Foto: mediotejo.net

O tema mereceu reflexão na passada reunião de Câmara e o PSD de Tomar, na pessoa da vereadora Célia Bonet, deixou alerta para o facto de existirem pessoas a aproveitar-se da boa vontade e solidariedade geradas em tempos de pandemia de covid-19, em torno da crise que esta veio acentuar nomeadamente com a declaração de Estado de Emergência nacional que deixou pessoas desempregadas ou em lay-off. Em causa estão pessoas que estarão a usar de oportunismo e duplicação de apoios sociais, nomeadamente refeições prontas e alimentos.

Célia Bonet (PSD) sugeriu que deva existir “uma grande parceria e entrosamento” entre os vários parceiros envolvidos nas respostas sociais, desde o Município, as IPSS, as associações e escolas, reconhecendo que atualmente “há muito mais procura de ajuda”.

Isto porque disse já ter verificado que “há pessoas, adultos sem crianças, que vão à escola e pedem ajuda, e estão já a ser apoiadas e a receber refeições, e depois vão a outra instituição receber alimentos”, ou seja, duplicando apoios.

Célia Bonet mencionou que “convém não perder o controlo, porque sabemos que há ainda muitas pessoas que não pediram ajuda mas que já estão a precisar muito. Não podemos dar tudo a uns, pessoas que inclusive se recusaram a entregar documentação no SAAS e que estão a ser apoiadas com refeições”.

A vereadora, enquanto presidente da Cáritas de Tomar, referiu que nas duas últimas semanas de março existiam “mais 30 pessoas a serem apoiadas o que é imenso para uma freguesia urbana”.

“Também sabemos que há sempre pessoas que se aproveitam da boa vontade. Sabemos que estamos todos mais sensíveis nesta altura, porque conhecemos os problemas, sabemos que há muito mais pessoas desempregadas, pessoas que trabalhavam e que nunca precisavam de ajuda para o dia-a-dia, mas de um momento para o outro, sem que previssem, ficaram sem qualquer rendimento e estão a pedir ajuda”, notou.

Por outro lado, referiu que o facto de as pessoas e instituições estarem mais sensíveis às necessidades e pedidos de ajuda, é mais fácil atribuir apoios “sem verificar se de facto existe essa necessidade ou não”.

Assim, a vereadora recomendou que o apoio social voltasse a ser tratado num canal uniforme, como antes acontecia, passando pelo SAAS do município, que depois de receber a documentação e pedido de apoio, encaminharia para determinada associação ou IPSS.

“Já detetámos vários casos de oportunismo e eu solicitava, que a Câmara Municipal apertasse ainda mais as parcerias entre as instituições. Até aqui funcionávamos muitíssimo bem entre todas as instituições, todos os necessitados procuravam o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS) da CM Tomar, e entravam todos por aí, não havendo necessidade de duplicação, pois esse serviço encaminharia para uma das instituições que depois acompanha a família”, disse.

Recomendou que sejam feitas reuniões de conciliação de procedimentos, crendo que se fossem cumpridos antigos procedimentos, como estava a ser feito até à pandemia, “não havia esta duplicação de ajudas”.

“Acho que tem que haver aqui boa vontade, temos que acudir a todas as pessoas que estão necessitadas, mas temos que ter o crivo um pouco apertado porque senão, às tantas, a mesma família está a ser apoiada em quatro ou cinco instituições e não é isso que se pretende”, frisou.

Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal tomarense, referiu ter tomado nota para reportar à vereadora com o pelouro da Ação Social, Filipa Fernandes, que por motivos de saúde não esteve presente na passada reunião de executivo camarário.

A autarca afirmou que “é lamentável que tal esteja a acontecer”.

“Os recursos são escassos em qualquer instituição, e há pessoas que podem estar a ficar para trás e que precisam à custa de outras que se estão a aproveitar. Mas o ser humano tem destas coisas…”, lamentou.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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