Tabuleiros adornados com pão e flores naturais e espinhas de trigo, encimados pela pomba do Espirito Santo, voltaram a desfilar este domingo, 20 de maio, pela localidade de Carregueiros, Tomar, em mais uma Festa em honra do Divino Espírito Santo.
Os tabuleiros são da altura das raparigas que os trazem e correspondem tradicionalmente a uma promessa feita ou agradecimento de graça recebida, sendo constituídos com suas fiadas pentaculares (5 canas),cada uma com 6 pães de 400 gramas.
Rui Graça, elemento da Confraria do Divino Espírito Santo, explicou ao mediotejo.net que esta festa é a realização de um cortejo que tem como objetivo honrar o Divino Espírito Santo sendo que este ano não se conseguiu arranjar uma comissão (assumida por um juiz e mais sete irmãos) para assegurar a realização da festa no próximo ano pelo que será a mesa administrativa da Confraria a receber a coroa para ficar responsável pela organização da mesma.

A festa em honra do Divino Espírito Santo consiste no desfile de Tabuleiros – semelhantes aos da Festa dos Tabuleiros de Tomar – sendo a diferença é que aqui são usadas flores naturais e não de papel.
“A nossa festa é estritamente de carácter religioso”, explica Rui Graça, admitindo que não é muito fácil mobilizar participantes para esta tradição sendo que o número de tabuleiros, nos últimos anos, anda à volta das duas dezenas. Os pares concentram-se na Capela de Santo Amaro, sendo que o cortejo realiza-se até à Igreja Matriz. A festa termina esta segunda feira com a entrega da coroa à mesa administrativa.
De acordo com informação do grupo TemplAnima, a procissão traduz a antiga oferta das primícias das colheitas, o linho e o pão, sob a forma de fogaça a depositar no altar, como ainda se faz no lugar do Freixo-Alviobeira (por exemplo) onde antes da missa há a recolha dos tabuleiros e oferendas.
As raparigas usam o traje branco virginal rendado, faixa de seda colorida, sapatos de carneira branca, sendo que os mancebos a seu lado vestem fato domingueiro.

À frente, alçada a cruz de prata, logo seguida de dois confrades – mordomos com lanternas e o Pendão; segue-se o juiz com a coroa de prata lavrada. Ao todo sete confrades do Divino Espírito Santo com suas opas (capas) vermelhas, precedendo-os os bombos e gaita de foles. Depois o povo. Segue a procissão até ao outeiro da Igreja de S.Miguel – o santo dos lugares altos – já fora da povoação. Ali há missa cantada e procede-se à bênção do pão.
Benzem-se os tabuleiros e revezam-se os irmãos. No regresso a procissão dá a volta às ruas da povoação e segue até casa do juiz, distribuindo-se ali o pão já benzido.
