António José Seguro defendeu hoje, em Tomar, que, com a presidência aberta, pretende “ajudar a encontrar soluções” e não “arranjar problemas” na resposta ao mau tempo, considerando que este não é o momento de se fazer “nenhuma avaliação”. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou “muito positivas” intervenções de PR para mais rapidez nos apoios.
“Todos nós, o senhor primeiro-ministro também, todos os membros do Governo, os autarcas, sobretudo os autarcas de freguesia e de município, sentem muito, no dia-a-dia e no contacto com as pessoas, muitas das vezes, desilusão, desalento e, por isso, a nossa ação, mais do que as nossas palavras, são cruciais neste momento da vida nacional”, afirmou o Presidente da República na sua intervenção cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Estrutura de Missão para a reconstrução da região centro do país e fundações, momento que decorreu no Complexo Cultural da Levada, em Tomar.
Discursando depois do primeiro-ministro, Luís Montenegro, Seguro explicou que o foco da sua primeira presidência aberta, na região Centro, é “ajudar a minorar as dificuldades das pessoas e centrada nas soluções dos seus problemas”.
“Bem sei que o poder executivo pertence ao Governo, que o senhor primeiro-ministro dirige, e, portanto, o meu contributo na presidência aberta é de ajudar a encontrar soluções, não é de arranjar problemas. Arranjar problemas já o país está cheio”, assegurou.

Para o Presidente da República, que tem insistido por diversas vezes na necessidade dos apoios serem céleres, é preciso concentrar “todos os esforços” para que “a vida das pessoas que foi afetada duramente, quer as vidas privadas, quer as vidas empresariais, possam rapidamente ser restauradas, ser recuperadas e as pessoas possam voltar a fazer a sua vida normal”.
“É esse o sentido e o dever que eu considero que deve ter o Presidente da República. É esse o sentido e o dever que eu continuarei a fazer daqui até sexta-feira nesta presidência aberta”, prometeu.
Seguro considerou que este não é o momento de se fazer “nenhuma avaliação”.
“Este é o momento de deixar a palavra, como Presidente da República, de reforço de todas as nossas energias e capacidades para que os apoios cheguem às famílias que precisam, às empresas que necessitam, para que elas voltem a recuperar toda a sua capacidade produtiva e para que esta região Centro, que é tão flagelada, quer no inverno, quer no verão, possa, de facto, perceber que o Estado está ao seu lado no processo de reconstrução e no processo de dinamização”, enfatizou.




No seu discurso, o primeiro-ministro tinha assumido que aos olhos das pessoas atingidas pelo “comboio de tempestades” que “ainda não conseguiram ter o resultado dos apoios que foram disponibilizados”, o Estado é o responsável.
“E nós temos conversado os dois [Montenegro e Seguro] muitas vezes neste sentido. Nós não precisamos de nenhum jogo de passa-culpas ou responsabilidades, nem de estar à procura de querer contribuir para nenhum tipo de polémica à volta dessa responsabilização”, disse o chefe do executivo.
O objetivo de Montenegro “é resolver os problemas”.
Depois desta cerimónia, Seguro e Montenegro seguiram para a sua reunião semanal e viajaram juntos, no carro do Presidente da República, entre a Central Elétrica de Tomar e a Escola Profissional de Tomar (a sede desta Presidência aberta), um percurso de cerca 450 metros.
Montenegro considera “muito positivas” intervenções de PR para mais rapidez nos apoios
O primeiro-ministro considerou hoje “muito positivas” as intervenções do Presidente da República sobre o mau tempo, classificando-as como “um impulso construtivo” para uma maior rapidez nos apoios e assumindo que há uma diferença entre a expectativa e o resultado imediato.
Com António José Seguro na primeira fila, Luís Montenegro discursou na cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Estrutura de Missão para a reconstrução da região centro do país e fundações, uma iniciativa integrada na agenda da Presidência aberta do chefe de Estado, que decorre até sexta-feira nas regiões mais afetadas pelo mau tempo de fevereiro.
“Eu quero, nesta ocasião dizer, senhor Presidente, que temos registado como muito positivas as suas intervenções e interações com as pessoas, com as comunidades, as instituições, as autoridades locais, num impulso que é construtivo para que todos os órgãos da administração e todas as estruturas da nossa sociedade possam convergir para sermos mais rápidos a executar, a agir e a transformar em realidade aquilo que está muitas vezes nas nossas intenções, nas nossas intervenções e mesmo nos novos instrumentos jurídicos e institucionais”, afirmou.
Da parte do Governo há esse empenhamento, disse o primeiro-ministro, agradecendo ainda a “cooperação inexcedível” do Presidente da República no tratamento mais célere dos procedimentos legislativos sobre o mau tempo.

Explicando que para que as pessoas e as empresas possam aceder aos apoios há procedimentos que é preciso cumprir, Montenegro assegurou que está atento à diferença “entre a expectativa que se cria e o resultado que se opera” e que tudo está a ser feito para “reduzir essa diferença”.
No encerramento da cerimónia de assinatura do protocolo, o Presidente da República aproveitou para felicitar a criação desta plataforma, que “canaliza de uma maneira muito transparente os recursos que a generosidade dos portugueses e das organizações entregam, para que chegue verdadeiramente a quem precise”.
“As contas solidárias nem sempre tiveram o melhor destino e isso, convém que sejamos honestos, gerou desconfiança em muita parte da população portuguesa e de organizações que diziam eu quero ajudar, mas não tenho a certeza que a minha ajuda chegue verdadeiramente a quem eu quero que chegue”, sustentou.
Para o chefe de Estado, “esta inovação criativa” vai ainda criar bases de confiança para situações futuras, junto dos portugueses que “demonstraram e têm demonstrado ao longo da vida que são extremamente solidários”.
“Desde aqueles que têm condições nas suas bolsas e nas suas contas bancárias para o ser, até aqueles que têm menos condições, mas que não resistem ao pelo do coração para ajudar, ainda que minimamente, para que a vida daqueles que precisam possa ser um pouco melhor do que realmente é”, referiu.
Na sua intervenção, Seguro repetiu ainda que “a solidariedade dos portugueses não pode dispensar a responsabilidade do Estado”.
“E também estamos aqui, em particular o senhor primeiro-ministro, para assumir essa responsabilidade”, concluiu.
c/Lusa
