Foto: DR

Na sua intervenção, a vereadora Filipa Fernandes (PS) começou por esclarecer que as críticas não se dirigem à criação do novo parque urbano, cuja concretização considera positiva, mas sim à falta de atenção dada a infraestruturas já existentes.

“Fui pelos meus pés, após ter também visto fotografias, fui ver e efetivamente parece-me o abandono total do Parque do Flecheiro”, afirmou.

A vereadora socialista sublinhou que “nada contra a realização de novos parques urbanos”, defendendo que “tudo o que é promoção de novos parques deve ser de salutar e de agradecer”. Contudo, considerou criticável o encerramento do parque de autocaravanas sem que tivesse sido encontrada uma solução alternativa.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora eleita pelo PS

“O que se critica é a falta de alternativas para o que lá existia. Isso sim é criticável”, afirmou, acrescentando que “não se pode, ou não se deve, na minha perspetiva, criar novos parques e abandonar aquilo que já existia”.

Filipa Fernandes apelou a que os espaços públicos sejam preservados independentemente das opções políticas que estiveram na sua origem. “A obra não é do partido A, não é do partido B, não pertence a partidos. Ela pertence a Tomar. O espaço público é dos tomarenses e deve ser igualmente estimado”, defendeu.

Na resposta, Tiago Carrão rejeitou qualquer associação entre a manutenção dos equipamentos municipais e a força política responsável pela sua criação. “Tenho que refutar completamente essa ideia que tentou passar agora. Se há coisa que nós temos feito é dar continuidade a tudo aquilo que estava”, afirmou.

O presidente da Câmara considerou mesmo “ridícula” a ideia de que um espaço pudesse deixar de ser intervencionado por ter sido criado por um executivo de outra cor política. Ainda assim, reconheceu a existência de dificuldades na capacidade de resposta dos serviços municipais.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da CMT

“Há realmente um défice de capacidade de resposta para os espaços ajardinados, para os parques”, admitiu, revelando que está prevista uma intervenção no Parque do Flecheiro “já na próxima semana” ou “para breve”.

Segundo Tiago Carrão, trata-se de um espaço particularmente exigente do ponto de vista da manutenção, sobretudo após os meses de inverno. “Todos os invernos, da forma como está desenhado e como foi projetado para cumprir a sua função, vai ter uma exigência muito significativa em termos de manutenção e de recuperação”, explicou.

O autarca admitiu ainda a necessidade de refletir sobre eventuais alterações ao próprio espaço que possam reduzir essa exigência no futuro. Paralelamente, destacou a dimensão do desafio que representa a manutenção dos espaços verdes do concelho.

“Estamos a falar só na cidade de dezenas de hectares de espaços verdes, ajardinados, parques e jardins a necessitarem de manutenção”, referiu, acrescentando que os recursos humanos atualmente disponíveis “não são obviamente suficientes”.

Para reforçar essa capacidade, a Câmara está a ultimar um procedimento de contratação externa destinado ao corte de erva, libertando os trabalhadores municipais para intervenções mais especializadas.

“Estamos precisamente neste momento a ultimar um procedimento de contratação de serviços para o corte de erva”, explicou.

Num segundo momento da discussão, Filipa Fernandes reiterou que a sua principal preocupação vai além da manutenção dos espaços verdes, incidindo sobretudo sobre a falta de limpeza do parque.

“O que se nota realmente é o lixo que lá se encontra”, afirmou, relatando a existência de uma grade caída há meses, árvores sobre essa estrutura, resíduos acumulados junto à vegetação e contentores cheios.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora socialista

“Mais do que também a manutenção (…), é a limpeza regular daquele espaço que me parece não existir há muitos meses”, acrescentou.

Na resposta final, Tiago Carrão voltou a reconhecer que o estado atual do espaço não corresponde às expectativas do executivo nem da população.

“Não é de todo aquilo que nós queremos para aquele espaço, como não é aquilo também que queremos para vários outros espaços da cidade”, afirmou.

O presidente da autarquia admitiu mesmo que “o espaço público neste momento não está como nós queremos”, apontando problemas relacionados com grafites, ervas, pavimentos degradados e outras necessidades de intervenção urbana. “Não é este o ponto em que nós queremos a cidade”, declarou.

ÁUDIO | Tiago Carrão, autarca de Tomar

O autarca de Tomar revelou ainda que o município está a preparar uma estratégia mais abrangente para a manutenção urbana, defendendo a necessidade de uma ação contínua e não limitada a momentos específicos.

“Temos de ter realmente um plano de manutenção regular, exigente, para que o espaço público esteja como todos nós gostaríamos que estivesse”, afirmou, concluindo que, tal como acontece nas habitações particulares, “assim devemos cuidar do espaço público”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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