Quando nos sentamos numa plateia para ouvir o discurso de alguém que, nos últimos 25 anos, já visitou 65 países para celebrar negócios sabemos que o que se segue é para absorver ao máximo. Afinal, não é todos os dias que estamos na presença de um cidadão do mundo. Falamos de Suvra Chakraborty, Mestre em Engenharia da Computação que deu uma palestra sobre as diferenças culturais nos negócios, na tarde de terça-feira, 14 de novembro, no Instituto Politécnico de Tomar. Chegou aqui a convite do professor Luiz Oosterbeek, que conheceu numa conferência da UNESCO em Paris.

Nascido em Calcutá, Índia, num país onde o inglês já era falado por milhares de jovens – como contou nesta palestra – decidiu-se pela diferença e foi aprender russo. “Converti a minha dificuldade numa oportunidade e senti-me pronto para explorar o mundo”, disse. O ponto de viragem para o início de uma carreira profissional no leste europeu. Hoje vive no Dubai e a sua empresa celebra negócios com 50 países de todo o mundo. Chegou a Portugal na manhã deste dia, acompanhado pela esposa Paramita Chakraborty, considerando que o nosso país, além de saber acolher bem quem os que chegam, tem a vantagem de se abrir ao mundo.

Perante uma assistência composta por alunos, funcionários e professores do IPT, Suvra Chakraborty começou por dizer que era um privilegiado. “Esta profissão permitiu-me viajar por 65 países. É tão enriquecedor interagir com tantas culturas”, atesta. Num discurso muito direto e assertivo revelou que as diferenças culturais que foi encontrado, em cada país que visitou, acabaram por ser vantajosas para os seus negócios sendo indispensável, em primeira instância, criar empatia com os nossos parceiros.
“O mundo é um lugar fantástico. Somos tão diferentes no vestir, no aspecto, na religião, no que comemos. Temos duas opções: questionar porque é que eles não são iguais a nós ou dizer: fantástico, é algo diferente”, conta.

O empresário conta que, a certa altura, os seus negócios, devido à crise, sofreram uma queda acentuada. A atitude ditou o futuro. Tinha duas opções: sentir pena de si próprio ou fazer uma análise do que poderia aprender com este processo. Escolheu a segunda. Foi aí que rumou ao Dubai, para começar tudo de novo. “Converti uma situação difícil numa oportunidade”, reforça.
Abordando a questão das diferenças culturais nos negócios, Suvra Chakrabort refere que é importante respeitar os costumes do país anfitrião, celebrando sempre essas diferenças. “Se eu rejeitar a comida que me oferecem, posso ofender os seus costumes culturais. Depois, se eu respeitar a sua cultura ele respeitará a minha”, exemplificou, acrescentando com graça que, para descobrir o país real, se costuma sentar sempre no banco da frente nos táxis, uma vez que os taxistas costumam ser mais sinceros em relação à cultura do seu país.

Tendo passado por países como a China e Japão, conta que a maior lição que aprendeu foi a de que devemos fugir das ideias estereotipadas ou pré-concebidas. “Por exemplo, quanto mais quente é um país mais longas são as vestes. Isto porque é importante defender o corpo do sol que é muito forte. Começamos a perceber porque é que as pessoas se comportam de forma diferente, em vez de as censurar”, disse.
É por isso que defende que os professores, nas Universidades, deviam ensinar aos seus alunos não o “Como” mas sim o “Porquê” para que entendam as diferenças. ” O Know-How é importante mas o Know-Hi ainda é mais importante”, refere quem se sente mais feliz a dar do que a receber. E, diz também, em vez de irmos ao google devemos preferir o contacto com as pessoas. E de todo o discurso de Suvra Chakrabort, rico tanto em palavras como em substância, a frase mais marcante, considera a repórter, foi afinal a mais simples: “Coisas boas acontecem a boas pessoas.”
