Monumentos e espaços culturais em Tomar com mais de meio milhão de turistas em 2024. Foto arquivo: CMT

“Eu creio que tem muito a ver, de uma forma geral, com a capacidade que temos tido nos últimos anos de promover Tomar e de Tomar se conseguir colocar em várias frentes numa clara intenção nossa de diversificar aquilo que são os interesses turísticos e também para fazer as pessoas ficarem mais tempo, porque é isso que deixa naturalmente resultados na economia local”, disse o presidente da Câmara de Tomar ao mediotejo.net, quando questionado sobre a importância do fluxo turístico registado.

“Naturalmente que nós há muitos anos que temos uma pérola inestimável, e que poucos têm, que é de facto o nosso património classificado” pela Unesco, “o Convento de Cristo e o Castelo Templário, e que em regra todos os anos é dos monumentos mais visitados do país”, disse Hugo Cristóvão,. tendo feito notar que “a grande dificuldade identificada”, quando iniciámos esta governação há uma década, era que recebia muitos visitantes, mas depois muitas vezes, não ficavam na cidade, não passavam às vezes sequer na cidade”.

O Convento de Cristo, em Tomar, é um dos pontos incontornáveis da rota templária. Foto: mediotejo.net

“E esse era o obstáculo e o desafio a enfrentar e decidimos apostar em várias frentes. Na requalificação de património, eu recordo a requalificação que fizemos da nossa sinagoga e que traz muitas pessoas a Tomar, mas também a reabilitação que fizemos da Igreja de São João Batista e depois a intervenção que fizemos no Aqueduto dos Pegões e, enfim, em várias outras intervenções mais pequenas em algum outro património e, no fundo, também a reabilitação, por exemplo, no centro histórico vai acontecendo”.

O resultado da aposta nas “várias frentes”, indicou, “ligado à temática dos templários, turismo religioso, questão judaica e do período da romanização, em estamos também a finalizar aquilo que será o centro interpretativo do nosso Fórum Romano. Estamos a apostar em muitas frentes para que esta indústria do turismo tenha sustentabilidade todo o ano, oferta todo o ano e não apenas em alguns momentos ou em alguns eventos específicos”, declarou, dando conta que o potencial é ainda de crescimento.

“A questão dos eventos tem sido também importante e esse foi outro dos desafios a que nos propusemos, às vezes mal compreendido por alguma oposição, ou um ou outro cidadão que acha que há muitas festas e festarolas, como popularmente se diz, mas a verdade é que isso mantém, contribui, para que o município seja atrativo ao longo de todo o ano e, mais uma vez, em muitas frentes, do desporto à cultura, à educação, enfim, há muitos eventos diversificados, muitos deles que não acarretam grandes custos ao município”.

“Tem que ser numa lógica assim integrada e estou aqui a esquecer outras frentes, mas não quero deixar de referir uma, que é a questão específica da Albufeira do Castelo de Bode, que é todo um outro universo e onde, muitas vezes, este número de turistas não entra nestas contagens, como em várias outras”.

Sinagoga de Tomar é dos monumentos mais visitados, logo a seguir ao Convento de Cristo. Foto arquivo: mediotejo.net

“O objectivo é manter uma lógica de qualidade e não tanto de quantidade, apesar de ainda haver espaço para crescer. Mas, na verdade, esse número (meio milhão) estará aquém. Por exemplo, só na questão da Albufeira de Castelo de Bode e quem vem à procura dos desportos náuticos, que neste momento também já têm oferta ao longo de todo o ano, serão cerca de 100 mil pessoas/ano e que não entram nas contas dos monumentos e equipamentos culturais”.

“E, portanto, eu diria que esse número até estará abaixo da realidade, mas, na verdade, queremos continuar a crescer com calma, com qualidade, sem procurar (turismo) de massas. E esse é o grande desafio. É agarrar as pessoas ao património, ao território e dar-lhes razões para querer voltar, para passar a palavra a outros e elas próprias quererem voltar”, declarou.

“Portugal tem poucas marcas que sejam reconhecidas e vendáveis no exterior. E a nossa região (Médio Tejo) tem duas, óbvias. Fátima e Templários”, notou Hugo Cristóvão.

Hugo Cristóvão, presidente da Câmara de Tomar. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:

Em nota de imprensa, a Câmara Municipal de Tomar deu conta dos visitantes que recebeu no ano passado, tendo indicado que, “nas visitas a equipamentos museológicos e monumentos de gestão municipal”, houve um “aumento de cerca de 7% de entradas em relação ao ano anterior”, totalizando perto de 200 mil visitas.

Assim, em 2024, foram registados 195.540 visitantes nos equipamentos culturais de gestão municipal de Tomar, enquanto em 2023, ano da Festa dos Tabuleiros, evento que decorre de quatro em quatro anos, houve 182.126 visitantes e em 2022 foram registados 134.071.

Tomar quer aliar aumento de visitantes ao turismo de qualidade Foto: DR

Dos 195.540 visitantes aos equipamentos culturais de gestão municipal de Tomar em 2024, 112.408 foram portugueses (57,49%) e 83.132 estrangeiros (42,51%).

Entre os visitantes estrangeiros, 21,52% vieram dos Estados Unidos da América, 14,62% de Espanha, 11,98% de França e 9,89% do Brasil.

Tomar quer aliar aumento de visitantes ao turismo de qualidade. Foto arquivo: Luís Ribeiro

No comunicado, a Câmara de Tomar indica que o número de visitantes em 2024 é “muito significativo” e revelador de como a cidade tem tido um “crescendo de procura turística independentemente do Convento de Cristo”, cujos valores não se encontram nesta contabilização, uma vez que aquele monumento, Património da Humanidade, não está sob a tutela do município.

A Lusa contactou a direção do Convento de Cristo, gerida pela Museus e Monumentos de Portugal, tendo fonte oficial do monumento indicado que os números de 2024 ainda não foram divulgados pela tutela, mas “superam os 311.879 visitantes registados em 2023”.

Charola do Convento de Cristo. Foto: DR

Entre os equipamentos culturais de gestão municipal de Tomar, a Sinagoga voltou a ser o monumento mais visitado, com um total de 47.841 entradas, das quais 28.943 de estrangeiros.

Também o Núcleo Interpretativo da Sinagoga manteve esta tendência, com um total de 27.096 visitas, das quais 15.336 de fora do país.

O segundo local mais procurado foi a Capela de Santa Iria, que registou um total de 31.261 visitantes, com a larga maioria (20.942) a serem turistas portugueses.

Já o Complexo Cultural da Levada, que acolhe os Núcleos Museológicos da Fundição Tomarense e da Central Elétrica, o Centro Interpretativo Tomar Templário, assim como a Moagem A Portuguesa, com o projeto “Fábrica das Artes | Tomar”, representou 20,9% do total das visitas, com 40.848 visitantes, repartidos pelos diversos espaços.

c/LUSA

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