Ao soar das gaitas de foles e perante uma Praça da República repleta de público, Tomar abriu esta quinta-feira as portas da edição de 2026 da Festa Templária, que este ano convida a uma viagem até ao ano de 1160 para assinalar o momento fundador da cidade: o início da construção do Castelo pelos Templários, sob a liderança de D. Gualdim Pais.
A cerimónia inaugural marcou o arranque de quatro dias de recriação histórica, espetáculos, animação, mercado medieval e experiências imersivas, numa edição que pretende afirmar uma nova etapa daquele que é um dos maiores eventos de recriação histórica do país. O programa estende-se até domingo, 12 de julho, com atividades distribuídas entre o centro histórico, o novo Parque Urbano e outros espaços emblemáticos da cidade.
Na abertura oficial da Festa, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, convidou os presentes a fazerem um exercício de imaginação, transportando-os até ao ano de 1160, quando D. Gualdim Pais escolheu o local onde nasceria o castelo que viria a moldar a identidade da cidade.





“Imaginem comigo. Estamos no ano 1160. Um homem sobre esta colina olha o rio, olha o vale, olha esta terra e decide: é aqui. É aqui que se ergue o castelo. É aqui que nasce Tomar”, afirmou.
Para o autarca, a decisão de Gualdim Pais foi muito mais do que a construção de uma fortificação. “A pedra que ele mandou assentar era muito mais do que isso. Era coragem. Era visão. Era a decisão de construir futuro num tempo de incerteza.”
Foi precisamente essa herança que, segundo Tiago Carrão, serve de inspiração à edição deste ano da Festa Templária, dedicada ao tema “A Fundação do Castelo – 1160”.




“Durante quatro dias, Tomar veste-se de história. As ruas enchem-se de sons, de aromas, de trajes e de ofícios. Todos nós, tomarenses e visitantes, somos transportados para o tempo do fundador da nossa terra.”
Contudo, o presidente da autarquia fez questão de sublinhar que o objetivo do evento não é apenas olhar para trás. “Esta festa não é um regresso ao passado. É um encontro. Um encontro entre quem fomos, quem somos e quem queremos ser.”
Segundo explicou, a história de Gualdim Pais continua a oferecer ensinamentos atuais. “A lição de Gualdim Pais não ficou em 1160. Tal como ele ligou muralhas para proteger e afirmar este território, também nós somos chamados todos os dias a construir. Construir comunidade. Construir cultura. Construir um concelho que honra as suas raízes e olha em frente com ambição.”





Antes de declarar oficialmente aberta a Festa Templária, Tiago Carrão deixou um agradecimento às dezenas de entidades, associações, grupos de recriação histórica, artesãos, comerciantes, voluntários, juntas de freguesia, forças de segurança e parceiros institucionais envolvidos na organização.
“O vosso trabalho é muitas vezes silencioso e invisível, mas são as vossas muitas horas de esforço e dedicação que permitem que Tomar receba quem nos visita com dignidade, autenticidade e cada vez mais qualidade”, afirmou.
Dirigindo-se particularmente aos tomarenses, lançou ainda um apelo à participação. “Participem. Vivam a Festa Templária. Tragam as vossas famílias. Recebam quem nos visita com este nosso espírito acolhedor.”








“Ao evocarmos D. Gualdim Pais e a construção do Castelo, evocamos a força de um povo que nunca deixou de construir o seu caminho. Que estes quatro dias sejam de celebração, de encontro e de orgulho”, acrescentou.
Seguiu-se a declaração oficial que marcou o início das festividades: “Está aberta a Festa Templária de 2026. Viva a Festa Templária. Viva Tomar.”
Dedicada ao tema “A Fundação do Castelo – 1160”, a edição deste ano procura celebrar o momento em que nasceu a cidade templária, convidando residentes e visitantes a mergulhar nas origens de Tomar através de quatro dias de património, história e recriação histórica.
Esta sexta-feira, as atenções centram-se no Cortejo Templário Infantil, que anima o centro histórico durante a manhã, enquanto a noite volta a reunir os principais espetáculos da Festa, culminando com o concerto dos Albaluna, grupo reconhecido pela fusão entre sonoridades medievais, orientais e contemporâneas.





O sábado constitui tradicionalmente o ponto alto da programação. Logo pela manhã realiza-se a visita encenada “1160 – O Dia em que Nasceu o Castelo”, proporcionando aos participantes uma viagem ao contexto militar e político da época.
Ao longo do dia decorrem apresentações das Estátuas Vivas Medievais e o percurso teatral “Lugares com História – Da Utopia à Extinção”, produzido pelos Fatias de Cá, que percorre diferentes espaços da cidade revisitando vários momentos da história templária.
O momento mais aguardado acontece às 22h00, com o Grande Cortejo Noturno, que parte do Castelo Templário em direção à Igreja de Santa Maria do Olival.









Guiado simbolicamente por D. Gualdim Pais, o desfile recria o espírito da fundação da cidade e da construção daquela que viria a tornar-se uma das mais importantes fortalezas templárias da Europa. A noite encerra novamente com o espetáculo Fire Dragons, junto ao Rio Nabão.
No domingo regressam as visitas encenadas, as Estátuas Vivas e o percurso teatral, culminando às 18h00 com o Cortejo de Encerramento, que liga a Vila Templária à Praça da República, encerrando quatro dias dedicados à história, à cultura e ao património.
Uma das principais novidades da edição deste ano é a renovada Vila Templária, instalada no Parque Urbano, concebida como centro nevrálgico da Festa. O espaço reúne acampamentos templários e sarracenos, demonstrações de combate, ofícios históricos, feira medieval, artesanato, tabernas, refeitório, liça, animação permanente e personagens que circulam continuamente pelo recinto.





Os mais novos dispõem de um espaço próprio, o Castelo dos Escudeiros, com parede de escalada, jogos tradicionais, fosso de bolas, experiências com trajes medievais e um carrossel temático.
Fora do recinto principal, o Complexo Cultural da Levada recebe a Casa da Tortura, uma exposição que apresenta 86 instrumentos históricos, complementada por cenografia, sonoplastia e estímulos sensoriais que procuram contextualizar um dos períodos mais sombrios da história da humanidade.





O acesso à Vila Templária faz-se mediante pulseira. A pulseira diária custa três euros e a pulseira geral, válida para os quatro dias, cinco euros, sendo gratuita para crianças até aos 10 anos, inclusive.
Existe ainda um Kit Templário, por 7,50 euros, que inclui pulseira geral, saco de pano, copo, lápis e programa oficial. O Jantar Templário tem o custo de 25 euros para adultos e 15 euros para crianças entre os três e os dez anos, enquanto as visitas culturais encenadas custam cinco euros por participante.

Os espetáculos de videomapping “A Carta de Gualdim Pais”, Fire Dragons e os vários cortejos têm acesso livre, reforçando a aposta da organização em envolver toda a cidade na celebração da sua identidade templária.
Organizada pelo município de Tomar, em parceria com a ADIRN, o Instituto Politécnico de Tomar e o Convento de Cristo, a Festa Templária volta assim a afirmar-se como um dos maiores eventos de recriação histórica do país, procurando aliar rigor histórico, animação cultural e valorização do património num programa pensado para residentes e visitantes de todas as idades. Programa completo AQUI.

