Conferência sobre a realidade da Incapacidade Invisível. Foto: CIMT

A 1ª Conferência sobre Incapacidade Invisível – Invisible Talks – teve lugar no Instituto Politécnico de Tomar (IPT), um evento organizado pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), que reuniu cerca de uma centena de participantes. A conferência nasceu do projeto “Comunicar a Incapacidade Invisível”, iniciado em 2020 por Catarina Gestosa da Silva, designer gráfica, professora e mestranda em Design Editorial no IPT.

Através deste projeto, Catarina Gestosa, atualmente a realizar um estágio na CIMT, procurou lançar um debate público sobre a diversidade da incapacidade, que não é visível à primeira vista, mas que tem um impacto profundo e transformador na vida dos seus portadores. Este evento refletiu sobre o poder da comunicação, da inclusão e da acessibilidade.

O objetivo central da conferência foi sensibilizar a sociedade para as múltiplas dimensões das incapacidades invisíveis – sejam elas motoras, auditivas, visuais, mentais ou múltiplas. Embora não sejam imediatamente percetíveis, estas condições têm uma repercussão enorme no quotidiano daqueles que as experienciam. O evento procurou dar voz a quem muitas vezes se vê invisibilizado na sociedade, destacando a importância de um olhar mais informado, inclusivo e empático.

A sessão de abertura foi marcada por diversas intervenções. O presidente da CIMT, Manuel Jorge Valamatos, e a vice-presidente do IPT, Natércia Santos, sublinharam a relevância do projeto de Catarina Gestosa da Silva, enaltecendo o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos portadores de incapacidades invisíveis. Ambos destacaram o papel crucial da comunicação na promoção de uma sociedade mais inclusiva e consciente das necessidades específicas dessas pessoas.

Seguiu-se a apresentação de Catarina Gestosa da Silva, que partilhou a sua própria experiência como doente oncológica e portadora do gene BRCA 2, ressaltando a importância de comunicar a invisibilidade das incapacidades. O seu testemunho pessoal trouxe uma mensagem de coragem, resiliência e a urgência de transformar a sociedade para um ambiente mais acolhedor e acessível para todos.

A conferência continuou com a intervenção de Bruno Giesteira, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que abordou as Estratégias de Design e Comunicação para sensibilizar sobre as incapacidades invisíveis, explorando como o design pode ser um agente de transformação e inclusão.

No painel da tarde, intitulado “Invisível ou Imaginário? Estratégias para Combater o Estigma”, Cristina Pinheiro, da Universidade Europeia (IADE), trouxe uma perspetiva sobre o impacto do Design na comunicação inclusiva, abordando temas como Design de Comunicação, Cor, Tipografia e Sustentabilidade.

A tarde continuou com uma mesa redonda, composta por diversos especialistas e representantes de organizações como Paulo Gonçalves, da Doenças Raras de Portugal, Tamara Milagres, da Associação EVITA – Cancro Hereditário, Beatriz Viegas e Cristina Pereirinha, da Revista OncloGlam, e Raquel Sampaio, da Associação Direito Mental. Durante o debate, exploraram-se temas como a relação entre a incapacidade invisível e os meios de comunicação, o acesso ao emprego e aos serviços públicos e a importância de uma maior consciencialização social.

Para concluir este dia de reflexões e aprendizagens, o secretário intermunicipal da CIMT, Jorge Simões, fez um balanço positivo, manifestando a sua confiança na continuidade deste projeto e na realização de uma segunda edição da Invisible Talks.

Este evento não só abriu um diálogo sobre as incapacidades invisíveis, mas também pretendeu inspirar todos os presentes a repensar a forma como a sociedade lida com a diferença.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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