer aqui do nosso território, quer vindas um pouco de todo o lado, é muito grande. Há quase que um universo paralelo aqui no concelho de Tomar no que diz respeito à vivência socioeconómica em torno da Albufeira de Castelo do Bode, em termos de negócios ali existentes, ligados ao turismo e aos desportos náuticos, sendo muitas as pessoas que frequentam os vários espaços que existem ao longo da linha da Albufeira”, destacou o autarca de Tomar, Hugo Cristóvão.
ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:
Hugo Cristóvão disse ainda que, das cinco praias fluviais classificadas como tal no concelho de Tomar, a de Alqueidão é a que está mais perto de conseguir ter condições e infraestruturas para ter nadadores-salvadores na época balnear, o que poderá não ser ainda este ano.
Tendo feito notar ser difícil alcançar os “requisitos” para submeter candidaturas à Bandeira Azul para estes espaços, quer pelas “burocracias”, “condicionantes” do Plano de Ordenamento da Albufeira e pela própria “orografia” dos terrenos onde estão localizadas, o autarca afirmou, no entanto, o enorme potencial da zona em toda a linha da albufeira e o interesse do município em “continuar a melhorar” estes espaços. A época balnear abre em Tomar no dia 14 de junho, nas piscinas municipais, que estão a postos para a nova época de verão e que será dotada, como habitualmente, de nadadores salvadores para garantir a vigilância e segurança.
Portugal com 81 praias Zero Poluição, mais 22 do que no ano passado
A associação ambientalista Zero reconheceu 81 praias Zero Poluição em 39 concelhos do continente e ilhas da Madeira e Açores, mais 22 que em 2024, divulgou a associação.
Em comunicado, a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável revela que o objetivo alcançado este ano “é verdadeiramente aquilo que à escala europeia se deseja no quadro do Pacto Ecológico Europeu, em particular no âmbito do Plano de Ação para a Poluição Zero”.
Este ano foram reconhecidas 81 praias Zero Poluição no total do país, em 39 concelhos, o que representa 12% do total das 673 águas balneares existentes. Das 81 praias identificadas, 55 localizam-se no continente, 20 nos Açores e seis na Madeira.
Comparativamente a 2024, ano em que tinham sido reconhecidas 59 praias, existiu um aumento de representação de 3%. Em termos de balanço, em relação ao ano passado saíram da lista 19 praias e entraram 41 novas.
Os municípios que apresentam o maior número de Praias Zero são Torres Vedras (11 praias), no distrito de Lisboa, Grândola (sete praias), no distrito de Setúbal, e Alcobaça (quatro praias), no distrito de Leiria.
A Zero destaca a classificação de duas praias interiores, Alqueidão e Montes, ambas localizadas no concelho de Tomar, distrito de Santarém.
“De salientar que é extremamente difícil conseguir um registo incólume ao longo de três anos nas zonas balneares interiores, muito mais suscetíveis à poluição microbiológica. À exceção de duas praias interiores, todas as restantes praias são costeiras”, refere a associação.
A Zero salienta também o facto de os municípios de Angra do Heroísmo (Açores), Grândola (Setúbal), Ílhavo (Aveiro), Lajes das Flores (Açores), Lourinhã (Leiria), Olhão (Faro), Peniche (Leiria), Santa Cruz (Madeira), Santiago do Cacém (Setúbal), Sines (Setúbal), Tomar (Santarém) e Torres Vedras (Lisboa) terem entrado para a lista de concelhos com pelo menos uma Praia Zero Poluição.
Já os concelhos de Leiria, Machico (Madeira), Pombal (distrito de Leiria) e Santa Cruz das Flores (Açores) deixaram de estar representados.
Para a abertura do ano balnear, a Zero deixa alguns alertas para as entidades e banhistas.
“Por razões ambientais e de segurança, só devem ser frequentadas praias classificadas como zonas balneares, onde se conhece a qualidade da água e onde haja vigilância, não devem ser deixados quaisquer resíduos na praia e, sempre que possível, devemos encaminhá-los através da recolha seletiva e deve-se preservar a paisagem e os ecossistemas envolventes das zonas balneares, evitando o pisoteio de dunas e outras áreas sensíveis”, aconselha.
Uma praia Zero Poluição é assim denominada a partir de dados da Agência Portuguesa do Ambiente, em que são identificadas as praias que, ao longo das três últimas épocas balneares (no caso, 2021, 2022 e 2023), não só tiveram sempre classificação “excelente” como apresentaram valores zero ou inferiores ao limite de deteção em todas as análises efetuadas aos dois parâmetros microbiológicos controlados e previstos na legislação (Escherichia coli e Enterococos intestinais).
c/LUSA

