Foto: mediotejo.net

O Seminário “A Herança Templária – Desafios para um desenvolvimento sustentado”, que decorreu na manhã de quinta-feira, dia 7 de julho, marcou o arranque da Festa Templária, que vai animar Tomar até domingo, dia 10 de julho. A ideia passou por debater a sustentabilidade de projetos que preservem a herança deixada pela Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão e a necessidade de trabalhar em rede.

A edição do seminário deste ano dedicada à herança templária, bastante vincada em Tomar, levou até ao Convento de Cristo os oradores Andreia Galvão (diretora do Convento de Cristo), Ana Umbelino (vice-presidente da Rota Histórica das Linhas de Torres), Pedro Machado (Entidade Regional Turismo Centro) e o coronel Luís Albuquerque (Museu Militar de Lisboa).

Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, defendeu na sua intervenção inicial a necessidade de se criar e trabalhar em rede, ideia compartilhada por todos os oradores. “É criar uma rede que no fundo é uma rede que é regional, porque temos importante património templário e também uma rede de fortificado – um bocadinho à semelhança das Linhas de Torres – que possa ganhar uma força – a união faz a força – e essa rede é local, é regional, é nacional e é internacional”.

Encontra-se em fase de candidatura ao PRR o projeto para a criação de uma nova entrada que vai permitir separar as visitas ao Castelo e ao Convento. Foto: DR

A diretora do Convento de Cristo, defendendo que este monumento e o Castelo são “duas identidades num complexo monumental”, deu ainda a conhecer que o grande passo que está a ser dado é uma candidatura ao PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) para a criação de uma nova entrada.

“Está em concurso, em andamento, precisamente a criação de uma nova entrada (…) digna de um monumento desta grandeza, aproveitando todo o espaço do Paço Henriquino, das ruínas, e de facto criar aí uma espécie de um eixo que nos permite fazer inclusivamente visitas diferenciadas”, revelou.

Por sua vez, Anabela Freitas, presidente da Câmara de Tomar, e que também preside à CIM Médio Tejo, frisou a importância da ligação entre o Convento de Cristo e a cidade de Tomar – algo que também foi referido por Andreia Galvão – afirmando depois que está a ser desenvolvido trabalho com o Turismo de Portugal no sentido de criar uma rede nacional de sítios templários, estando já incluídos 21 concelhos.

O trabalho está a ser desenvolvido numa rede informal a qual depois será alargada de forma a se avançar para aquilo que é uma rede internacional, fazendo ligação à Templars Route European Federation, pelo que o objetivo passa por criar o itinerário cultural europeu, conforme explicou a presidente da Câmara de Tomar, que esclareceu que “fundamental” para isso acontecer é a inclusão de Israel.

Anabela Freitas disse que o projeto das Linhas de Torres serviu de inspiração para esta rede, afirmando convictamente que este trabalho só pode ser levado a cabo trabalhando em rede num território mais alargado para além do concelhio. Este projeto das Linhas de Torres foi inclusivamente também apresentado na sessão por Ana Umbelino, que sublinhou a importância de haver uma “associação” que assegure a governança, chamando também a atenção para a importância da educação patrimonial.

Ao mediotejo.net, Anabela Freitas disse que a Festa Templária sempre teve três dimensões, uma primeira dimensão académica – e daí a realização do seminário sobre a temática templária – uma dimensão patrimonial, pelo que o seminário é sempre feito no Convento de Cristo, que é o símbolo máximo dos templários no país e que permite discutir a temática templária “dentro daquilo que é efetivamente o ar templário”, e uma terceira dimensão mais recreativa, com a realização da Festa Templária que visa “divulgar Tomar, captar turistas também e que estes fiquem no território durante mais tempo”.

O seminário deu o pontapé de saída da Festa Templária, a qual anima Tomar entre 7 e 10 de julho. Foto: Luís Ribeiro

Também ao nosso jornal, Andreia Galvão disse que esta iniciativa é importante para o Convento de Cristo para se “perceber bem a importância da expansão deste tipo de temáticas para a valorização do território e para valorização do património”, pelo que é um privilégio receber este tipo de iniciativas e trabalhar com a Câmara de Tomar e Instituto Politécnico de Tomar (IPT), dando conta que o Convento cumpre sempre “esta missão ‘académica’ de abrir a festa templária com temáticas em volta da questão templária”.

“Vamos ter aqui contributos muitíssimo valiosos como exemplos e reflexões sobre como dinamizar e implementar esta temática dos templários como um produto, tornar um recurso num produto”, disse ainda a diretora do Convento de Cristo, acrescentando que “são estes eventos que as cidades também precisam, eventos cíclicos que se repitam e que se renovem e renovem temáticas que são âncora de desenvolvimento”.

Com o objetivo de “evocar o espírito Templário que molda a história e o traçado da cidade de Tomar”, a Festa Templária leva até domingo à cidade tomarense recriações históricas, visitas culturais, seminários, acampamentos, mercados, concursos e outras atividades que irão evocar a história, as lendas, os segredos e os mitos da Ordem dos Templários, a mais rica e poderosa instituição medieval.

A festividade decorre no Parque do Mouchão, com tasquinhas (destinadas à exploração pelas associações do concelho), lugares para a prestação de serviços de restauração e bebidas, a par de venda indiferenciada de produtos/materiais (incluindo bolos, frutos secos e licores embalados).

O evento realiza-se também nas Ruas Serpa Pinto, Magalhães, Infantaria 15 e Praça da República, onde os comerciantes e lojistas, “em estreita articulação com a organização do evento, no período da Festa Templária, estão autorizados a utilizar gratuitamente o espaço estritamente à frente do seu estabelecimento para venda de artigos que se enquadrem na temática da Festa Templária”, refere informação disponibilizada pelo município.

Descubra o programa completo:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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