Presidente Anabela Freitas percorreu o certame, questionando os feirantes se estavam satisfeitos com a nova localização Foto: mediotejo.net

No coração de Tomar, a nova localização da Feira de Santa Iria despertava sentimentos mistos aquando a sua abertura, ao fim da tarde de sexta-feira, 12 de outubro. O executivo municipal assumiu o “risco” desta aposta e garante que vai procurar ouvir as opiniões dos feirantes até ao término da Feira, dia 21. Muitos estavam satisfeitos com os novos espaços de exposição, destacando o “espírito de Feira”, mas houve também quem criticasse os problemas de acesso para os visitantes, com um trânsito algo caótico logo no primeiro dia.

Luís Ramos, natural da Sertã, faz a Feira de Santa Iria de Tomar há 25 anos, vendendo com a família farturas e também castanhas, serviço último no qual o encontramos aquando a visita do executivo municipal ao certame. Este ano a Feira deixou a Várzea Grande, devido a um projeto de obras que ainda não iniciou, e encontra-se dispersa por toda a envolvente do Mercado Municipal. Os stands, segundo informação municipal, mantêm-se sensivelmente no mesmo número, apenas os divertimentos tiveram que diminuir devido ao limite do espaço.

Luís Ramos faz a Feira há 25 anos e admitiu algum receio com a nova localização Foto: mediotejo.net

Não tendo ainda uma opinião muito estruturada sobre a mudança, a perspetiva de Luís Ramos não era porém positiva. Junto à margem direita do rio Nabão, a paisagem melhorou substancialmente, reconheceu face à interpelação do mediotejo.net, mas o espaço é mais exíguo e o trânsito no centro da cidade estava caótico devido às estradas cortadas. “É o primeiro dia e já mal se passa na rua com estas pessoas. Como será no fim de semana?”, questionava-se.

A Feira de Santa Iria de Tomar faz parte do programa de feiras que percorre. “Uns anos vale a pena, outros não. Depende do tempo, da qualidade da castanha”, sem esquecer os períodos de mais dificuldades económicas. Este ano, admitiu ao nosso jornal, a permanência do calor não estava a convidar a comer castanhas.

Feira estende-se por toda a envolvente do Mercado Municipal. Foto: mediotejo.net

A sessão de abertura da Feira decorreu no Moinho da Moagem, onde foram entregues os prémios do concurso de trabalhos manuais destinado ao pré-escolar e 1º ciclo, desafiados a imaginar a Feria de Santa Iria em 2050. Sobre o certame, a presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, admitiu que a nova localização representava “um risco”, mas que procurou-se “manter aquela que é a coluna vertical da feira”, ou seja, a participação das crianças e o “espírito da feira”, a tradição.

“Sei que pode causar alguns transtorno”, reconheceu, recordando porém a larga história deste certame, uma antiga feira franca, sendo que decorrerá apenas por uma semana. “O espírito de feira tem que estar aqui presente”, afirmou.

Ainda assim a presidente, à medida que percorria o certame, foi perguntando aos feirantes a sua opinião sobre a mudança de localização. Problemas relacionados com os acessos, mesmo para carga e descarga de mercadorias, foram a fragilidade mais apontada, mas houve também quem parabenizasse a autarca pela mudança e elogiasse o novo espaço, “mais calmo” e com um “ambiente mais de Feira”.

No diálogo com feirantes houve também quem criticasse a antecipação da Feira em uma semana, que a coloca a cruzar-se com a de Vila Franca, sendo que seria melhor para o negócio se a Feira se cruzasse antes com a de Ourém, onde os comerciantes se poderiam revezar, fazendo duas ao mesmo tempo. Outro apontamento foi de que, havendo Feira, não deveria haver mercado, devido à falta de estacionamento.

“Este ano vamos avaliar”, foi a presidente explicando a quem a abordava com dúvidas sobre a nova localização e receios para a semana de trabalho que se avizinha.

Posteriormente, em declarações ao mediotejo.net, a autarca comentaria que cerca de 95% da opiniões que recebeu foram positivas, destacando-se que a nova localização “enquadra-se mais no espírito de feira franca” e terá inclusive menos pó e lamas, dado que por esta altura chove quase sempre.

“Tive algumas críticas construtivas que já transmiti”, afirmou, salientando que ao longo da semana se vai manter o diálogo com os feirantes.

Feira ocupa Parques de Estacionamento

O Parque de estacionamento de Santa Iria está ocupado com venda de artigos diversos (cutelaria, loiças, chapelaria, brinquedos, decoração, bijuterias, quinquilharia) e o Parque de estacionamento frente ao cemitério de Santa Maria é o palco para as atividades musicais e culturais (junto ao Centro de Emprego), stands de sapateiros, artigos agrícolas e marroquinaria.

A Avenida Norton de Matos fica encerrada ao trânsito para se efetuar a exposição de automóveis, havendo a seguinte exceção – entre a rotunda Alves Redol e a rotunda dos Bombeiros ficará um corredor de emergência do lado do Mercado Municipal, para viaturas prioritárias a todo o tempo e para ser utilizado diariamente entre as 7h00 e as 10h00 nos abastecimentos ao mercado e aos operadores da feira e no descongestionamento do trânsito.

A autarquia entendeu adotar esta norma uma vez que àquela hora há grande fluxo de tráfego automóvel a confluir para a rotunda Alves Redol, vindo da Rua Everard e da Avenida Cândido Madureira e que os veículos pesados de passageiros e de mercadorias terão dificuldade em utilizar o itinerário alternativo adotado. A regulação do trânsito será garantida pela PSP.

O Parque de estacionamento tarifado na Av. Norton de Matos está ocupado com a exposição de máquinas agrícolas. No passadiço na margem direita do rio Nabão, o espaço junto à Casa dos Cubos, está destinado, na parte inicial do lado esquerdo, à Feira das Passas, seguindo-se os stands dos artesãos.

Na parte lateral direita, confinando com as traseiras da Rua de S. Gião estão instalados os vendedores de bolos nacionais e regionais, queijo e fumados, os vendedores de frutos secos e as Associações (IPSS). No espaço por detrás do busto de Manuel Mendes Godinho estão representadas as Instituições Públicas e os Produtores Locais. O secretariado da Feira funciona no rés-do-chão do Edifício da Moagem.

Quanto aos locais de estacionamento próximo e durante a feira, os carros podem ser estacionados na Várzea Grande (exceto das 6h00 às 14h00) nos dias 12, 19 e 26 de outubro ou no espaço envolvente da Rua do Rio Nabão e da Rua do Flecheiro e no Parque de estacionamento na retaguarda da Torre da Igreja de Santa Maria (exceto nos dias 12, 19 e 26 de outubro das 6h00 às 14h00).

Procissão de Santa Iria a 20 de outubro

No sábado, 20 de outubro, realiza-se a Procissão de Santa Iria, uma tradição que vai contar com a participação das crianças da catequese das Paróquias do concelho, com o contributo em transporte da Juntas de Freguesia. Uma vez que não há aulas ao sábado, não se poderão envolver as crianças das escolas como é habitual.

O programa prevê Missa na Igreja de São João Baptista às 10h00, seguindo-se às 11h00 a Procissão, pela Rua Infantaria nº 15, Av. Cândido Madureira, Rua Everard e Ponte Velha e às 11h30 lançamento de flores ao rio Nabão.

Programa completo:

Sexta, dia 12

21h00 – Banda da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais

Sábado, dia 13

20h30 – Rancho Folclórico São Miguel de Carregueiros

21h30 – Rancho Folclórico “Os Canteiros” da Pedreira

22h30 – Banda Payalvense Manoel de Mattos

Domingo, dia 14

16h00 – Rancho Folclórico de Linhaceira

17h00 – Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Minjoelho

18h30 – Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa e Musical da Pedreira

Quarta, dia 17

21h00 – Noite de Fados pela Associação “Os Amigos do Fado de Tomar”, com os fadistas Vasco Serra; Ana Fernandes; Luís Filipe Fortunato; Rute Xavier; António Lourenço; Carmen Dolores, acompanhados por Diogo Ferreira (Guitarra) e Rui Girão (Viola), com apresentação de António Leiria

Sexta, dia 19

10h00 – Apresentação do livro sobre Santa Iria dos alunos do 12.º ano do curso de Artes Gráficas do Agrupamento de Escolas Templários (Complexo Cultural da Levada)

21h00 – Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina

22h30 – Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira

Sábado, dia 20 (Dia de Santa Iria)

10h00 – Missa na Igreja São João Baptista

11h00 – Procissão

21h30 – 28.º aniversário da Rádio Cidade de Tomar (espetáculo de variedades)

Domingo, dia 21

16h00 – Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Peralva

17h00 – Rancho Folclórico “As Lavadeiras” de Asseiceira

*Horário da feira: Segunda a Quinta, 15h00 às 24h00; Sextas, 15h00 à 01h00; Sábados, 11h00 à 01h00; Domingos, 11h00 às 24h00

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

Deixe um comentário

Leave a Reply