A dificuldade dos bombeiros municipais de Tomar em assegurar transporte não urgente de doentes foi debatida pelos elementos do executivo camarário na reunião da passada segunda-feira, dia 1. O tema foi levado ao Salão Nobre dos Paços do Concelho por um munícipe e acabou por gerar troca de palavras entre PS e PSD em que não faltou a mudança dos bombeiros municipais para voluntários.
Hélder Martins foi um dos cidadãos tomarenses inscritos no período dedicado ao público no início da reunião da Câmara Municipal de Tomar desta segunda-feira. Na sua intervenção começou por referir a situação familiar que, num passado recente, obrigou a que diversas pessoas necessitassem do serviço de transporte não urgente de doentes.
As dificuldades enfrentadas quando se dirigiu aos bombeiros municipais foram expostas ao executivo com referência ao transporte solicitado não ter sido assegurado na altura com a justificação de falta de capacidade de resposta ao nível de meios materiais e humanos. O serviço acabaria por ser realizado pelos bombeiros voluntários de Torres Novas, envolvendo um encargo financeiro de 90 euros.

Na sua resposta ao munícipe, Anabela Freitas começou por esclarecer que o transporte não urgente de doentes não é uma prioridade dos bombeiros. Este tipo de transporte continua a ser feito, referiu, mas apenas quando se verifica disponibilidade dos meios necessários (materiais e humanos) uma vez que tem de estar sempre assegurado o mínimo para responder a determinadas ocorrências.
A presidente da autarquia acrescentou que, neste momento, se encontra a decorrer um concurso para admissão de 14 novos bombeiros, no qual 11 dos 17 candidatos compareceram para prestar prova. Outros pontos indicados foram a atual discussão nacional sobre o estatuto dos bombeiros e as condições pouco apelativas da função, nomeadamente os critérios de admissão e a remuneração.
Hélder Martins concluiu a sua exposição destacando que todos os bombeiros deviam funcionar bem, independentemente de serem municipais ou voluntários e que no caso dos bombeiros municipais de Tomar, a situação piorou desde o ano passado. Anabela Freitas respondeu tratar-se de um período em que alguns bombeiros se reformaram, situação que está a ser resolvida.

O tema regressou já no Período de Antes da Ordem do Dia (PAOD) quando Célia Bonet tomou a palavra e começou por referir que o assunto já tinha sido apresentado pelo seu partido em situações anteriores. Segundo a vereadora do PSD, o cenário atual dos bombeiros municipais gera os pedidos de reforma e a dificuldade no recrutamento, sendo defendido um contacto mais próximo por parte da autarquia.
Anabela Freitas esclareceu que o serviço de piquete era assegurado por bombeiros na reserva e que os pagamentos realizados neste âmbito chegaram a ser chumbados anteriormente pelos vereadores do PSD. O assunto, acrescentou, estava a tentar ser resolvido “na diretiva financeira deste ano” e a proposta de se realizarem estes pagamentos apenas será apresentada em reunião de câmara quando tudo estiver legalmente esclarecido.
Célia Bonet sublinhou então a necessidade de se esclarecer a situação atual dos bombeiros municipais de Tomar uma vez que outros, como os bombeiros de Torres Novas, conseguiam assegurar o transporte não urgente de doentes dos respetivos concelhos e “do nosso”. Em resposta, a presidente da autarquia referiu tratar-se de um problema transversal aos bombeiros municipais e que os outros bombeiros indicados são voluntários.

Anabela Freitas apontou as limitações legais na contratação dos bombeiros municipais, assim como as formas de financiamento, e questionou a vereadora social-democrata se se sentia tranquila e confortável num sistema de Proteção Civil assente em associações de direito privado. A presidente sublinhou que no seu caso “não” e acrescentou que a dedicação dos elementos deve ser total.
Célia Bonet pediu então para Anabela Freitas confirmar se um concelho com bombeiros voluntários “está em perigo” e defendeu que a “encruzilhada” em que se encontram os bombeiros municipais de Tomar deve ser “ultrapassada”. A presidente da autarquia respondeu, dizendo entender que o PSD defendia a substituição dos bombeiros municipais pelos voluntários, ideia refutada pela vereadora social-democrata.
