A Santa Casa da Misericórdia de Tomar (SCMT), instituição com 507 anos de história, quer devolver a Igreja da Misericórdia (na Av. Dr. Cândido Madureira) à comunidade tomarense e a quem a visita, avançando com obras de recuperação no templo para que possa estar de portas abertas em permanência. A par, pretende expor todas as obras de arte que actualmente estão reservadas na sua sede do olhar do público num Museu a construir num espaço adjacente. Uma empreitada no valor de cerca de 297 mil euros que será concretizada nos próximos meses e para o qual contribuiu o Fundo Rainha D. Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O mediotejo.net entrevistou António Alexandre, vice-Provedor da instituição, que falou sobre este ensejo.

António Alexandre, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tomar Foto: mediotejo.net

Com que objectivo foi pensado a candidatura da SCMT a este Fundo Rainha D. Leonor?
António Alexandre – Nós já tínhamos vários projectos e um deles é no sentido de vir a substituir o telhado da Igreja da Santa Casa Casa porque chove lá dentro. Existindo este Fundo Rainha D. Leonor, criado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com a União das Misericórdias, com esta vertente de apoio para áreas sociais ou para a recuperação de Património, entendemos que a intervenção que queríamos fazer na Igreja da Misericórdia era compatível e candidatamo-nos a este financiamento.

Estamos a falar de um investimento avultado?
O orçamento para as obras anda na ordem dos 297 mil euros (296.933,42 euros), sendo que fomos financiados com o Fundo Rainha D. Leonor com 231 mil 576, 30 euros, uma comparticipação significativa. A nossa parte de investimento próprio é de 65 mil 357,12 euros.

O protocolo já foi assinado em janeiro. Em que fase está o processo?
Estamos na fase final para o lançamento do Concurso Público. Nomeamos um júri para apreciação das propostas, constituído por Irmãos da Misericórdia mas com experiência e currículo manifestamente público nesta área (Eng. José Delgado, Arq. Lourenço Gomes e Eng. Fernando Caetano). A mesa administrativa nomeou este júri porque reúne competências técnicas em recuperação de património.

Igreja da Misericórdia vai ser alvo de uma intervenção para abrir portas à comunidade tomarense Foto: mediotejo.net

Que tipo de intervenção está prevista para a Igreja da Misericórdia na Av. Dr. Cândido Madureira?
O que nós pretendemos, a ambição da Mesa Adminstrativa, passa não só por recuperar  o telhado – uma manifesta necessidade – mas também recuperar a própria Igreja da Misericórdia levando-a à sua função e devolvendo-a à comunidade com valor acrescentado. Há centenas de anos que se pratica o culto naquela Igreja mas ultimamente menos embora o templo receba periodicamente missas. Queremos que haja uma maior periodicidade de culto religioso nesta Igreja. O nosso capelão, designado por Sr. Bispo de Santarém, é o Padre Leopoldo Gonçalves. Todas as semanas, às quintas-feiras temos missa na Capela do Lar mas queremos devolver a Igreja da Misericórdia à cidade…

Porque é uma parte integrante do Património de Tomar…
Queremos devolver à cidade aquilo que é o seu Património importante sendo que a Misericórdia faz parte da história de Tomar há 507 anos (celebrados a 8 de dezembro). A Igreja é um marco importante, não só pelo culto mas também enquanto Património Histórico, vivo, construído e inserido no centro de uma cidade histórica, muito perto do Convento de Cristo que é Património Mundial da Humanidade.

O objectivo passa por abrir as portas da Igreja em permanência e vistável?
Sim, de portas abertas. Porque nós temos um importante espólio cultural que está muito bem perservado fruto do trabalho desta Mesa Administrativa e das anteriores têm desenvolvido essa recuperação. Temos uma série de Santos, quadros com história de vários séculos anteriores, que queremos recolocar na Igreja e dar um valor acrescentando ao templo.  Porque tornar-se-à patrimonialmente mais rica e importante não só para os turistas como para os cidadãos de Tomar que conhecem o nosso trabalho na àrea social mas não conhecem esta valiosa parte patrimonial da Misericórdia. Até porque queremos fazer da Igreja um local de culto mas também uma igreja-museu.

Objectivo passa também pela construção de um espaço museológico adjacente ao templo Foto: mediotejo.net

Vai existir um museu adjacente ao templo?
Sim, anexo à Igreja existe a Casa do Despacho onde está algum património artístico importante e que queremos ligar à própria Igreja. Agora vai-se proceder à intervenção na Igreja mas no futuro pensamos em fazer ali um conjunto museológico. Temos património suficiente para fazer essa exposição. Queremos devolver este Património à cidade. Acredito que 90% dos cidadãos de Tomar não conhecem, nem de perto, a verdadeira dimensão da Misericórdia. É essa dimensão que os órgãos sociais da Misericórdia querem tornar visível.

Esse será um ensejo a fazer por fases?
Vivemos neste momento a alegria de poder devolver, dentro de poucos meses, este património à cidade. Também há que dizer que a Câmara Municipal de Tomar acolheu muito bem esta ideia e fez uma deliberação, por unanimidade, manifestando a disponibilidade para ser nossa parceira no Museu, o que foi um grande incentivo para nós. Mas isto será uma consequência. Nesta primeira fase, vamos trabalhar na recuperação da Nave da Igreja, dando todas as condições necessárias ao templo. Vamos investir na recuperação do telhado, das paredes, das pedras, colocar iluminação nova, no fundo, vamos trabalhar na conservação do edifício no seu exterior e interior.

Depois, segue-se a recolocação do espólio no templo…
Sim. Nós, Misericórdia, somos os detentores das Coroas do Espírito Santo e do Pendão que, de quatro em quatro anos, integram a Festa dos Tabuleiros. Os Cortejos saem da Misericórdia. Durante o restante período, as coroas e o Pendão não estão visitáveis nem visíveis para as pessoas pelo que é nossa intenção que as Coroas passem a estar no Museu, visíveis ao público porque isso dá uma percepção diferente a quem nos visita. Poder ver permanentemente este património, durante os 365 dias do ano. E os cortejos da Festa dos Tabuleiros ao invés de sairem da Misericórdia, comecem a sair da Igreja da Misericórdia, que tem uma localização execelente para isso.

Estamos a falar de uma obra com um valor considerável, cerca de 297 mil euros. Em que ponto de situação está a obra?
Nos próximos três meses temos que ver obra a ser realizada. Estamos a dar retoques no projecto, a preparar o lançamento do concurso, vamos abrir o concurso público, proceder à análise das propostas e fazer a adjudicação o mais rápido possível. A empreitada será para fazer até ao fim do verão, no máximo. Nessa altura esperamos ter a Igreja recuperada, muito antes da próxima Festa dos Tabuleiros. Será um contributo importante da Misericórdia para a cidade e para a grandeza de Tomar.

É um investimento que benefecia toda a comunidade?
Acho que ganha a comunidade toda porque todos vão sentir orgulho em passar a ter este património visível e para os jovens também perceberem melhor o seu passado. Este Património é de todos os tomarenses. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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