Abastecimento de água normalizado em Tomar mas risco estrutural mantém-se. Foto: Tejo Ambiente

Diante dos problemas públicos de abastecimento de água que afetam o concelho de Tomar, e considerando o impacto das faltas e cortes imprevistos na vida dos munícipes, a última reunião do executivo tomarense realizou-se na sede da Junta da União das Freguesias de Madalena e Beselga.

A iniciativa teve como objetivo permitir que os residentes, em particular da localidade de Cem Soldos, fossem ouvidos pelos seus representantes e obtivessem os esclarecimentos devidos, tendo contado com a presença do engenheiro José Santos, da Tejo Ambiente.

José Santos explicou que cerca de 253 km da rede de abastecimento estão quase totalmente obstruídos com calcário, devido a captações históricas realizadas entre 1959 e 2001 em ambiente rochoso. O subsistema afetado abastece aproximadamente 5.300 habitações e unidades sensíveis, como uma clínica de hemodiálise, que exige água de elevada qualidade.

ÁUDIO | José Santos, engenheiro da Tejo Ambiente

Apesar de a água fornecida cumprir os limites legais de potabilidade, a sua composição provoca incrustações nas tubagens, tornando urgente a renovação da rede.

Segundo o engenheiro, qualquer intervenção que não passe pela substituição integral da rede será apenas um “cuidado paliativo”, termo utilizado pelo autarca de Tomar, sendo necessários 17 milhões de euros de investimento para resolver o problema de forma definitiva.

O presidente da Câmara, Tiago Carrão, sublinhou a importância de encontrar uma solução de fundo. “Há realmente a necessidade e a urgência de procurarmos uma solução de fundo que passará obviamente pela substituição de toda esta rede”, afirmou, referindo que estão em causa cerca de 250 km de condutas de abastecimento.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da CMT

Carrão destacou ainda que, embora a situação recente tenha sido resolvida, a resolução baseou-se em medidas provisórias, ou “cuidados paliativos”, tendo reforçado a importância de uma intervenção estrutural para evitar falhas futuras.

A Tejo Ambiente garante que, desde 2020, tem atuado diariamente para minimizar os impactos da rede obstruída, mas alerta que, sem a renovação completa das tubagens, os problemas tenderão a agravar-se com o tempo, devido à fragmentação do calcário acumulado.

A Tejo Ambiente, E.I.M., SA é uma empresa intermunicipal de ambiente que gere serviços de abastecimento de água, saneamento e gestão de resíduos em diversos concelhos do Médio Tejo.

Criada em 2019 para assegurar a coordenação e eficiência na prestação destes serviços públicos, a empresa intermunicipal, com sede em Ourém, opera nos municípios de Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha.

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Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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