“A Festa Templária é um produto económico-cultural-turístico muito relevante para o nosso concelho e que tem potencial para ser ainda muito mais”, afirmou Tiago Carrão, presidente da Câmara de Tomar.
Segundo o autarca, em declarações à Lusa, o renovado Parque Urbano de Tomar acolherá pela primeira vez a “Vila Templária de Thomar”, concebida como centro nevrálgico do evento, com acampamentos, ofícios medievais, animação permanente e atividades para diferentes públicos.
Inspirada no tema “A Fundação do Castelo – 1160”, a edição deste ano inclui uma nova liça medieval para justas e torneios de armas, o “Castelo dos Escudeiros”, destinado às crianças, e um jantar templário, além de recriações históricas, cortejos, espetáculos de fogo e música, tabernas junto ao rio e uma sala de tortura instalada na Central Elétrica.
Segundo Tiago Carrão, esta edição representa “um momento de refundação da própria Festa Templária”, criada em 2013 e interrompida apenas durante os anos da pandemia de covid-19.
“Estamos à procura de uma Festa Templária com mais envergadura, mais programação, programação cultural mais diversificada”, sustentou.
O autarca explicou que o novo modelo do evento prevê, pela primeira vez, entradas pagas no recinto principal, instalado no Parque Urbano e na zona adjacente ao Estádio Municipal.
A proposta, que será submetida a reunião de câmara, prevê bilhetes diários de três euros ou um passe geral de cinco euros para os quatro dias.
“A qualidade tem um preço”, declarou Tiago Carrão, defendendo que a medida constitui “um primeiro passo na sustentabilidade” financeira do certame, embora admita que a receita de bilheteira não permitirá ainda equilibrar as contas do evento.

ÁUDIO | TIAGO CARRÃO, PRESIDENTE CÂMARA MUNICIPAL DE TOMAR:
O presidente da autarquia indicou que o investimento global deverá situar-se entre 250 mil e 300 mil euros, dependendo “de algumas opções” ainda em análise.
Questionado sobre a expectativa de visitantes, Tiago Carrão disse não existirem dados históricos consolidados das edições anteriores, mas afirmou que a organização passará este ano a contabilizar entradas.
“Serão seguramente milhares de pessoas” e “a partir deste ano será medido”, afirmou.
A organização da Festa Templária resulta de uma parceria entre o município de Tomar, a ADIRN – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, o Instituto Politécnico de Tomar e o Convento de Cristo, monumento classificado como Património Mundial pela UNESCO e associado ao legado templário em Portugal.
Fundada pelos Templários no século XII, Tomar é historicamente associada à Ordem do Templo e afirma-se como uma das principais cidades portuguesas ligadas ao legado templário, identidade que a Festa Templária procura recriar anualmente através de mercados, cortejos e encenações históricas.
PS alerta para impacto das entradas pagas nas associações da Festa Templária
A introdução de entradas pagas na Festa Templária de Tomar dominou o debate da última reunião do executivo, com críticas da oposição socialista e a defesa da maioria liderada por Tiago Carrão (Coligação PSD-CDS), que sustentou a medida com argumentos de sustentabilidade financeira, profissionalização da gestão e valorização do evento.
A discussão surgiu após uma intervenção da vereadora socialista Filipa Fernandes, na sequência da apresentação oficial da 11ª edição da Festa Templária, que decorre entre 9 e 12 julho, e que terá como principal novidade a localização no Parque Urbano de Tomar. A reorganização do espaço e a implementação de bilhética motivaram fortes reservas por parte dos vereadores do Partido Socialista.
A vereadora socialista Filipa Fernandes acusou o executivo de ter inicialmente previsto a retirada da animação do centro histórico e de apenas ter recuado após a contestação pública.

Segundo a autarca, o presidente da Câmara tinha confirmado anteriormente, em reunião camarária, que as recriações históricas e a animação seriam transferidas para o novo recinto, o que acabou por gerar críticas da população e preocupação entre comerciantes e associações locais.
Filipa Fernandes defendeu que o executivo devia assumir a alteração de estratégia “com humildade”, em vez de desvalorizar as críticas como “burburinho”. A vereadora sustentou ainda que vários grupos de animação foram posteriormente contactados para garantir programação no centro histórico, considerando que isso demonstra uma mudança de posição do município.
A socialista criticou também o modelo de entradas pagas, argumentando que a medida obriga os visitantes a pagar para aceder às tasquinhas dinamizadas pelas associações do concelho. Na perspetiva da vereadora, o município deve priorizar o estímulo à economia local e ao associativismo, e não procurar obter receita direta através dos eventos.
“Quem deve lucrar é a comunidade, o comércio local, o associativismo”, defendeu, considerando que a Câmara Municipal não deve transformar-se “numa empresa de eventos”.

Filipa Fernandes alertou ainda para os custos associados à implementação da bilhética, nomeadamente em matéria de segurança, controlo de acessos e logística, defendendo que o município terá posteriormente de demonstrar se o modelo será financeiramente vantajoso.
Já o presidente da Câmara, Tiago Carrão, rejeitou as críticas e afirmou que a nova estratégia representa uma visão mais ambiciosa e profissional para os eventos do concelho.
Tiago Carrão respondeu ironicamente às acusações da oposição, agradecendo os “elogios” à gestão do executivo e assumindo que a autarquia pretende aplicar princípios de gestão profissional e rigor financeiro à organização dos eventos municipais.
O autarca sustentou que a sustentabilidade financeira é essencial para elevar a qualidade da Festa Templária e permitir o reinvestimento em futuras edições e noutras iniciativas culturais. “O utilizador-pagador faz sentido”, afirmou, defendendo que não devem ser apenas os contribuintes a suportar integralmente os custos de eventos frequentados por públicos específicos.

Tiago Carrão frisou ainda que o valor da entrada será simbólico e considerou que a cobrança pode funcionar também como instrumento de valorização do próprio evento. Como exemplo, referiu o caso da Feira Medieval em Santa Maria da Feira, apontando que o certame gera receitas superiores aos custos e permite reinvestimento contínuo.
O presidente da Câmara negou igualmente que a programação cultural para o centro histórico tenha sido decidida apenas após a contestação pública, garantindo que os contactos e procedimentos estavam já a ser preparados anteriormente. Nesse sentido, desafiou os vereadores socialistas a apresentarem requerimentos para consultar documentação e trocas de correspondência relacionadas com a organização do evento.




Durante o debate, o vereador socialista Hugo Cristóvão reforçou as críticas da oposição, acusando o executivo de ter apresentado versões contraditórias sobre o modelo da festa.
O autarca socialista defendeu que a transferência da centralidade da Festa Templária para o novo recinto representa um afastamento do centro histórico e do comércio tradicional, contrariando a lógica seguida nas últimas edições.
Hugo Cristóvão recordou ainda a evolução do evento ao longo dos últimos anos, sublinhando que a aposta na marca templária permitiu consolidar a festa como um dos principais cartazes turísticos do concelho e criar uma estratégia de alternância com a Festa dos Tabuleiros.

Embora reconhecendo que sempre existiram algumas atividades pagas dentro da Festa Templária, o vereador considerou que cobrar entrada para acesso generalizado ao recinto – incluindo às tasquinhas das associações – poderá afastar os tomarenses e prejudicar financeiramente coletividades locais que dependem da receita obtida durante o certame.
O socialista alertou ainda para a possibilidade de muitos vendedores e associações reconsiderarem a participação em futuras edições caso o modelo reduza significativamente o fluxo de visitantes.
Na resposta final, Tiago Carrão acusou a oposição de revelar “falta de ambição” para o concelho e reiterou que o novo modelo será avaliado com base em dados concretos e indicadores de rigor, incluindo métricas de afluência e perfil dos visitantes.
O presidente da Câmara sustentou que o município pretende profissionalizar a organização dos eventos e criticou a ausência, em edições anteriores, de mecanismos de contabilização rigorosa do público presente.
“O tempo dirá quem tem razão”, afirmou o autarca, garantindo que o executivo fará posteriormente um balanço detalhado do impacto financeiro e organizacional da nova estratégia para a Festa Templária.
A cidade de Tomar recebe, entre os dias 9 e 12 de julho de 2026, mais uma edição da Festa Templária, evento dedicado à recriação histórica medieval e à herança templária do concelho.

A edição de 2026 terá como tema “A Fundação do Castelo – 1160” e prevê várias novidades na programação. Entre elas estão uma nova “Liça Medieval para torneios e justas”, um jantar temático e um espaço infantil inspirado no universo medieval.
O programa estender-se-á a vários pontos da cidade, com recriações históricas, animação itinerante, tabernas, espetáculos e cortejos, incluindo o tradicional Cortejo Noturno. Estão igualmente previstos espaços temáticos e atividades ligadas ao imaginário medieval, como a Sala da Tortura na Central Elétrica.
Outra das iniciativas anunciadas é a realização de um seminário temático no Convento de Cristo, reforçando a componente histórica e cultural associada ao evento.
A organização da Festa Templária envolve o município de Tomar, a ADIRN, o Instituto Politécnico de Tomar e o Convento de Cristo. Os bilhetes deverão ser colocados à venda em breve.
