Foto: CMT

O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, reuniu-se com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para exigir avanços concretos em dois dossiês que há anos preocupam a população: a recuperação da qualidade da água do rio Nabão e a renovação da rede de abastecimento alimentada pela nascente da Mendacha, cuja degradação provoca perdas de água sem precedentes.

O encontro, que surge na sequência de contactos anteriormente estabelecidos com o secretário de Estado do Ambiente, pretende reforçar a pressão política sobre matérias que o executivo municipal considera prioritárias desde o início do atual mandato.

“Estes são problemas antigos, mas que têm de ter solução. Desde o início do mandato que temos vindo a trabalhar para os colocar na agenda política ao mais alto nível, e este encontro com a ministra representa um passo decisivo nesse percurso. Tomar não vai desistir de defender o que é justo para o seu território e para os seus munícipes”, afirmou Tiago Carrão.

Uma das situações mais críticas identificadas prende-se com o subsistema de abastecimento da Mendacha. Décadas de acumulação de calcário nas tubagens deixaram praticamente inoperacional uma rede com cerca de 253 quilómetros de extensão, responsável pelo fornecimento de água a mais de cinco mil alojamentos. Atualmente, as perdas atingem os 94%, o que significa que, por cada 100 litros introduzidos na rede, apenas seis chegam a ser faturados aos consumidores.

Perante este cenário, já existe um projeto de renovação da infraestrutura, dividido em três fases de execução, abrangendo diferentes zonas do concelho. O investimento necessário está estimado em 17,8 milhões de euros, um valor que excede a capacidade financeira da Tejo Ambiente, entidade responsável pela gestão do sistema.

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Também a situação do rio Nabão voltou a merecer destaque na reunião com a tutela. Parte dos problemas de poluição registados no troço que atravessa Tomar está associada ao estado de degradação de dois emissários que, em conjunto, totalizam cerca de 70 quilómetros e encaminham efluentes para as ETAR do Alto Nabão e de Seiça.

Em períodos de chuva intensa, os caudais excedem a capacidade instalada das infraestruturas de tratamento, comprometendo a qualidade da água não só do Nabão, mas também dos rios Zêzere e Tejo.

A intervenção necessária para reabilitar estes emissários está avaliada em 19,5 milhões de euros, reforçando a necessidade de apoio financeiro do Estado para concretizar uma solução considerada estrutural.

Município, Tejo Ambiente e Ministério do Ambiente e Energia deverão agora aprofundar o trabalho técnico e financeiro necessário à definição de respostas para ambos os processos, com o objetivo de assegurar a execução das obras identificadas como prioritárias.

Durante a reunião foram ainda abordados outros investimentos estratégicos para o concelho, tendo o município defendido a integração das cotas de cheia resultantes do estudo hidrológico de Tomar no Plano de Gestão dos Riscos de Inundação. A autarquia considera que esta atualização é fundamental para orientar o planeamento futuro do território e desbloquear investimentos públicos e privados há muito aguardados.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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