A Casa Manuel de Guimarães, em Tomar, está a acolher uma exposição muito sui generis do artista Antero Guerra: 54 retratos de tomarenses que suscitam a curiosidade de quem a visita na redescoberta dos retratados. A inauguração decorreu na tarde de sexta-feira, 17 de junho, sendo que a mostra se prolonga até ao dia 11 de setembro.

Aqui podem ser vistos os retratos da Presidente da Câmara, Anabela Freitas, do encenador do “Fatias de Cá”, Carlos Carvalheiro a eleitos municipais e até tomarenses anónimos mas que são rostos facilmente reconhecidos numa comunidade como a tomarense.

Antero Guerra explicou que esta exposição insere-se num projecto que já passou por Rio Maior, Alcanena, Golegã, Pedrógão, Leiria, Riachos, Ericeira e Torres Novas. Após Tomar, segue-se Santarém e na forja já tem projectos em Amsterdão (Holanda) e Lima (Perú).
“Estas gentes de Tomar são gentes encantadores. Retratar uma pessoa viva obriga-nos a ficar umas horas com essa pessoa nas nossas mãos e assim cria-nos afectos com essas pessoas”, refere Antero Guerra ao mediotejo.net, acrescentando que cada retrato é um retrato e tanto pode levar uma hora como uma semana a fazer. “Ao retratar tomarenses também me sinto um pouco tomarense”, confessa.
O artista considera que há fisionomias extremamente difíceis – como desenhar uma criança ou um animal – acrescentando que já vem a desenhar estes rostos tomarenses nos últimos dois anos, tendo intensificado este trabalho, fazendo cerca de quinze retratos nas ultimas duas semanas. “O que é aliciante é as pessoas entrarem e tentarem descobrir de quem se trata porque os retratos não têm o nome do retratado de propósito. Ás vezes até gera discussões engraçadas”, disse.

O artista nasceu em 1957 numa pequena aldeia de Torres Novas. Oriundo de uma família de poucos recursos começou a trabalhar muito cedo mas foi também muito cedo que descobriu a vocação para as artes visuais, remontando os seus primeiros desenhos ao tempo em que descobriu o lápis e o papel ainda antes da Escola Primária.
O feddback do público e dos retratados normalmente é positivo embora também exista quem não se reveja no retrato. “Como digo, o retrato é dotado de complexidade e nem sempre corre bem e como me baseio na fotografia, isso dificulta todo o processo. Por outro lado, muitas vezes as pessoas têm uma boa fotografia mas isso não é sinónimo que dê um bom retrato”, atesta, acrescentando que faz questão de retratar alguém sempre com o mínimo de dignidade.
Antero Guerra considera que há uma multiplicidade de formas para acabar um retrato. Quando posa o carvão é porque está acabado. Os retratos em exposição podem ser comprados, sendo esta exposição marcada pela rotatividade, ou seja, os retratados vão mudando ao longo do tempo, com o artista a prometer muitas surpresas.

