Mata dos Sete Montes, em Tomar. Foto de arquivo: Rota dos Templários

A vereadora do PS na Câmara Municipal de Tomar, Filipa Fernandes, questionou o executivo liderado por Tiago Carrão sobre os critérios que permitiram a realização de um evento privado na Mata Nacional dos Sete Montes, numa altura em que aquele espaço continua encerrado ao público na sequência dos danos provocados pelas intempéries.

A questão foi levantada durante a reunião do executivo municipal desta segunda-feira, onde a eleita socialista pediu esclarecimentos sobre a autorização concedida para a realização do festival, sublinhando que não estava em causa a qualidade da organização nem a importância deste tipo de iniciativas para o concelho.

“Não está em causa a organização, que sei que foi de excelência, nem o profissionalismo dos promotores. O que está em causa é a coerência”, afirmou Filipa Fernandes, defendendo que os tomarenses mereciam uma explicação para o facto de a Mata Nacional dos Sete Montes permanecer encerrada ao público, mas ter aberto excecionalmente para acolher um evento de natureza privada.

A vereadora recordou que a iniciativa decorreu anteriormente no Convento de São Francisco, tendo este ano sido transferida para a Mata Nacional dos Sete Montes. “Nada contra esse evento privado”, vincou, acrescentando que sempre foi favorável à realização de eventos que contribuam para a dinamização económica, social e cultural do concelho.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, durante a reunião do executivo desta segunda-feira

Ainda assim, Filipa Fernandes quis saber se existiram pareceres técnicos camarários que sustentassem a realização do festival naquele local e se foi efetuado um levantamento do estado das árvores existentes na mata, por forma a garantir a segurança dos participantes.

A Mata Nacional dos Sete Montes permanece encerrada devido aos impactos da tempestade Kristin. Foto: CMT

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Tomar explicou que o evento decorreu numa área muito limitada do espaço florestal, correspondente a menos de 5% dos cerca de 40 hectares da Mata Nacional dos Sete Montes.

Segundo Tiago Carrão, a abertura integral da mata continua a não ser possível devido aos estragos provocados pelas intempéries, persistindo riscos em várias zonas onde os trabalhos de limpeza ainda não foram concluídos.

ÁUDIO | Tiago Carrão, autarca de Tomar

“O evento tinha uma particularidade: era um perímetro fechado e controlado”, explicou o autarca, referindo que foram impostas condições rigorosas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), às quais se juntou o acompanhamento do município, da Proteção Civil e dos bombeiros.

De acordo com o presidente da autarquia, os promotores asseguraram vigilância permanente, delimitação física do espaço e medidas destinadas a impedir a circulação dos participantes para áreas consideradas inseguras.

Tiago Carrão adiantou ainda que a empresa responsável pela organização do festival investiu cerca de 15 mil euros na recuperação e beneficiação daquela zona da mata, incluindo ações de limpeza, recuperação de acessos e intervenções em alguns elementos existentes no local.

“Falando muito claramente e objetivamente, a mata ficou melhor após a realização deste festival”, afirmou.

O autarca garantiu também que o ICNF não colocou objeções à realização da iniciativa, desde que fossem cumpridas as condições de segurança definidas pelas entidades envolvidas. Acrescentou ainda que o município está a trabalhar com aquele instituto numa solução que permita, nos próximos meses, uma reabertura parcial e controlada da Mata Nacional dos Sete Montes, através de visitas acompanhadas.

Apesar das explicações apresentadas pelo executivo, Filipa Fernandes insistiu na necessidade de maior coerência na aplicação dos critérios adotados pelo município. “Se, por um lado, são invocadas questões ambientais para impedir determinadas utilizações, essas mesmas questões também devem ser consideradas noutras situações”, sustentou.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora eleita pelo Partido Socialista

A vereadora revelou ainda ter visitado recentemente a Mata Nacional dos Sete Montes, acompanhada por técnicos municipais, descrevendo um cenário “de coração partido”, marcado pela existência de árvores caídas e áreas ainda fortemente afetadas pelos estragos provocados pelo mau tempo.

“Os tomarenses foram-nos abordando com a mesma pergunta: porque é que a mata está fechada para todos, mas abre para alguns?”, referiu.

Na reta final da troca de argumentos, Tiago Carrão rejeitou as críticas relacionadas com a promoção de eventos, lembrando que a iniciativa em causa teve natureza exclusivamente privada.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

“O município não organizou nem promoveu aquele evento. Limitou-se a acompanhar o processo para garantir o cumprimento de todos os requisitos de segurança”, concluiu.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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